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Energia

LAWINFRA SUMMIT 2026: data centers podem consumir 30% da energia do país, diz Marcio Rea, diretor geral do ONS

Publicado 18/09/2026 • 18:29 | Atualizado há 53 minutos

KEY POINTS

  • ONS recebeu quase 20 GW em pedidos ligados a data centers entre 2025 e 2026, volume equivalente a 30% da energia do país.
  • Avanço da inteligência artificial deve ampliar demanda por data centers e exigir avaliação da capacidade da rede elétrica brasileira.
  • ONS também se prepara para impactos do El Niño, com risco de tempestades e danos às linhas de transmissão e torres.

Os pedidos para instalação de data centers recebidos pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) entre 2025 e 2026 chegam a quase 20 GW, volume equivalente a cerca de 30% da energia do país, afirmou Marcio Rea, diretor-geral do ONS, em entrevista nesta sexta-feira (18) durante o Lawinfra Summit Brasília 2026, evento em parceria com o Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

Segundo Rea, a expansão da inteligência artificial tende a acelerar ainda mais a procura por infraestrutura de data centers, levando o operador a analisar a capacidade da rede e as regiões com condições para receber os novos empreendimentos.

“A questão de data center, nós tivemos aproximadamente quase 20 gigas de pedido de 2025 para 2026 no ONS. Isso representa 30% da nossa energia. É muito bom para o Brasil”, afirmou.

IA amplia pressão por data centers

Para o diretor-geral do ONS, o crescimento da demanda por data centers é um movimento estrutural, que acompanhará a expansão das aplicações de inteligência artificial e exigirá preparação do sistema elétrico.

“Hoje em dia, com o avanço da IA, da inteligência artificial, serão muito demandados os data centers. Na medida do possível, nós estamos vendo na nossa rede as possibilidades nas regiões para a gente instalar os data centers”, explicou.

Rea afirmou que o processo de preparação da rede está avançando e classificou a expansão desse tipo de infraestrutura como uma transformação sem perspectiva de reversão.

“Está caminhando bem, é um avanço que a gente vê que não tem mais retorno. Esse é o futuro do país”, disse.

El Niño aumenta desafio para transmissão

Além do crescimento do consumo de energia, o ONS acompanha os possíveis impactos do El Niño sobre a operação do sistema elétrico brasileiro. Segundo Rea, equipes do operador já trabalham há algum tempo na preparação para o fenômeno climático.

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“Certamente vai ser um período não muito simples, complicado até, posso dizer. A temperatura está mudando muito”, afirmou.

Entre as principais preocupações estão chuvas intensas, tempestades e ventos fortes capazes de atingir a infraestrutura de transmissão. Rea citou episódios com ventos de até 200 km/h como exemplo do risco enfrentado pelas redes.

“A gente tem exemplos de chuvas e tempestades, com ventos de 200 quilômetros por hora. Isso prejudica as nossas linhas de transmissão, as nossas torres”, explicou.

O diretor ressaltou que o ONS trabalha com previsão e antecedência para reduzir o tempo de resposta diante de eventuais danos. “A gente vem acompanhando passo a passo e sempre trabalhando com previsão e com antecedência para poder, o mais rápido possível, consertar essas redes quando elas estiverem sendo danificadas”, acrescentou.

Diálogo com Judiciário busca destravar projetos

Rea também apontou a aproximação entre o setor elétrico e o Judiciário como uma ferramenta para solucionar pendências que podem atrasar decisões e projetos. Segundo ele, algumas questões permaneceram sem solução durante anos e começaram a avançar com maior diálogo institucional.

“A aproximação nossa com o Judiciário, o Judiciário conosco, tem resolvido muitas pendências que vinham sendo arrastadas por anos”, afirmou.

O diretor citou uma iniciativa realizada no centro de operação do ONS em Brasília, que recebeu representantes do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) para apresentar as dificuldades enfrentadas na operação cotidiana do sistema elétrico.

Rea acrescentou que o operador pretende ampliar esse diálogo institucional e levar integrantes do Tribunal de Contas da União (TCU) para conhecer de perto os desafios operacionais do setor, permitindo maior compreensão das questões técnicas envolvidas nas decisões que afetam o sistema elétrico.

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