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Energia responde por 68% da alta de preços de produtos e serviços, aponta estudo

Publicado 11/10/2026 • 11:00 | Atualizado há 53 minutos

KEY POINTS

  • Energia responde por 68% da alta de preços de 48 produtos e serviços analisados no Brasil entre 2000 e junho de 2026, segundo levantamento da Ex Ante Consultoria Econômica.
  • Custos energéticos pressionam alimentos e construção civil, representando quase 30% do preço do pão francês, 32% do cimento e 14% dos custos da construção civil.
  • Indústria brasileira enfrenta aumento dos custos de produção, com alta de 523,8% no custo unitário da eletricidade e de 2.604% no gás natural, em reais, entre 2000 e 2026.
Rede elétrica

Foto: Unsplash

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O aumento dos custos de energia foi responsável por 68% da alta de preços de 48 produtos e serviços no Brasil entre 2000 e junho de 2026, segundo estudo da Ex Ante Consultoria Econômica. No mesmo período, o custo da eletricidade por unidade produzida na indústria brasileira subiu 523,8%, enquanto o do gás natural avançou 2.604% em reais.

Os resultados mostram como o encarecimento dessas fontes tem pressionado os preços ao consumidor, elevado as despesas das empresas e afetado a competitividade da produção nacional.

Encomendado pela Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace), o levantamento analisou a influência da eletricidade, do gás natural e dos combustíveis sobre diferentes atividades econômicas. Os 48 itens avaliados representam 32,6% da cesta que compõe o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), principal indicador da inflação oficial do país.

A pesquisa, divulgada pela Folha de S. Paulo, considera tanto os gastos diretos com energia quanto aqueles incorporados às etapas de fabricação, transporte e comercialização das mercadorias. Isso significa que parte das despesas energéticas chega ao consumidor incluída nos preços de alimentos, roupas, materiais de construção e serviços.

Leia também: LAWINFRA SUMMIT 2026: data centers podem consumir 30% da energia do país, diz Marcio Rea, diretor geral do ONS

Energia representa quase 30% do preço do pão francês

Um dos exemplos apresentados no estudo é o pão francês, cujo preço final tem participação próxima de 30% dos gastos com energia. Desse percentual, 18,7% correspondem à eletricidade e ao gás utilizados nos fornos, enquanto aproximadamente 11% estão relacionados aos combustíveis empregados no transporte de insumos.

Em 2000, uma unidade custava cerca de R$ 0,15. Em 2026, o valor se aproximou de R$ 1. Dos R$ 0,85 de aumento, aproximadamente R$ 0,73 foram atribuídos à elevação dos custos energéticos ao longo da cadeia produtiva, o equivalente a 86% da diferença.

A participação dessas despesas também aparece em outros produtos consumidos pelas famílias. Na carne bovina, a energia corresponde a 27% do preço final. No café moído, representa 19%.

Ao avaliar a evolução dos preços, a pesquisa identificou que os gastos energéticos explicaram 79% do encarecimento do leite longa vida, 71% da alta de um tênis, 61% do aumento da cerveja e 53% da variação do preço dos desodorantes.

Construção civil e indústria têm custos elevados

O impacto da energia também atinge materiais utilizados em obras, equipamentos e bens industrializados. Segundo o levantamento, os gastos energéticos representam 34% do preço de um caderno escolar, 32% do cimento, 30% do vidro e 12% do automóvel.

Na construção civil, a participação da energia chega a 14% do custo das atividades. A pesquisa estima que 72% da elevação dos preços do setor nas últimas duas décadas esteve associada ao encarecimento energético.

A fabricação de máquinas e equipamentos apresenta uma participação média de 13% desses gastos. No segmento de máquinas e equipamentos elétricos, o percentual alcança 21,6%. Considerando a evolução dos preços das máquinas em geral, 28% do aumento foi atribuído à energia.

Esses custos afetam a realização de obras, a compra de equipamentos e os investimentos das empresas, uma vez que a energia integra diferentes etapas da produção de materiais e componentes.

Saneamento e alimentação fora de casa também são afetados

Nos serviços, a elevação dos preços da energia interfere em atividades que utilizam equipamentos elétricos, sistemas de refrigeração, climatização e transporte.

No caso das refeições consumidas fora de casa, o levantamento identificou que aproximadamente 23% do aumento dos preços esteve relacionado aos gastos energéticos. Além da preparação dos alimentos, estabelecimentos como bares e restaurantes utilizam eletricidade para conservar ingredientes e manter suas instalações.

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O saneamento básico também apresenta elevada demanda de energia, necessária para captar, tratar e distribuir água, além de coletar e tratar o esgoto.

As despesas do setor com eletricidade passaram de R$ 2,9 bilhões em 2010 para R$ 9,1 bilhões, conforme os dados apresentados na pesquisa. Outro aumento expressivo ocorreu nos produtos químicos de uso intensivo de energia empregados no tratamento da água, cujos preços subiram 369%. Entre eles está o cloro, que pode ter até 70% do custo de fabricação relacionado à eletricidade, dependendo do processo produtivo.

Eletricidade no Brasil subiu mais que nos Estados Unidos e na Europa

A comparação internacional mostra que os preços da energia para os setores produtivos brasileiros cresceram acima dos registrados em outros mercados.

Entre 2000 e 2026, o preço da eletricidade pago pelas empresas no Brasil, medido em dólares, acumulou alta de 327,7%. A variação ficou 182,4 pontos percentuais acima da observada nos Estados Unidos e 218,1 pontos percentuais acima da registrada na União Europeia.

No gás natural, o preço da molécula aumentou 154,5% no mercado brasileiro, enquanto caiu 64% nos Estados Unidos. Em relação à União Europeia, o crescimento no Brasil foi 48,1 pontos percentuais superior.

Essa diferença amplia os desafios enfrentados por empresas brasileiras que competem com fabricantes estrangeiros, especialmente nos segmentos em que a energia representa uma parcela elevada das despesas operacionais.

A pesquisa também comparou os preços dos produtos industriais. No período analisado, eles acumularam crescimento de 613% no Brasil, diante de 102% nos Estados Unidos e 45% na União Europeia.

Custos energéticos afetam competitividade industrial

O levantamento analisou ainda a evolução do gasto com energia necessário para fabricar cada unidade de produto. Esse indicador permite medir quanto eletricidade e gás natural passaram a pesar no custo da produção industrial.

No caso do gás natural, a elevação de 2.604% em reais foi equivalente a aproximadamente sete vezes a inflação acumulada ao longo dos 26 anos analisados. Quando calculado em dólares, o aumento chegou a 896%.

Os resultados indicam que a trajetória dos preços energéticos ampliou as despesas de produção da indústria brasileira, especialmente em segmentos que dependem intensamente dessas fontes.

O estudo relaciona esse cenário à perda de competitividade da indústria nacional e ao processo de desindustrialização, embora também considere a influência de outros fatores, como tributação, infraestrutura, burocracia e qualificação da mão de obra.

Subsídios e planejamento energético entram no debate

Além das diferenças de preços entre os países, a pesquisa aborda a influência das políticas públicas sobre os custos de energia no Brasil. Entre os fatores analisados estão os subsídios concedidos a determinados consumidores e setores, os incentivos a fontes de geração e os mecanismos utilizados para garantir a segurança do abastecimento.

Parte dessas despesas é incorporada às tarifas, com efeitos sobre os custos das empresas e os valores pagos pelos consumidores.

O levantamento aponta a ausência de uma estratégia de longo prazo como um dos problemas que dificultam o controle dos custos energéticos. A adoção de medidas isoladas ao longo dos anos, segundo a análise, contribuiu para a formação de despesas que acabam distribuídas entre diferentes categorias de consumidores.

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