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DECISÃO 2026: PL cresce no Congresso e deixa Aécio, Tebet, Marina e outros nomes conhecidos de fora

Publicado 05/10/2026 • 07:33 | Atualizado há 43 minutos

KEY POINTS

  • Nomes como Aécio Neves, Simone Tebet, Marina Silva, Renan Calheiros, Randolfe Rodrigues e Ciro Nogueira não conseguiram se eleger em 2026.
  • Boa parte das derrotas ocorreu nas disputas pelo Senado, que renovou 54 das 81 cadeiras neste ano.
  • O PL ampliou sua presença no Congresso e conquistou vagas em algumas das disputas que deixaram nomes tradicionais fora das duas Casas.
Plenário do Senado Federal com cadeiras vazias e a mesa diretora ao fundo.

Agência Senado

Plenário do Senado Federal; eleições de 2026 renovaram 54 das 81 cadeiras da Casa.

As eleições deste domingo (4) deixaram de fora dos cargos em disputa vários nomes conhecidos da política nacional. Ex-ministros, ex-governadores, senadores e parlamentares de diferentes partidos estão entre os candidatos que não conseguiram se eleger em 2026.

A lista inclui Aécio Neves (PSDB), Simone Tebet (PSB), Marina Silva (Rede), Renan Calheiros (MDB), Ciro Gomes (PSDB), Randolfe Rodrigues (PT), Ciro Nogueira (PP), Fernando Haddad (PT) e ACM Neto (União Brasil), além de políticos que tentavam retornar ao Congresso.

Boa parte das derrotas ocorreu nas disputas pelo Senado. Neste ano, 54 das 81 cadeiras da Casa estavam em jogo, com duas vagas por estado e pelo Distrito Federal.

O resultado veio em uma eleição marcada pelo crescimento do PL no Congresso. O partido ampliou sua bancada no Senado e projeta também a maior bancada da Câmara, além de ter conquistado vagas em algumas das disputas que deixaram nomes tradicionais fora das Casas.

Leia também: Direita e centro vencem 17 dos 20 governos estaduais no 1º turno; esquerda fica com três

Senado deixa nomes conhecidos de fora

Em Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB) não conseguiu uma das duas vagas ao Senado e ficará sem mandato a partir de 2027, após o fim de seu mandato como deputado federal. Ex-governador de Minas e ex-senador, Aécio está no Congresso desde 2019. As cadeiras do estado ficaram com Domingos Sávio (PL) e Marília Campos (PT).

Em São Paulo, Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) ficaram fora das duas vagas. Tebet terminou em terceiro lugar, com 19,23% dos votos válidos, seguida por Marina, com 18,12%. Guilherme Derrite (PP), com 30,59%, e André do Prado (PL), com 29,28%, foram eleitos.

Tebet tentava retornar ao Senado após ter representado Mato Grosso do Sul entre 2015 e 2023. Marina também já ocupou uma cadeira na Casa, pelo Acre, entre 1995 e 2011.

Em Alagoas, Renan Calheiros (MDB) não conseguiu renovar o mandato. O senador terminou a disputa em terceiro lugar, atrás de Arthur Lira (PP) e Marina JHC (PSDB), que ficaram com as duas vagas.

Renan está no Senado desde 1995 e buscava o quinto mandato consecutivo. Ao longo desse período, presidiu a Casa em diferentes momentos. Com a derrota, deixa o Congresso ao fim do atual mandato.

No Amapá, Randolfe Rodrigues (PT) também não conseguiu a reeleição. Atual líder do governo no Congresso, ele terminou em terceiro lugar, com 18,55% dos votos válidos. Rayssa Furlan (Podemos), com 29,98%, e Lucas Barreto (PSD), com 24,22%, conquistaram as vagas.

Randolfe chegou ao Senado em 2011 e cumpriu dois mandatos consecutivos.

Outro senador que ficou de fora foi Ciro Nogueira (PP), no Piauí. Presidente nacional do PP e integrante do Senado desde 2011, ele terminou em terceiro lugar, com 24,67% dos votos. Marcelo Castro (MDB), com 35,61%, e Júlio César (PSD), com 26,96%, foram eleitos.

A derrota tira do Senado um dos principais dirigentes do PP e ex-ministro da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro.

No Paraná, Gleisi Hoffmann (PT) não conseguiu retornar ao Senado, onde cumpriu mandato entre 2011 e 2019. A deputada federal e ex-presidente nacional do PT ficou em quarto lugar. As duas vagas foram conquistadas por Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo).

Gleisi deixou a Secretaria de Relações Institucionais do governo Lula em 2026 para disputar a eleição.

No Rio Grande do Sul, Manuela D’Ávila (PSOL) e Paulo Pimenta (PT) também ficaram fora. Manuela terminou em terceiro lugar, com 17,07% dos votos, e Pimenta veio na sequência, com 16,31%.

As vagas ficaram com Sanderson (PL) e Marcel van Hattem (Novo). Manuela tentava voltar a ocupar um cargo eletivo depois de ter deixado a Câmara dos Deputados, enquanto Pimenta buscava uma cadeira no Senado após sucessivos mandatos como deputado federal e passagem pelo governo Lula.

No Rio de Janeiro, Benedita da Silva (PT) terminou fora das duas vagas, que ficaram com Carlos Portinho e Carlos Jordy, ambos do PL. A deputada federal já havia ocupado o Senado entre 1995 e 1998 e também foi governadora do Rio.

Marcelo Crivella (Republicanos), ex-prefeito do Rio e ex-senador, também disputou uma das cadeiras e não conseguiu retornar à Casa.

Em Mato Grosso do Sul, Soraya Thronicke (PSB) perdeu a reeleição. Ela terminou em quarto lugar, com cerca de 13% dos votos válidos. Reinaldo Azambuja e Capitão Contar, ambos do PL, conquistaram as duas vagas, com 34,64% e 32,82%, respectivamente.

Soraya havia sido eleita senadora em 2018 e disputou a Presidência da República em 2022. O mandato atual termina em janeiro de 2027.

Em Mato Grosso, Carlos Fávaro (PSD) também não conseguiu permanecer no Senado. As duas cadeiras ficaram com Mauro Mendes (União Brasil) e Zé Medeiros (PL). Fávaro chegou à Casa após vencer uma eleição suplementar em 2020 e posteriormente integrou o governo Lula como ministro da Agricultura.

Em Santa Catarina, Esperidião Amin (PP) perdeu a tentativa de renovar o mandato. O ex-governador terminou fora das duas vagas conquistadas por Carol de Toni e Carlos Bolsonaro, ambos do PL. Amin está no Senado desde 2019 e já havia ocupado a Casa entre 1991 e 1999.

No Amazonas, Wilson Lima (União Brasil) também tentou chegar ao Senado e não se elegeu. O ex-governador deixou o Executivo estadual para disputar uma das duas cadeiras.

Outros nomes conhecidos ficaram pelo caminho na disputa pela Casa. Roseana Sarney (MDB), ex-governadora do Maranhão e atual deputada federal, tentou retornar ao Senado, onde já exerceu mandato, mas não conquistou uma das vagas.

No Acre, Jorge Viana (PT) também não conseguiu voltar à Casa. Ex-governador e ex-senador, Viana tentava recuperar um mandato no Congresso após ter deixado o Senado em 2019.

Em Goiás, Vanderlan Cardoso (PSD) não conseguiu renovar o mandato iniciado em 2019. Ele disputava uma das duas cadeiras do estado.

Haddad, Ciro e ACM Neto perdem disputas estaduais

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As eleições para governador também deixaram fora nomes que já ocuparam governos estaduais, ministérios ou outros cargos de projeção nacional.

Em São Paulo, Fernando Haddad (PT) foi derrotado pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que conseguiu a reeleição no primeiro turno. Tarcísio recebeu 62,65% dos votos válidos, contra 36,42% de Haddad.

Ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro da Fazenda e da Educação, Haddad havia disputado a Presidência da República em 2018 e o governo paulista em 2022.

No Ceará, Ciro Gomes (PSDB) tentou retornar ao governo estadual, cargo que exerceu entre 1991 e 1994, mas perdeu para Elmano de Freitas (PT), reeleito no primeiro turno.

Elmano recebeu 53,19% dos votos válidos, ante 46,22% de Ciro. O ex-governador também foi ministro, deputado federal e candidato à Presidência da República em quatro eleições.

Em Alagoas, Renan Filho (MDB) perdeu a disputa pelo governo para JHC (PSDB). Renan Filho governou o estado entre 2015 e 2022, deixou o cargo para concorrer ao Senado e depois assumiu o Ministério dos Transportes no governo Lula.

O resultado fez com que pai e filho terminassem derrotados no mesmo estado: enquanto Renan Filho não conseguiu retornar ao governo, Renan Calheiros ficou fora das duas vagas para o Senado.

Na Bahia, ACM Neto (União Brasil) voltou a ficar fora do governo estadual. Jerônimo Rodrigues (PT) foi reeleito no primeiro turno, com 55,41% dos votos válidos, contra 44,11% do ex-prefeito de Salvador.

ACM Neto também disputou o governo baiano em 2022, quando foi derrotado por Jerônimo no segundo turno.

Em Minas Gerais, Mateus Simões (PSD) não conseguiu permanecer no comando do estado. Ele assumiu o governo após a saída de Romeu Zema e concorreu à sucessão estadual, mas ficou em quarto lugar, com 4,65% dos votos válidos, atrás de Cleitinho Azevedo (Republicanos), Patrus Ananias (PT) e Flávio Roscoe (PL).

Cleitinho recebeu cerca de 55,4% dos votos válidos e garantiu a vitória sem necessidade de segundo turno.

Dirceu, Delúbio e Cunha tentam voltar à Câmara

As urnas também frustraram tentativas de retorno à Câmara dos Deputados e deixaram atuais parlamentares sem a reeleição.

José Dirceu (PT) voltou a disputar uma eleição depois de décadas e concorreu a deputado federal por São Paulo. Ex-ministro da Casa Civil e ex-presidente nacional do PT, ele recebeu 78.449 votos e não conseguiu uma cadeira, ficando na suplência da federação Brasil da Esperança.

Dirceu exerceu mandato de deputado federal antes de assumir a Casa Civil no primeiro governo Lula.

Em Goiás, Delúbio Soares (PT) também tentou chegar à Câmara, mas não se elegeu. Ex-tesoureiro nacional do PT, ele voltou às urnas para disputar uma vaga de deputado federal.

Em Minas Gerais, Eduardo Cunha (Republicanos) tentou retornar à Câmara pela segunda eleição consecutiva, mas não conseguiu. O ex-presidente da Casa recebeu pouco mais de 32 mil votos.

A situação de Cunha ainda envolve uma disputa judicial. O Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) indeferiu o registro de sua candidatura por entender que sua inelegibilidade vai até fevereiro de 2027. No sistema eleitoral, os votos aparecem como anulados sub judice e podem ser validados caso ele consiga reverter a decisão.

Cunha presidiu a Câmara entre 2015 e 2016 e teve o mandato cassado em setembro de 2016.

Deputados conhecidos também ficam fora

Entre os atuais deputados que tentavam permanecer na Câmara, Rui Falcão (PT) e Paulo Teixeira (PT) não conseguiram a reeleição por São Paulo.

Falcão, ex-presidente nacional do PT, recebeu pouco mais de 100 mil votos e ficou na suplência da federação Brasil da Esperança. Paulo Teixeira, ex-ministro do Desenvolvimento Agrário e também deputado federal, terminou a disputa sem uma das cadeiras.

Vicentinho (PT), que já exerceu vários mandatos na Câmara e tentava retornar à Casa, também não conseguiu se eleger.

Os três se somam a José Dirceu entre os nomes historicamente ligados ao PT que ficaram fora da bancada paulista na Câmara nesta eleição.

PL amplia bancadas no Congresso

O resultado das eleições também ampliou o espaço do PL no Congresso. O partido terá a maior bancada do Senado e, pela projeção atual, também da Câmara dos Deputados a partir de 2027.

No Senado, o PL elegeu 19 dos 54 parlamentares eleitos neste domingo (4). Somados aos nove senadores com mandato até 2031, o partido passa de 15 para 28 cadeiras. A bancada pode chegar a 29 com a posse de Alex Diniz (PL), suplente de Cleitinho, eleito governador de Minas Gerais.

Parte desse avanço ocorreu justamente em disputas que deixaram nomes conhecidos fora da Casa. No Rio de Janeiro e em Santa Catarina, por exemplo, o PL conquistou as duas vagas em disputa. Em outros estados, como São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e Rio Grande do Sul, candidatos do partido também ficaram com uma das cadeiras disputadas por nomes como Simone Tebet, Marina Silva, Aécio Neves, Carlos Fávaro, Soraya Thronicke, Gleisi Hoffmann, Manuela D’Ávila e Paulo Pimenta.

Na Câmara, a projeção é de 121 deputados do PL, 22 a mais do que os 99 eleitos pelo partido em 2022. O número ainda depende da conclusão da apuração e da distribuição das vagas pelo quociente eleitoral e pelas sobras.

Somadas as duas Casas, o PL projeta 149 parlamentares entre deputados e senadores. O resultado coloca a legenda como a principal força partidária do novo Congresso em número de cadeiras.

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