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Em novo áudio atribuído a Vorcaro, banqueiro relata reação de PGR a acusações envolvendo propina ao Instituto Lula
Publicado 09/10/2026 • 18:40 | Atualizado há 39 minutos
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Publicado 09/10/2026 • 18:40 | Atualizado há 39 minutos
KEY POINTS
Em mais um áudio atribuído a Daniel Vorcaro no qual o fundador do Banco Master relata a reação que um integrante da Procuradoria-Geral da República (PGR) teria tido ao receber, por meio dos advogados do banqueiro, acusações envolvendo o Instituto Lula e o diretor da entidade, Paulo Okamotto.
Na gravação divulgada nesta sexta-feira (09) pela Revista Veja, a voz atribuída a Vorcaro afirma: “Quando coloquei o Okamotto pra cá, na primeira vez que levei, por meio dos advogados, na PGR, ele falou: ‘pelo amor de Deus, cê não tem nada disso aqui não’”. Em seguida, diz que o argumento apresentado teria sido: “isso aqui foi em dinheiro, não consegue provar você tira tudo”.
Segundo a reportagem, o integrante citado por Vorcaro seria “Ubiratan”, descrito pela revista como auxiliar de Paulo Gonet. A PGR não confirmou esse diálogo.
A divulgação dos áudios provocou manifestações da PF, da PGR, da defesa de Vorcaro e do governo federal. A PGR afirma que Vorcaro não prestou depoimento oral e que as tratativas foram conduzidas por seus advogados; já a PF diz que ele não prestou depoimento com o teor publicado nem entregou à corporação documentos ou anexos com esse conteúdo.
Em nota oficial, a Polícia Federal afirmou que Vorcaro “não prestou depoimento com o teor relatado na matéria” e tampouco entregou à instituição anexos, documentos ou informações com o conteúdo divulgado pela revista.
A corporação informou ainda que as propostas de colaboração premiada apresentadas pela defesa não foram aceitas porque não atenderam aos requisitos legais.
A PF recebeu nesta sexta-feira uma notícia-crime com pedido de providências urgentes para apurar fatos relacionados à publicação. O material foi encaminhado à área técnica para adoção das medidas de polícia judiciária.
A nota não fala sobre a autenticidade do arquivo de áudio divulgado pela Veja.
“A Polícia Federal esclarece, em relação à reportagem intitulada “Vorcaro conta que liberou dinheiro para filme sobre Lula por negócios no governo”, publicada pela revista Veja, nesta sexta-feira (9/10), que Daniel Vorcaro não prestou depoimento com o teor relatado na matéria, tampouco entregou à instituição anexos, documentos ou informações com o conteúdo ali descrito.
As propostas de colaboração premiada que foram apresentadas à PF pela defesa do investigado não foram acolhidas em razão do não atendimento aos requisitos legais, conforme decisão fundamentada de conhecimento da defesa.
Por fim, a Polícia Federal informa que recebeu, nesta sexta-feira (9/10), notícia-crime com pedido de providências urgentes para apuração de fatos relacionados à publicação mencionada. O expediente foi encaminhado à área técnica para adoção das providências de polícia judiciária.”
A Procuradoria-Geral da República também afirmou que não houve depoimento oral de Vorcaro durante as negociações para uma eventual colaboração premiada.
Segundo a PGR, todas as tratativas foram conduzidas pelos advogados do ex-banqueiro, sem interlocução direta entre Vorcaro e representantes da Procuradoria.
“Não houve depoimento oral de Vorcaro, justamente por conta da rejeição da proposta, cujos motivos foram expostos à defesa”, informou o órgão.
A PGR afirmou ainda que as propostas foram recebidas na forma apresentada pelos advogados e que mantém o sigilo previsto em lei sobre o procedimento de colaboração.
“A Procuradoria-Geral da República (PGR) esclarece que as tratativas de colaboração premiada envolvendo Daniel Vorcaro foram sempre mediadas por advogados contratados pelo investigado, como devido.
Todas as propostas formalizadas pela defesa foram recebidas na forma como livremente elaboradas por ela, sem juízo nem recusas prévias. Não houve interlocução direta de Vorcaro com qualquer representante da PGR.
Não houve depoimento oral de Vorcaro, justamente por conta da rejeição da proposta, cujos motivos foram expostos à defesa.
A Procuradoria-Geral da República respeita o sigilo que se impõe, por lei, ao procedimento de colaboração premiada havido.”
A defesa de Vorcaro também contestou a forma como o material foi apresentado.
Os advogados afirmaram que não confirmam o conteúdo divulgado e que não reconhecem sua “origem, autenticidade e integridade”. Também reiteraram que Vorcaro não prestou depoimento à PF ou à PGR durante as tratativas da colaboração.
A posição da defesa acrescenta uma questão ainda não esclarecida sobre o áudio: até o momento, não foram informados publicamente a data exata em que a gravação foi produzida, quem era o interlocutor de Vorcaro nem em quais circunstâncias a conversa teria sido registrada.
“A defesa de Daniel Vorcaro repudia a divulgação de supostos anexos que estariam relacionados a tratativas de colaboração premiada que não foi celebrada.
A defesa não confirma o conteúdo de qualquer material divulgado, cuja origem, autenticidade e integridade não são reconhecidas.
O material preliminar da colaboração foi disponibilizado a um número restrito de autoridades que possuem dever legal de confidencialidade.
A defesa esclarece que Daniel Vorcaro não prestou nenhum depoimento à PF ou à PGR no âmbito das tratativas de colaboração premiada.
A defesa reafirma que Daniel Vorcaro possui informações personalíssimas e relevantes para o caso e segue disponível para contribuir com as autoridades.”
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Siga o Times | CNBCA Advocacia-Geral da União anunciou que solicitará à Veja direito de resposta e retificação da reportagem. A decisão foi tomada após pedidos encaminhados pela Casa Civil e pelo Ministério da Saúde e depois das manifestações da PF e da PGR.
Segundo a AGU, o pedido será baseado na Lei do Direito de Resposta e não impede a adoção de outras medidas legais.
O órgão afirma que as informações divulgadas são contestadas pelas autoridades federais mencionadas na reportagem.
A Casa Civil pediu à AGU providências judiciais e extrajudiciais e questionou, entre outros pontos, a origem e a integridade do áudio, além da forma como as acusações foram apresentadas na reportagem. O documento também solicita análise de possíveis medidas nas esferas cível, criminal e administrativa.
Em relação à reportagem intitulada ‘Primeiras Confissões’, publicada na edição nº 3.016, de 9 de outubro de 2026, da revista Veja, a Advocacia-Geral da União (AGU) informa que solicitará imediatamente à publicação o direito de resposta e a retificação das informações divulgadas, sem prejuízo da adoção de outras medidas legais cabíveis.
A providência será adotada após análise do requerimento encaminhado pela Casa Civil da Presidência da República e pelo Ministério da Saúde, bem como dos esclarecimentos prestados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e pela Polícia Federal (PF).
O pedido tem fundamento no artigo 2º da Lei nº 13.188, de 11 de novembro de 2015, diante da divulgação de informações apontadas como inverídicas e gravemente ofensivas a autoridades federais, conforme exposto no requerimento submetido à AGU.
Cabe destacar que informações divulgadas nesta mesma data por outros veículos de comunicação, atribuídas à própria defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, contradizem o conteúdo da reportagem da Veja, ao indicar que não existe depoimento do investigado com o teor apresentado pela revista. Tal circunstância reforça a necessidade de esclarecimento dos fatos e de correção das informações questionadas.
A AGU reafirma seu compromisso inegociável com a liberdade de imprensa, o direito à informação e o exercício responsável da atividade jornalística. Em especial durante o período eleitoral, a divulgação de informações fidedignas e devidamente verificadas constitui pressuposto essencial para o debate público e para a preservação da integridade do processo democrático.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também acionou a AGU e pediu uma perícia técnica no arquivo divulgado pela revista.
Em ofício enviado nesta sexta-feira, Padilha solicitou uma análise para verificar “veracidade, autenticidade, autoria, higidez técnica e integralidade” da gravação, inclusive para identificar eventuais cortes, edições ou adulterações.
O ministro também pediu direito de resposta e negou ter atuado para beneficiar Vorcaro ou o Banco Master.
A autenticidade e a integridade do áudio ainda não foram confirmadas pelas autoridades citadas. PF e PGR, até o momento, limitaram suas manifestações a esclarecer como ocorreram as tratativas de colaboração e quais materiais foram formalmente recebidos por cada órgão.
Merece repúdio que um suposto depoimento e um áudio com indícios de fraude e manipulação de um criminoso confesso seja usado para tumultuar o processo eleitoral para que seu cúmplice, o candidato Flávio Bolsonaro, seja favorecido na falsa tentativa de legitimar R$ 65 milhões destinados supostamente ao filme em homenagem a um ex-presidente preso por tentativa de golpe de Estado e responsável por centenas de milhares de mortes na pandemia.
Em razão disso, pedi que a Advocacia-Geral da União (AGU) ingresse com as providências judiciais cabíveis para exigir direito de resposta às mentiras apresentadas. Também será solicitada perícia sobre a veracidade, autenticidade e integridade do áudio veiculado, uma vez que a Procuradoria-Geral da República já declarou, publicamente, que não foi realizado nem registrado depoimento oral de Vorcaro sobre esse tema justamente por conta da rejeição da delação por sua completa ausência de provas.
Em nenhuma hipótese e sob nenhum pretexto, jamais agi ou autorizei que outros agissem em defesa dos interesses de Daniel Vorcaro e do Banco Master. O depoimento mentiroso do banqueiro é tão desprovido de qualquer comprovação que a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República atestaram que os relatos trazem apenas informações desencontradas, sem provas e sem confissão de crime. Além de mentiroso, o enredo contado sequer tem sentido cronológico. A peça representa uma tentativa tosca de confundir a sociedade, com o objetivo descarado de minimizar a gravidade do repasse de recursos para a família Bolsonaro, a pretexto de financiar o filme Dark Horse. Assim como tenta reproduzir para o Presidente Lula o esquema operado por Flávio Bolsonaro: o financiamento supostamente direcionado a um filme e a um instituto.
Enquanto fui ministro de Relações Institucionais, fazia parte de minhas atribuições institucionais fazer interlocução com todos os setores da sociedade, inclusive do mercado financeiro e do setor produtivo. E o fiz sempre em absoluto respeito à lei e em defesa do povo brasileiro, como é a orientação do Presidente Lula. Prova desse compromisso é que foi no nosso governo que Vorcaro foi preso e o Banco Master, liquidado. Essa postura de rigor faz cair por terra qualquer acusação falaciosa de que tenha havido envolvimento e repasses de recursos para beneficiar a mim, ao Instituto Lula e ao filme do diretor Oliver Stone, que já rechaçou publicamente ter recebido qualquer tipo de verba de Daniel Vorcaro.
Após as manifestações da PF, da PGR e da defesa de Daniel Vorcaro, a Veja publicou um novo texto em que esclarece como obteve e apresentou o material.
A revista afirmou que não disse que Vorcaro prestou depoimento à Polícia Federal e ressaltou que a reportagem original não atribuiu à corporação o recebimento dos áudios ou documentos divulgados.
Em relação à PGR, a Veja também disse que não afirmou que Vorcaro compareceu pessoalmente à Procuradoria para relatar as acusações. Segundo a publicação, as informações teriam sido apresentadas por seus advogados durante as tratativas de colaboração premiada.
A revista afirmou ainda que os áudios foram obtidos com fontes próximas ao ex-banqueiro que teriam acompanhado as tentativas de negociação de uma colaboração premiada. As identidades dessas fontes foram preservadas.
“A desinformação é uma forma de tirar o foco de fatos importantes quando o contexto da mensagem é de difícil explicação ou comprovação por pessoas citadas. É o caso em questão.
O suposto depoimento de Vorcaro para a PF foi uma invenção da campanha do presidente Lula, uma informação que não consta na reportagem de VEJA, e que foi desmentida pela defesa do banqueiro porque não ocorreu, de fato.
VEJA, da mesma forma, não afirmou que Vorcaro foi pessoalmente falar ‘em primeira pessoa’ com a PGR nem entrou em detalhes sobre a forma como a história envolvendo Lula foi contada aos investigadores pela defesa do banqueiro.
Os relatos sobre tudo isso estão em áudios obtidos por VEJA com fontes próximas ao banqueiro que acompanharam todos os passos desde o início da saga de Vorcaro para conseguir delatar na PGR ou na Polícia Federal – as identidades são preservadas para evitar que essas fontes, já sob forte ameaça, sofram retaliações.”
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