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Em depoimento à PF, ex-presidente da Americanas nega ter conhecimento de fraude de R$ 25 bilhões

Publicado 22/10/2026 • 09:39 | Atualizado há 43 minutos

KEY POINTS

  • Miguel Gutierrez negou envolvimento na fraude de R$ 25 bilhões da Americanas durante depoimento à Polícia Federal.
  • Ex-presidente afirmou que Carlos Alberto Sicupira acompanhava decisões importantes da companhia e tinha contato com a área financeira.
  • A Americanas contestou as declarações e afirmou que as investigações apontam uma fraude estruturada pela antiga administração.

Divulgação

A Americanas revelou inconsistências contábeis em janeiro de 2023, dando início às investigações que levaram à denúncia contra 12 ex-executivos da companhia.

O ex-presidente da Americanas Miguel Gutierrez negou à Polícia Federal (PF) ter conhecimento da fraude contábil de R$ 25 bilhões descoberta na companhia em 2023. Em depoimento prestado por videoconferência no dia 15 de outubro, o executivo contestou as acusações contra ele e afirmou que Carlos Alberto Sicupira, um dos principais acionistas da varejista, tinha conhecimento de assuntos relevantes da empresa.

Gutierrez, que comandou a Americanas por cerca de 20 anos, está entre os 12 ex-diretores que se tornaram réus no processo. Ele é acusado de associação criminosa, manipulação de balanços e uso de informações privilegiadas na negociação de ações, prática conhecida como insider trading. O ex-presidente vive em Madri, na Espanha, desde 2023.

Ex-presidente cita atuação de Sicupira

Durante o depoimento, Gutierrez afirmou que Sicupira participava das decisões estratégicas da companhia e mantinha contato com executivos da área financeira. Segundo ele, o acionista acompanhava os principais acontecimentos da varejista, embora não pudesse garantir que tivesse conhecimento de todas as operações.

De acordo com o Valor Econômico, o ex-presidente também negou ter recebido ordens para cometer irregularidades. A defesa dos acionistas, por sua vez, contestou suas declarações e afirmou que as investigações da PF, do Ministério Público Federal (MPF) e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) apontam sua participação na articulação da fraude.

Leia também: Americanas anuncia fim do processo de recuperação judicial

Operações financeiras estão no centro do caso

Uma das principais irregularidades investigadas envolve operações de risco sacado, modalidade em que bancos antecipam pagamentos a fornecedores e posteriormente recebem os valores da empresa compradora.

Segundo as investigações, a Americanas deixou de registrar parte dessas operações como dívidas financeiras, o que distorceu seus balanços. Gutierrez afirmou que a prática de antecipar pagamentos existia na companhia desde 2000 e não era desconhecida da administração.

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O executivo também mencionou que Sérgio Rial, seu sucessor, havia aprovado cerca de R$ 3 bilhões nessas operações quando presidia o Santander. Segundo ele, a Americanas recebeu R$ 50 milhões do banco em 2018 como prêmio de comissão relacionado a essas transações.

Outro ponto investigado é a manipulação de verbas de propaganda cooperada, recursos concedidos por fornecedores para ações comerciais. A PF aponta que documentos conhecidos como “cartas B” teriam sido falsificados para esconder operações financeiras. Gutierrez afirmou que a denominação foi criada em 2010 com aprovação de Sicupira.

Gutierrez nega existência de balanços paralelos

O ex-presidente também rejeitou a acusação de que a Americanas mantinha duas versões de seus balanços: uma com os números reais, utilizada internamente, e outra com informações alteradas, apresentada ao conselho de administração e ao mercado.

Gutierrez declarou que não participava diretamente das negociações bancárias nem das discussões contábeis, atribuindo essas atividades à diretoria financeira. Questionado sobre possíveis responsáveis pelas irregularidades, sugeriu que outros executivos e conselheiros fossem investigados.

Em relação à venda de ações por diretores no segundo semestre de 2022, afirmou que os papéis haviam perdido mais de 80% do valor e que alguns executivos precisaram oferecer garantias adicionais aos bancos. Segundo ele, o conselho tinha conhecimento da situação.

Americanas contesta versão do executivo

A fraude veio a público em janeiro de 2023, após Sérgio Rial assumir a presidência da varejista e identificar inconsistências contábeis inicialmente estimadas em R$ 20 bilhões. Posteriormente, o valor da fraude foi confirmado em aproximadamente R$ 25 bilhões, desencadeando uma crise que levou a companhia à recuperação judicial.

Na segunda-feira, 19 de outubro, a Justiça do Rio de Janeiro encerrou o processo de recuperação judicial da Americanas.

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