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Empresário citado em áudio sobre passagens de Lulinha acumula R$ 63,4 milhões em contratos com órgãos federais desde 2023
Publicado 27/08/2026 • 11:47 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 27/08/2026 • 11:47 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, citado em investigação da Polícia Federal sobre relações com empresários e possíveis pagamentos de despesas pessoais.
O empresário Marcelo Checon, dono da MChecon Design e Cenografia, foi citado em uma conversa recuperada pela Polícia Federal (PF) sobre o pagamento de passagens aéreas de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A empresa de Checon firmou 13 contratos com órgãos do Executivo federal desde 2023, que somam R$ 63,4 milhões.
Na mensagem, a lobista Roberta Luchsinger relata que havia avisado Lulinha de que não poderia mais pagar suas passagens. O filho do presidente teria respondido que passaria a pedir ajuda aos empresários Cléber Ribas e “Checon”. A identificação do segundo nome, Marcelo Checon, foi feita pelo portal Metrópoles. Não há indicação, no material divulgado, de que Checon tenha efetivamente arcado com essas despesas.
Leia também: Lobista pediu pressão de Lulinha por negócios de interesse do Careca do INSS, diz PF
A MChecon presta serviços de produção de eventos, cenografia e montagem de estruturas para diferentes órgãos do governo federal. Os 13 contratos firmados desde o início do terceiro mandato de Lula somam R$ 63,4 milhões, conforme levantamento do Metrópoles, feito com base em dados do Portal da Transparência.
Antes de 2023, o único contrato federal identificado pela reportagem era de R$ 197 mil, firmado em maio de 2022 com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).
Desde então, a MChecon fechou contratos com órgãos como os ministérios do Desenvolvimento Agrário, do Turismo, da Cultura e do Desenvolvimento e Assistência Social. Também aparecem entre os contratantes o Ministério da Educação, a Fundação Nacional de Artes (Funarte) e a Presidência da República, segundo o Metrópoles.
O Portal da Transparência registra ainda mais de R$ 70 milhões em recursos federais recebidos pela MChecon. Esse valor não corresponde necessariamente aos R$ 63,4 milhões dos 13 contratos firmados desde 2023, porque o dado de recursos recebidos reúne pagamentos registrados na base, e não necessariamente o mesmo conjunto e período dos contratos considerados no levantamento.
Documentos oficiais também mostram contratos recentes da MChecon com a administração federal. Em 2026, por exemplo, a empresa aparece como contratada pelo Ministério do Trabalho e Emprego para prestação de serviços relacionados à realização de eventos.
Entre os trabalhos realizados pela companhia estão a Casa Brasil em Paris, durante os Jogos Olímpicos de 2024, e a Casa Brasil em Belém, durante a COP30. A participação da MChecon no projeto de Paris também consta em informações divulgadas pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB).
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Siga o Times | CNBCChecon e Lulinha se conheceram em 2023 por intermédio do empresário Fernando Bittar, que já foi sócio do filho do presidente. A partir daí, os dois passaram a manter uma relação de amizade e fizeram viagens juntos, incluindo uma ida a Portugal em 2024 e uma passagem pelo Japão e pela China em 2025, segundo a Veja.
A viagem à Ásia ocorreu no mesmo período em que o presidente Lula realizou uma visita oficial aos dois países. Checon também teria visitado Lulinha em Madri, onde o filho do presidente passou a morar, informou a revista.
O advogado de Checon confirmou a amizade entre os dois, mas negou que a relação tenha influenciado os contratos firmados pela MChecon com o governo federal. A defesa afirmou que Lulinha nunca ajudou o empresário a conquistar contratos públicos e que a companhia já tinha atuação relevante no setor de eventos, em resposta à Veja.
A defesa de Lulinha informou à revista que não faria comentários sobre a relação entre os dois.
A conversa em que o nome de Checon aparece foi enviada por Roberta Luchsinger a Cléber Ribas em 25 de agosto de 2025 e, posteriormente, recuperada pela Polícia Federal.
No áudio, Roberta afirma gastar cerca de R$ 100 mil por mês para manter “a casa” e relata ter avisado Lulinha de que não poderia continuar pagando as passagens aéreas dele. Foi nesse momento, segundo ela, que o filho do presidente teria mencionado Ribas e Checon como pessoas a quem poderia recorrer.
O trecho foi revelado inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo. O Metrópoles confirmou o conteúdo e identificou “Checon” como Marcelo Checon.
As mensagens integram o material analisado pela PF em investigações envolvendo Lulinha e Roberta. A Polícia Federal também apura se a lobista tentou obter a atuação do filho do presidente em negócios de interesse de Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, junto ao Ministério da Saúde.
As tratativas envolviam produtos à base de canabidiol e kits para testes de dengue, mas não resultaram em contratos. O material foi encaminhado ao STF e levou à abertura de inquérito para aprofundar suspeitas de tráfico de influência.
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