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Exportações de café crescem 3,1% em setembro, impulsionadas pela retomada dos EUA, mas faturamento recua 7,1%

Publicado 10/10/2026 • 14:00 | Atualizado há 40 minutos

KEY POINTS

  • Apesar do avanço no volume, a receita cambial recuou 7,1%, para US$ 1,282 bilhão.
  • No acumulado dos três primeiros meses do ano-safra 2026/27, entre julho e setembro, as exportações brasileiras alcançaram 11,210 milhões de sacas, crescimento de 15,5%.
  • Os Estados Unidos importaram 625.192 sacas de café brasileiro no mês, considerando todos os tipos do produto, alta de 86,4% em relação às 335.339 sacas adquiridas no mesmo mês do ano anterior.
Café

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As exportações brasileiras de café somaram 3,894 milhões de sacas de 60 quilos em setembro de 2026, alta de 3,1% em relação às 3,778 milhões de sacas embarcadas no mesmo mês de 2025. Apesar do avanço no volume, a receita cambial recuou 7,1%, para US$ 1,282 bilhão, segundo dados do boletim estatístico mensal do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

De acordo com o presidente da entidade, Márcio Ferreira, o crescimento dos embarques reflete a retomada das vendas aos Estados Unidos após a redução das incertezas comerciais relacionadas às tarifas impostas ao café brasileiro.

“Com a continuidade do trabalho realizado pelo Cecafé, em conjunto com as demais entidades do setor, a americana National Coffee Association (NCA) e o governo, conseguimos reafirmar a isenção dos cafés verdes nas novas investigações ocorridas, obtendo, ainda, a inclusão do café solúvel nas listas de exceção. Isso possibilitou que o cenário comercial bilateral ficasse mais nítido, mitigando incertezas e possibilitando a retomada dos negócios”, explica.

Em novembro de 2025, os EUA retiraram as tarifas sobre a maior parte do café do Brasil. O café solúvel, porém, permaneceu sujeito à taxação até julho de 2026, quando também foi incluído nas listas de exceção, após articulações do Cecafé, de outras entidades do setor, da National Coffee Association (NCA) e do governo brasileiro.

Leia também: Mercado global de café pronto para beber ultrapassa US$ 24 bilhões em 2025 e abre oportunidades estratégicas para o Brasil

A maior clareza nas condições de acesso ao mercado americano favoreceu a retomada dos negócios. Em setembro, os Estados Unidos importaram 625.192 sacas de café brasileiro, considerando todos os tipos do produto, alta de 86,4% em relação às 335.339 sacas adquiridas no mesmo mês do ano anterior.

No acumulado dos três primeiros meses do ano-safra 2026/27, entre julho e setembro, as exportações brasileiras alcançaram 11,210 milhões de sacas, crescimento de 15,5% ante as 9,707 milhões de sacas embarcadas no mesmo intervalo de 2025. A receita avançou 0,8%, para US$ 3,561 bilhões.


Exportações brasileiras · Jan–set/2026

Cafés diferenciados em números

Produtos de qualidade superior, certificados de sustentabilidade e cafés especiais.

Volume exportado

4,95 milhões

−16,3% ante jan–set/2025

17% do volume total de café exportado pelo Brasil

Preço médio por saca

US$ 408,07

Sacas de 60 kg

Receita cambial

US$ 2,02 bilhões

−19,6% ante jan–set/2025

20% da receita total com exportações de café no período

Participação no volume total

17%

Participação dos cafés diferenciados nas exportações brasileiras de café

Fonte: Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). Dados de janeiro a setembro de 2026.

Exportações acumuladas no ano permanecem estáveis

Entre janeiro e setembro de 2026, o Brasil exportou 29,095 milhões de sacas de café, queda de 0,2% em relação ao mesmo período de 2025. A receita cambial diminuiu 8,6%, passando de US$ 11,065 bilhões para US$ 10,113 bilhões.

Segundo Ferreira, o resultado reflete tanto a retomada recente dos embarques aos Estados Unidos quanto a entrada mais tardia da nova safra brasileira no mercado externo. As chuvas, especialmente em julho, atrasaram a colheita e limitaram a disponibilidade de café para exportação nos primeiros meses do período.

Desde agosto, contudo, os novos lotes começaram a chegar ao mercado internacional, contribuindo para a normalização dos negócios. A expectativa do presidente do Cecafé é de aceleração dos embarques e de um resultado superior ao registrado em 2025 até o fim do ano.

A queda do faturamento, por sua vez, está associada à redução das cotações internacionais, à qualidade dos primeiros lotes exportados — especialmente de café arábica — e à maior participação dos cafés canéforas, que incluem conilon e robusta, nas vendas externas.

A qualidade prejudicada de parte da safra de arábica, afetada pelas chuvas, pressionou os preços desses lotes. Ao mesmo tempo, a ampliação da participação dos canéforas, comercializados geralmente a preços inferiores aos do arábica, reduziu o valor médio por saca e a receita total das exportações.

Estados Unidos retomam liderança entre os destinos

Com a recuperação das compras em agosto e setembro, os Estados Unidos voltaram a ocupar a primeira posição entre os principais destinos do café brasileiro no acumulado de janeiro a setembro de 2026, ultrapassando a Alemanha.

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Os americanos importaram 3,805 milhões de sacas no período, volume equivalente a 13,1% das exportações brasileiras. Apesar da liderança, as compras ainda ficaram 12,8% abaixo das registradas nos nove primeiros meses de 2025.







Destinos do café brasileiro — Jan a set/2026


Comércio exterior · Janeiro a setembro de 2026

Para onde vai o café brasileiro?

Os cinco principais destinos das exportações brasileiras de café. Selecione um país no mapa ou na lista para consultar o volume embarcado.

OCEANO PACÍFICO OCEANO PACÍFICO América do Norte Europa África Ásia América do Sul 1 2 3 4 5

Mapa esquemático para localização aproximada dos destinos.





Destino selecionado

Estados Unidos

1º principal destino
3,805 milhões
Volume relativo entre os cinco100%

Os Estados Unidos retomaram a liderança entre os destinos do café brasileiro. Apesar disso, as compras acumuladas no período ficaram 12,8% abaixo das registradas nos nove primeiros meses de 2025.

Fonte: Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). Dados de janeiro a setembro de 2026. Os percentuais de participação são os informados no material de origem; a variação anual não foi fornecida para todos os destinos.




A Alemanha ficou em segundo lugar, com 3,307 milhões de sacas, queda de 11,4% na comparação anual. O país respondeu por 11,4% do total exportado pelo Brasil.

A Itália ocupou a terceira posição, com 2,597 milhões de sacas, alta de 11,6%. Na sequência, apareceram a Bélgica, com 2,463 milhões de sacas e avanço de 44,5%, e o Japão, com 1,451 milhão de sacas, recuo de 23,3%.

Arábica perde espaço, enquanto canéforas avançam

O café arábica permaneceu como o principal produto da pauta exportadora brasileira, com 20,739 milhões de sacas embarcadas entre janeiro e setembro. O volume correspondeu a 71,3% do total, mas representou queda de 10,7% em relação ao mesmo intervalo de 2025.

Na direção oposta, os cafés canéforas, que englobam conilon e robusta, registraram forte expansão. Os embarques somaram 5,162 milhões de sacas, equivalentes a 17,7% das exportações, crescimento de 68,3% na comparação anual.

O café solúvel respondeu por 3,141 milhões de sacas, ou 10,8% do total. Já os cafés torrado e torrado e moído somaram 53.412 sacas, participação de aproximadamente 0,2%.

A mudança na composição das exportações ajuda a explicar a redução da receita cambial, uma vez que os canéforas costumam apresentar preços inferiores aos do arábica.

Cafés diferenciados têm queda nos embarques e na receita

As exportações de cafés diferenciados — que incluem produtos de qualidade superior, certificados de sustentabilidade e cafés especiais — totalizaram 4,950 milhões de sacas entre janeiro e setembro de 2026. O volume representou 17% das exportações brasileiras e ficou 16,3% abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior.

A receita cambial do segmento alcançou US$ 2,020 bilhões, com preço médio de US$ 408,07 por saca. O faturamento correspondeu a 20% da receita total obtida pelo Brasil com as exportações de café no período, mas recuou 19,6% na comparação anual.

Os Estados Unidos foram o principal destino dos cafés diferenciados, com 813.829 sacas, equivalentes a 16,4% do total exportado dessa categoria.

A Alemanha apareceu em segundo lugar, com 548.961 sacas, ou 11,1%, seguida pela Bélgica, com 531.215 sacas (10,7%); pela Itália, com 460.012 sacas (9,3%); e pelos Países Baixos, com 285.897 sacas (5,8%).

Porto de Santos concentra 70,7% dos embarques

O Porto de Santos manteve a liderança na movimentação de café brasileiro para o exterior nos primeiros nove meses de 2026. Pelo terminal, foram embarcadas 20,573 milhões de sacas, volume equivalente a 70,7% do total exportado pelo país.

O complexo portuário do Rio de Janeiro ocupou a segunda posição, com 7,335 milhões de sacas e participação de 25,2%. Já o Porto de Paranaguá, no Paraná, respondeu por 312.128 sacas, ou 1,1% dos embarques.

Os dados reforçam a concentração da logística de exportação de café nos portos de Santos e do Rio de Janeiro, responsáveis, em conjunto, por quase 96% do volume embarcado pelo Brasil no período.

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