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Desgaste da política tradicional e polarização marcam disputa presidencial de 2026, afirma cientista político
Publicado 05/10/2026 • 14:00 | Atualizado há 45 minutos
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Publicado 05/10/2026 • 14:00 | Atualizado há 45 minutos
KEY POINTS
O avanço da direita nas eleições de 2026, com o fortalecimento do grupo no Congresso e nos governos estaduais, redesenha o cenário político para 2027 e amplia os desafios de articulação para o próximo governo. Na avaliação do cientista político Leandro Consentino, do Observatório da Política do Insper, o resultado representa uma mudança relevante no equilíbrio de forças desde a redemocratização.
O cientista político, porém, considera preocupante a falta de clareza sobre quais reformas e medidas o candidato vencedor pretende implementar. Na avaliação dele, a ausência de uma discussão mais aprofundada sobre propostas pode deixar o eleitor sem informações suficientes sobre a agenda do próximo governo.
Consentino avalia que a campanha do segundo turno tende a repetir a dinâmica observada na primeira etapa, com pouca discussão técnica e maior foco em ataques entre os candidatos. A margem apertada entre os dois primeiros colocados, segundo ele, pode fazer com que ambos evitem debates e sabatinas para reduzir o risco de erros.
Congresso e governadores
Além da composição do Congresso, o papel dos governadores eleitos será um dos pontos de atenção para os próximos quatro anos. Leandro afirma que será necessário observar como essas lideranças ocuparão o espaço político conquistado e quais alianças serão formadas no Legislativo.
Sobre os últimos meses de 2026, Consentino considera que o ritmo de votações no Congresso dependerá diretamente do resultado do segundo turno. Caso Flávio Bolsonaro confirme a vitória, ele espera uma transição de governo e menor disposição da atual legislatura para aprovar pautas do governo que deixará o poder.
Segundo turno
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Siga o Times | CNBCNa disputa presidencial, o cientista político considera que a vantagem inicial favorece Flávio Bolsonaro. Na avaliação dele, o candidato tende a adotar uma postura mais defensiva, enquanto Lula terá de buscar votos entre eleitores que não participaram do primeiro turno e entre candidatos derrotados que possuem maior proximidade ideológica com a direita. “Lula vai ter um desafio, talvez o maior desafio que já teve na sua carreira política, para essa virada”, disse.
Leandro considera que uma eventual vitória de Lula produziria um cenário de elevada dificuldade de governabilidade. O presidente teria de lidar com um Congresso mais alinhado à direita e, segundo o cientista político, com um quadro fiscal difícil para 2027.
Já um eventual governo de Flávio Bolsonaro teria maior facilidade para aprovar medidas no Congresso, mas também enfrentaria desafios. Consentino afirma que a falta de discussão sobre propostas durante a campanha poderia dificultar a comunicação de medidas impopulares à sociedade.
Cansaço com a política tradicional
Para Consentino, o resultado eleitoral também reflete uma combinação entre polarização e desgaste da política tradicional. Ele afirma que candidatos que tentam se posicionar fora dos dois polos ideológicos enfrentam dificuldades crescentes para conquistar espaço eleitoral.
Na avaliação do cientista político, episódios como as crises envolvendo o Banco Master e o INSS podem ter reforçado o sentimento de insatisfação com a política tradicional. Ele compara o efeito desse desgaste ao papel desempenhado pela Operação Lava Jato nas eleições de 2018.
Para o cientista político, a força conquistada pela direita no primeiro turno ainda precisará ser testada nos próximos anos. Caso o campo confirme a vitória presidencial, a capacidade de transformar a maioria política em uma agenda de governo será um dos principais desafios até 2030.
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