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Exclusivo: Mesmo com alívio dos EUA ‘não tem produtor que consiga investir’, diz FAESP
Publicado 24/11/2025 • 12:02 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 24/11/2025 • 12:02 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Mesmo com a retirada parcial do tarifário dos Estados Unidos, a maior parte das exportações brasileiras segue pagando taxas. Segundo a CNI, 63% da pauta ainda é tarifada. O governo, porém, estima impacto em apenas 22% dos produtos. Para detalhar essas divergências e os efeitos sobre o agro, o Real Time ouviu Tirso Meirelles, presidente da Faesp.
“O tarifário já custou cerca de 5 bilhões de dólares ao Brasil só este ano”, afirmou Meirelles. Ele explicou ao Real Time que parte dessa perda ocorreu por triangulações: Uruguai e Paraguai teriam adquirido carne brasileira para revender aos EUA, enquanto o México aumentou em 350% as compras do produto pelo mesmo motivo. A Colômbia, disse ele, ampliou em 600% a compra de café nacional antes de revendê-lo ao mercado norte-americano.
Segundo ele, a mistura entre diplomacia e economia travou negociações e ampliou danos para segmentos específicos. Meirelles citou que máquinas agrícolas, calçados, etanol, açúcar, mel, pescados e produtos derivados de couro seguem entre os mais afetados. “Esses números mostram como ficamos vulneráveis sem segurança jurídica”, destacou.
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Ele disse ao programa que esse cenário permite ao Brasil absorver rapidamente a demanda reprimida. A capacidade de realizar de três a quatro safras na mesma área — número citado por ele — garante reposição ágil da oferta e manutenção simultânea de mercados como China e EUA.
Meirelles aponta que o volume importado coloca pressão sobre pequenos e médios produtores. Ele citou como referência o modelo discutido entre União Europeia e Mercosul, que prevê variação de até 10% nas tarifas caso haja concorrência desleal — medida que, segundo ele, deveria ser adotada pelo Brasil.“Com juros de 15%, não tem produtor que consiga investir”, sinaliza o presidente da FAESP.
Ele finaliza dizendo que a alta dos juros e o corte de seguros rurais têm travado a expansão da produção. Meirelles disse que centros de irrigação vêm sendo desenvolvidos para mitigar perdas, mas reforçou que a previsibilidade econômica é essencial para destravar novos acordos e recuperar competitividade.
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