Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no
Franquias: práticas ilegais podem levar à perda da marca e responsabilização criminal, alerta especialista
Publicado 07/10/2025 • 07:30 | Atualizado há 3 meses
Trump vai perdoar ex-governadora de Porto Rico em caso de financiamento de campanha, diz autoridade
Google recorre de decisão que declarou monopólio ilegal em buscas nos EUA
Geopolítica agora define também as estratégias da segurança cibernética; entenda
Trump ameaça impor novas tarifas para pressionar negociação sobre a Groenlândia
Dono do Los Angeles Rams se torna o maior proprietário privado de terras dos EUA
Publicado 07/10/2025 • 07:30 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
Unsplash
A Operação Spare, deflagrada pela Receita Federal e pelo Ministério Público de São Paulo no fim de setembro, trouxe à tona um tema sensível no setor de franquias: o que acontece quando o franqueado é investigado por práticas ilegais. A operação identificou indícios de lavagem de dinheiro ligados a um empresário dono de mais de 100 lojas da marca O Boticário, em conexão com Flávio Silvério Siqueira, apontado como operador financeiro do PCC (Primeiro Comando da Capital).
O grupo O Boticário afirmou à época que não tem relação com o caso, ressaltando que mantém políticas rígidas de prevenção à lavagem de dinheiro e anticorrupção, bem como cláusulas contratuais que exigem cumprimento irrestrito da legalidade. “O Grupo Boticário não tinha conhecimento e tampouco tem responsabilidade sobre as ações ilícitas denunciadas na Operação Spare”, destacou a empresa em nota.
Segundo a investigação, o franqueado Maurício Soares de Oliveira teria utilizado a estrutura de suas lojas para movimentações suspeitas. As autoridades apontam ainda que Oliveira mantém proximidade com familiares de Silvério, o que teria facilitado operações financeiras de origem ilícita. A defesa de Silvério, por sua vez, classificou as acusações como “absurdas” e “sem fundamento”.
Leia mais:
Grupo Boticário se posiciona após citação de franqueado em operação da Receita contra PCC
Operação Spare: Haddad anuncia criação de delegacia especializada em fraudes financeiras

Para entender as consequências jurídicas em casos como esse, o Times Brasil | Licenciado Exclusivo CNBC ouviu o advogado Marco Antônio C. Allegro, especialista em Direito Empresarial e Franquias, que detalhou os possíveis desdobramentos para franqueados envolvidos em investigações criminais.
De acordo com Allegro, o franqueado pode perder o direito de uso da marca assim que for constatada a prática de atividade ilícita.
“Os contratos de franquia normalmente preveem rescisão imediata quando há uso da marca em atividades ilegais, como lavagem de dinheiro. Nesses casos, a franqueadora pode suspender o contrato, exigir a devolução de manuais, sistemas e identidade visual, e o franqueado não tem direito a indenização”, explica.
O especialista afirma que a Lei nº 13.966/2019, que rege o sistema de franquias no Brasil, protege a franqueadora nesses casos, permitindo que ela rompa o vínculo unilateralmente para preservar sua reputação.
A indenização ao franqueado só ocorre se houver abuso comprovado da franqueadora, o que não se aplica a práticas ilícitas.
“Quando o rompimento decorre de infração contratual do franqueado, a franqueadora não tem obrigação de indenizar. Pelo contrário: pode acionar judicialmente o franqueado por danos de imagem e prejuízos financeiros”, diz Allegro.
O advogado destaca que, em casos como o da Operação Spare, a responsabilidade é pessoal do empresário. “A marca, no máximo, é afetada reputacionalmente. Mas quem responde civil e criminalmente é o franqueado, não a franqueadora, a menos que fique comprovada omissão grave ou conivência”, afirma.
Allegro explica que as franqueadoras modernas adotam cláusulas de compliance e integridade, inspiradas em legislações internacionais como o UK Bribery Act e a Lei Anticorrupção brasileira.
Entre as mais comuns, estão:
“Essas cláusulas funcionam como um escudo jurídico. Elas demonstram que a franqueadora não só repudia práticas ilícitas, como também atua preventivamente”, diz Allegro.
Além dos contratos, o advogado destaca que a seleção criteriosa de franqueados é essencial para evitar riscos futuros.
“A franqueadora precisa realizar due diligence, verificando a origem dos recursos, o histórico do candidato e a capacidade financeira. Também é importante realizar entrevistas, treinamentos e auditorias regulares”, explica.
Segundo Allegro, esse tipo de acompanhamento reduz as chances de que recursos ilícitos entrem no sistema, protegendo a rede como um todo.
O franqueado envolvido em crimes pode sofrer bloqueio de bens, perda da franquia, processos por lavagem de dinheiro e associação criminosa, e até proibição de atuar no mercado.
“Em casos assim, o empresário perde não só o investimento, mas a credibilidade. O setor de franquias depende de confiança e reputação — e qualquer indício de irregularidade é fatal”, resume Allegro.
Procurado novamente pelo Times Brasil | Licenciado Exclusivo CNBC para comentar os desdobramentos da Operação Spare e o andamento do caso, o Grupo O Boticário não respondeu até o fechamento desta reportagem.
🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais
🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562
🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube
🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings
Mais lidas
1
Trading controlada por grupo russo “some do mapa” e demite 344 no Brasil
2
Flamengo: por que o clube ficou fora da Copinha 2026?
3
IPVA Rio de Janeiro 2026: veja datas de pagamento, descontos e como emitir o boleto
4
Banco Master: PGR investiga fraude em fundo que investiu R$ 300 milhões no Atlético-MG
5
CSN prepara venda de ativos para desalavancar até R$ 18 bilhões em 2026