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EXCLUSIVO: Estudo aponta que primeiro indicador de endividamento das famílias é o corte de gastos, não a busca por crédito extra; veja
Publicado 24/08/2026 • 12:00 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 24/08/2026 • 12:00 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Foto: Freepik
Estudo do IBEVAR/FIA mostra que endividamento das famílias brasileiras começa semanas antes pelo corte de gastos, não pelo crédito.
Um levantamento baseado em 272 semanas de dados do Google Trends derruba um dos mitos mais repetidos sobre o endividamento das famílias brasileiras. Conduzido pelo IBEVAR em parceria com a FIA Business School, o estudo aponta que o crédito não abre a crise financeira doméstica. Ele fecha o ciclo, depois que outras saídas já foram esgotadas.
Assim, a pesquisa mapeou o comportamento de busca em quatro frentes. São elas o crédito emergencial e a renegociação de dívidas, o corte de gastos, a geração de renda extra e a verbalização de aflição financeira, com termos como “como sair das dívidas” e “não tenho dinheiro para”.
O cruzamento dessas frentes, ao longo de mais de cinco anos, permitiu identificar o ponto em que o ajuste doméstico deixa de dar conta do aperto.
Leia também: Pesquisa revela endividamento e ansiedade financeira em 95% dos trabalhadores no Brasil
Até aqui, a leitura corrente sobre o consumidor brasileiro partia de uma premissa simples. Diante do primeiro sinal de aperto, ele recorreria ao cartão ou ao empréstimo para tapar o buraco no orçamento. O crédito, nessa leitura, funcionaria como gatilho da crise.
Porém os dados do IBEVAR e da FIA Business School apontam outro caminho. Antes de bater à porta do banco, a família percorre uma sequência de ajustes dentro de casa, e o pedido de dinheiro só aparece depois que essa sequência se esgota.
O primeiro movimento identificado pelo estudo é o corte de assinaturas, planos e mensalidades. Cancelar a internet, a academia ou um serviço de streaming aparece como o sinal mais precoce de aperto no orçamento.
Segundo o modelo estatístico da pesquisa, esse ajuste de gastos responde isoladamente por 39,4% de tudo que o estudo consegue explicar sobre a aflição financeira das famílias. É o fator com maior peso isolado entre os quatro mapeados.
Depois do corte, entra em cena a busca por complemento de renda. Termos como “abrir MEI” e “renda extra” sobem quase no mesmo instante em que as buscas por corte de gastos aumentam.
A correlação entre os dois comportamentos chega a 0,97, uma relação próxima de um para um. Essa força se mantém por até seis semanas, no que a pesquisa chama de elo mais forte de toda a cadeia.
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Siga o Times | CNBCEsgotadas as saídas informais, a família passa a verbalizar a crise de forma aberta. É nesse momento que disparam termos como “como sair das dívidas“, “orçamento apertado” e “não tenho dinheiro para“.
A busca por renda extra antecede esse pico de aflição de forma consistente, com coeficiente próximo de 0,70. Para os pesquisadores, esse vínculo sinaliza o instante em que o limite do ajuste doméstico é rompido.
O dado mais contraintuitivo do levantamento diz respeito ao crédito. A busca por empréstimo, antecipação de FGTS ou renegociação de dívidas não antecipa a crise. Ela reage a uma crise já instalada.
Na semana do pico de aflição, a associação entre angústia financeira e busca por crédito fica em 0,66. Seis semanas depois, o coeficiente sobe para 1,14, quase o dobro. Quanto mais tempo passa desde o auge do desespero, mais forte fica a busca por dinheiro emprestado.
Uma técnica chamada Decomposição de Shapley foi usada para separar o peso de cada fator na explicação da crise. Nela, o corte de gastos aparece com 21,2% de responsabilidade isolada, a renda extra com 17,8% e o crédito emergencial com 14,7%. Os outros 46,3% ficam fora do que o modelo consegue capturar.
“Os números mostram um consumidor mais racional e resiliente do que o senso comum sugere. A dívida não é a primeira escolha, é o último recurso, acionado só depois que as alternativas de ajuste e renda se esgotam”, afirma Claudio Felisoni de Angelo, presidente do IBEVAR – FIA Business School.
Para os autores do estudo, a conclusão pesa sobre o desenho de políticas de educação financeira e de crédito preventivo.
Mirar apenas quem já busca empréstimo significa chegar depois que o processo de endividamento já avançou.
O sinal de alerta real acende semanas antes, no corte de gastos dentro de casa. É ali, segundo o levantamento, que a crise financeira das famílias brasileiras começa a aparecer, antes mesmo de virar estatística de inadimplência nos bancos.
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