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Henrique Meirelles: “Juros foram mais decisivos que o tarifaço para a desaceleração do PIB”
Publicado 03/03/2026 • 19:24 | Atualizado há 8 meses
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Publicado 03/03/2026 • 19:24 | Atualizado há 8 meses
KEY POINTS
O crescimento de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, divulgado pelo IBGE, confirmou a desaceleração frente aos 3,4% de 2024, mas manteve o país no quinto ano consecutivo de expansão, com a economia alcançando R$ 12,7 trilhões em valores correntes. Para o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles, o resultado está dentro de uma trajetória consistente, embora abaixo do ritmo anterior. “Existe um fator muito importante, que é exatamente a subida da taxa de juros promovida pelo Banco Central”, afirmou, em entrevista nesta terça-feira (3) ao Fast Money, programa do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
Ao comentar a influência do tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Meirelles ponderou que o impacto foi secundário. “O tarifaço teve uma certa influência, mas foi pequena”, disse. Segundo ele, o crescimento acima de 3% nos anos anteriores estava um pouco além do chamado potencial da economia brasileira. “Esse crescimento acima de 3% é um pouquinho acima do potencial de crescimento brasileiro”, explicou.
Na avaliação do ex-ministro, o principal vetor da desaceleração foi interno. “O aumento das despesas fiscais estava gerando inflação também, e o Banco Central, com isso, subiu a taxa de juros e o crescimento caiu um pouco”, afirmou. Para ele, não há dúvida de que “esse fator, que é juros, foi mais importante do que o tarifaço do Trump, que também influenciou”.
Leia também: Calendário econômico: PIB no Brasil e mercado de trabalho nos EUA no radar da primeira semana de março
Ao comparar o desempenho brasileiro com o de economias emergentes como China e Índia, Meirelles destacou fatores estruturais e demográficos. “Isso é um fator de longo prazo, não é uma coisa do ano passado ou do ano anterior”, disse. Segundo ele, ambos os países vêm crescendo a taxas superiores à média mundial há décadas.
“A China e a Índia têm populações de mais de um bilhão de habitantes, que estão cada vez mais entrando no mercado de trabalho”, afirmou. Ele lembrou que, durante anos, a China cresceu impulsionada por exportações. “Era uma mão de obra barata, muito numerosa, com uma disciplina de trabalho muito forte”, relatou, acrescentando que visitou fábricas no país que operavam “12 horas por dia, seis dias por semana”.
De acordo com Meirelles, esse modelo permitiu ao país produzir a custos mais baixos que economias como os Estados Unidos. “A China exportava fortemente porque conseguia produzir mais barato”, disse. Mais recentemente, porém, houve mudança de estratégia. “O consumo doméstico começou a crescer e a China teve que produzir também para o mercado interno”, explicou.
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Sobre o confronto envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã e a possibilidade de restrições no Estreito de Hormuz, Meirelles alertou para o impacto sobre a oferta de petróleo. “Ali passa cerca de 20% da produção mundial”, afirmou. Segundo ele, qualquer bloqueio ou ataque a navios na região pode reduzir o fluxo global de energia.
“Na medida em que começam a haver restrições, as empresas tendem a diminuir a produção”, disse. Para o ex-ministro, isso pode levar a “uma certa contração da economia mundial e queda da taxa de crescimento”. Ele ponderou que o presidente Donald Trump projeta um desfecho rápido, mas ressaltou que a duração do conflito é incerta. “Pode se estender por um mês, mas evidentemente não se sabe”, avaliou.
Meirelles também comentou a sucessão no Irã após a morte do líder supremo Ali Khamenei, aos 86 anos. “A discussão e o planejamento da sucessão já estavam em andamento”, afirmou, destacando que o regime mostrou solidez maior do que o esperado. “Nada disso levou a uma ruptura. O regime se provou mais sólido do que se imaginava”, disse.
Para ele, o impacto imediato dependerá da duração dos combates. “Se houver restrições prolongadas no estreito, isso pressiona petróleo, frete e pode gerar inflação global”, concluiu, ressaltando que o Brasil, como parte da economia mundial, também pode sentir os reflexos caso o conflito se prolongue.
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