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EXCLUSIVO: A uma semana do 2º turno, dólar e petróleo guiam os juros futuros; pesquisas ficam sem efeito, mostra estudo

Publicado 19/10/2026 • 11:30 | Atualizado há 49 minutos

KEY POINTS

  • Dólar e petróleo guiam os juros futuros e, com o 1º turno e a inércia, explicam 78% das oscilações diárias, mostra estudo
  • Cada 1% de alta do dólar eleva o DI de janeiro de 2029 em 13,4 pontos-base, e cada 1% do Brent soma 1,5 ponto-base
  • Pesquisas de 2º turno não tiveram efeito detectável sobre os juros, e as urnas explicam 51 pontos-base da queda de 5 de outubro
juros Ilustração de painel financeiro com números em verde, gráficos de ações e linha ascendente representando a valorização da Bolsa.

Mercado financeiro acompanha a recuperação do Ibovespa nesta sexta-feira (16), após três sessões consecutivas de queda.

A uma semana do segundo turno, o dólar e o petróleo guiam os juros futuros, enquanto as pesquisas eleitorais ficaram sem efeito detectável sobre a curva, segundo um estudo do IBEVAR – FIA Business School com 94 pregões analisados.

O levantamento, obtido com exclusividade pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC e intitulado “Das urnas ao preço do dinheiro”, aplica modelos econométricos aos contratos DI (Depósitos Interfinanceiros), negociados na Bolsa, que indicam quanto o mercado espera que a taxa básica de juros, a Selic, valha nos próximos meses e anos. O recorte vai de segunda-feira (1º de junho) a sexta-feira (16 de outubro) e cobre o contrato com vencimento em janeiro de 2029.

Além disso, os pesquisadores buscaram separar o ruído eleitoral do fundamento econômico e testaram se a vantagem de Flávio Bolsonaro, senador do PL, sobre Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República, nas pesquisas de segundo turno alterou o preço do dinheiro no mercado.

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Quatro fatores explicam 78% das oscilações dos juros

Para isolar o ruído eleitoral, o modelo controla as variáveis de maior impacto e analisa o que sobra, chamado pelos autores de prêmio de risco residual. Esse resíduo é o valor adicional que os investidores exigem exclusivamente pelas dúvidas sobre o futuro plano econômico dos candidatos.

A equação reúne o dólar, o petróleo Brent, uma variável para o pregão seguinte ao primeiro turno e a variação do próprio DI no dia anterior. Juntos, os quatro fatores explicam 78% das oscilações diárias do contrato, com R² de 78,5%, e todos os coeficientes têm significância estatística de 1%.

Dólar pesa 13,4 pontos-base nos juros e petróleo soma 1,5

Entre os quatro fatores, o dólar é o de maior peso isolado. Cada 1% de alta da moeda americana eleva o DI para janeiro de 2029 em 13,4 pontos-base, ou 0,13 ponto percentual, de acordo com o estudo.

🔍 Ponto-base (pb) é a unidade usada pelo mercado para medir variações de juros. Um ponto-base equivale a 0,01 ponto percentual, e 100 pontos-base correspondem a 1 ponto percentual.

Em seguida vem o petróleo Brent, com efeito de 1,5 ponto-base para cada 1% de alta. A terceira variável é a inércia, já que cerca de 13% do movimento do dia anterior se repete no pregão seguinte.

Já a constante da equação, de 1,1 ponto-base de queda diária sem nenhum choque, não tem relevância estatística, segundo os pesquisadores.

Pesquisas de segundo turno ficam sem efeito direto nos juros

A vantagem de Flávio Bolsonaro nas pesquisas de segundo turno não apresentou efeito detectável sobre os juros futuros, mesmo testada de várias formas. Os autores ressalvam que isso não prova que as pesquisas deixam de importar e apontam duas explicações possíveis.

A primeira é que o mercado antecipa a tendência, que pode ter sido precificada antes da divulgação formal dos números. A segunda é que o câmbio já carrega parte da reação, embutida nas oscilações do dólar, que por sua vez afetam os juros. O canal de transmissão, portanto, é indireto.

A pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (19) mostra Flávio com 50,3% e Lula com 49,7% dos votos válidos, a seis dias do segundo turno, marcado para domingo (25).

Urnas explicam 51 pontos-base da queda dos juros após o 1º turno

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O primeiro turno, no domingo (4), terminou com Flávio Bolsonaro em 47,0% e Lula em 45,2%. No pregão de segunda-feira (5), o DI para janeiro de 2029 caiu 116 pontos-base, o dólar recuou 4,4% e o Ibovespa, principal índice da Bolsa, subiu 7,7%.

Pelos cálculos do estudo, a queda do dólar responde por cerca de 59 pontos-base da redução. Outros cerca de 51 pontos-base ficaram sem explicação nos fatores econômicos e foram atribuídos pelos pesquisadores ao resultado da votação. Somadas, as duas parcelas chegam a cerca de 110 dos 116 pontos-base.

Na equação, o pregão de segunda-feira (5) entra como variável própria, de modo que o coeficiente de 51,4 pontos-base reúne o que dólar, petróleo e inércia não explicam naquele dia.

“Dólar manda nos juros; urnas deixam marca”, resume Claudio Felisoni de Angelo.

Juros futuros sobem 50 pontos-base entre 13 e 16 de outubro

Depois da queda, o DI voltou a subir. O estudo registra alta de 50 pontos-base entre terça-feira (13) e sexta-feira (16).

A linha do tempo do trabalho lista, nesse intervalo, o empate técnico nas pesquisas, a proposta de emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6×1 e um pacote pró-consumo, sem mensurar a contribuição de cada evento.

Curva de juros passou por nove momentos-chave desde junho

Antes do período eleitoral, a curva já se movia por fatores externos. No início de junho, o DI subiu 99 pontos-base com a precificação do fim dos cortes da Selic, o payroll dos Estados Unidos e o petróleo, sem tema eleitoral. Na quinta-feira (11 de junho), caiu 41 pontos-base depois que Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, cancelou ataques ao Irã e falou em acordo.

Entre junho e julho, a queda do Brent levou a um recuo de 90 pontos-base, com a volta da aposta de corte da Selic. O primeiro choque eleitoral veio na quarta-feira (1º de julho), com alta de 19 pontos-base, após reportagem sobre Flávio Bolsonaro e pesquisa Atlas em que Lula aparecia com 48% e o adversário, com 42%.

Ainda em julho, o bloqueio de Ormuz e a alta do Brent empurraram o DI 61 pontos-base para cima. Em agosto e setembro, o chamado “trade eleitoral” virou tese estrutural, com empate nas pesquisas e dados do PIB, e a taxa recuou 48 pontos-base.

Por fim, na quarta-feira (9 de setembro), o DI avançou 15 pontos-base, com o petróleo Brent em alta e um subsídio a combustíveis lido pelo mercado como eleitoral.

Juros futuros afetam crédito, renda fixa e empresas

A Selic define o custo do dinheiro hoje, enquanto os contratos DI mostram para onde o mercado espera que a taxa vá. Financiamentos imobiliários e empréstimos longos são precificados pelos juros futuros, e os títulos Tesouro Prefixado e IPCA+ oscilam conforme essas taxas sobem ou caem.

Quando os juros futuros sobem, o mercado projeta inflação mais alta, piora nas contas públicas ou maior risco fiscal, o que encarece o crédito, desacelera o consumo e reduz o valor dos títulos de renda fixa no curto prazo.

Quando caem, os financiamentos ficam mais baratos, o crédito ganha fôlego, a Bolsa atrai capital e a renda fixa se valoriza na marcação a mercado. As empresas usam a curva para travar custos de dívidas e planejar investimentos.

Assinam o estudo Claudio Felisoni de Angelo, presidente do IBEVAR e professor da FIA Business School, os professores Nuno Manoel Martins Dias Fouto e Marcelo Felippe Figueira Jr., além de Cesar Canassa e Arthur Siqueira Ferrari.

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