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Fundação Bradesco completa 70 anos com investimento de R$ 1,6 bilhão e planos para ampliar ensino integral

Publicado 21/10/2026 • 11:50 | Atualizado há 58 minutos

KEY POINTS

  • Fundação Bradesco completa 70 anos em 2026 com 40 escolas próprias, mais de 42 mil alunos atendidos anualmente e orçamento de R$ 1,6 bilhão.
  • Instituição prevê modernização das unidades, ampliação do ensino integral e inclusão de disciplinas voltadas à tecnologia, comunicação e formação profissional.
  • Planos incluem expansão da Educação de Jovens e Adultos para 16 escolas em 2027 e reformulação da Escola Virtual, que já alcançou mais de 2 milhões de pessoas.

A Fundação Bradesco completa 70 anos em 2026 com um plano de modernização de sua estrutura educacional e ampliação das modalidades de ensino. A instituição, criada em 1956 pelo fundador do banco, Amador Aguiar, pretende fortalecer a formação dos estudantes para as mudanças no mercado de trabalho, expandir gradualmente o ensino em tempo integral e aumentar a oferta de educação para jovens e adultos.

As iniciativas foram apresentadas por Murilo Nogueira, diretor administrativo e financeiro da Fundação Bradesco, durante entrevista ao programa Real Time, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Segundo o executivo, o orçamento da instituição chegou a R$ 1,6 bilhão neste ano, impulsionado principalmente pelos investimentos em infraestrutura e atualização pedagógica.

Atualmente, a fundação mantém 40 escolas próprias distribuídas pelos 26 estados e pelo Distrito Federal, com mais de 42 mil alunos atendidos anualmente na educação básica. A operação reúne mais de 4 mil colaboradores e também oferece ensino técnico, formação profissional, educação de jovens e adultos (EJA) e cursos gratuitos pela internet.

Fundação surgiu em meio ao processo de industrialização do Brasil

A criação da Fundação Bradesco ocorreu durante o governo de Juscelino Kubitschek, período marcado pela expansão industrial, pela chegada de montadoras internacionais e pelo início da construção de Brasília. Naquele contexto, Amador Aguiar destinou ações de seu patrimônio pessoal à constituição de uma entidade voltada à educação gratuita, especialmente para crianças e jovens em situação de vulnerabilidade socioeconômica.

O modelo de financiamento permanece baseado nos rendimentos dessas participações acionárias, por meio de dividendos e juros sobre capital próprio (JCP) provenientes do Banco Bradesco. De acordo com Nogueira, esses recursos possibilitam investimentos anuais superiores a R$ 1,5 bilhão nas atividades da instituição. Somente na última década, o montante aplicado chegou a R$ 10,6 bilhões.

“Desde o início, o seu Amador, nosso fundador, tinha essa perspectiva de levar educação de qualidade para os lugares onde não seria possível entregar isso para as crianças e jovens”, afirmou.

O diretor explicou que a atuação da fundação continua concentrada na educação básica, embora outras modalidades tenham ganhado espaço ao longo dos anos. A proposta é oferecer condições de aprendizagem que contribuam para ampliar as possibilidades de formação e inserção profissional dos estudantes.

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Instituição pretende manter as 40 escolas e priorizar melhorias no ensino

Apesar da abrangência nacional, a abertura de novas unidades não está entre as prioridades imediatas da Fundação Bradesco. A estratégia atual é concentrar recursos na modernização das escolas existentes e na melhoria dos resultados educacionais. Segundo Nogueira, a última unidade foi inaugurada em 2004. Desde então, a rede permaneceu com 40 estabelecimentos, administrados de forma centralizada para manter padrões semelhantes de funcionamento e investimento.

“A ideia é manter esse número de escolas porque a gente já atende ao sonho do nosso fundador de ter pelo menos uma escola em cada estado do país, evoluir na questão pedagógica, na excelência pedagógica, e caminhar cada vez para resultados melhores, comparáveis às grandes escolas particulares do país”, explicou.

A instituição desenvolve um programa de revitalização física das unidades, que deverá continuar por pelo menos mais oito anos. As intervenções incluem a reconstrução e a adaptação de espaços para novas atividades, com salas multimídia, ambientes destinados à comunicação e instalações para experiências práticas. O objetivo é adequar a infraestrutura às novas propostas pedagógicas, incluindo a possibilidade de aumentar o tempo de permanência dos estudantes nas escolas.

Ensino integral e novas disciplinas estão entre as prioridades

Uma das principais mudanças previstas é a ampliação do ensino em tempo integral nas unidades que apresentarem condições físicas para receber os alunos por períodos maiores. A fundação considera que a extensão da jornada escolar permitirá aprofundar conteúdos tradicionais e incorporar atividades que atualmente têm pouco espaço na grade curricular.

Entre as áreas contempladas estão oratória, teatro, música, programação, prototipagem, impressão 3D e utilização de equipamentos de corte a laser. Essas atividades integram uma abordagem educacional conhecida pela sigla STEAM, que combina ciência, tecnologia, engenharia, artes e matemática.

Para Nogueira, as mudanças procuram acompanhar as transformações tecnológicas e desenvolver competências necessárias em diferentes ambientes profissionais. “A educação sempre se transforma. Além de transformar as pessoas, ela também se transforma e se modifica a todo tempo para se atualizar às realidades do nosso contexto, da nossa economia, do nosso país e, obviamente, do mundo”, afirmou.

Além do aprendizado de novas ferramentas, a instituição pretende trabalhar habilidades de comunicação, autonomia e convivência em diferentes espaços. O executivo também destacou a importância das condições físicas das escolas para a experiência educacional dos estudantes.

“Tudo e todos comunicam e ensinam. O ambiente ensina, as pessoas ensinam, desde a pessoa que está recepcionando na entrada da escola até, obviamente, o professor como prioridade”, declarou. Segundo ele, a proposta é proporcionar experiências que vão além das aulas convencionais, especialmente para alunos que têm acesso limitado a atividades culturais, tecnológicas e outros ambientes de formação.

Formação técnica considera características econômicas de cada região

A adaptação dos cursos às demandas locais é outra frente de atuação da Fundação Bradesco. Embora as unidades sigam diretrizes comuns, a instituição procura considerar as características econômicas e sociais das regiões onde estão instaladas.

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Em localidades com atividade agropecuária predominante, por exemplo, os alunos podem participar de formações práticas relacionadas ao manejo de animais e ao cultivo agrícola. Em centros urbanos, a oferta pode ser direcionada a tecnologias e outras competências associadas às oportunidades de emprego.

A intenção é permitir que os estudantes concluam a educação básica com conhecimentos que possam facilitar tanto o ingresso no ensino superior quanto a entrada no mercado de trabalho.

Nogueira ressaltou que a fundação incentiva os alunos a prestar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e vestibulares, mas reconhece que a continuidade dos estudos em uma faculdade não representa a mesma possibilidade imediata para todas as famílias. “A gente tem a perspectiva e a meta de que todos os nossos alunos prestem o Enem e vestibulares e se projetem para isso. Mas, obviamente, a realidade não é exatamente essa em todos os lugares do país, nem é o único caminho”, explicou.

Nesse cenário, a integração entre ensino médio e formação profissional é considerada uma alternativa para jovens que precisam começar a trabalhar após a conclusão da educação básica.

Educação de jovens e adultos deve chegar a 16 unidades em 2027

A retomada e ampliação da Educação de Jovens e Adultos também fazem parte do planejamento da instituição. Atualmente, a modalidade está disponível em oito escolas da rede. A previsão é incorporá-la a outras oito unidades em 2027, elevando o total para 16.

A meta de longo prazo é voltar a oferecer EJA nas 40 escolas, atendendo pessoas que não conseguiram concluir a educação básica na idade regular. De acordo com Nogueira, a iniciativa representa a recuperação de uma modalidade que já fez parte da trajetória da instituição e que pode ampliar o atendimento às comunidades próximas às unidades.

Escola Virtual terá reformulação e novos cursos

Além da rede presencial, a Fundação Bradesco prepara mudanças em sua plataforma gratuita de ensino a distância. A Escola Virtual, que já ultrapassou a marca de 2 milhões de pessoas com pelo menos um curso concluído, deverá ser relançada no início de 2027, quando completa 25 anos.

O projeto prevê a atualização do ambiente digital, a inclusão de novos cursos e a ampliação das possibilidades de formação para pessoas de diferentes perfis e faixas etárias. A plataforma faz parte das atividades da fundação voltadas ao público externo, permitindo que pessoas que não estudam nas escolas próprias também tenham acesso a conteúdos educacionais e de qualificação.

Campanha de aniversário destaca trajetória de ex-alunos

Para marcar os 70 anos, a Fundação Bradesco lançou a campanha institucional “De geração em geração, transformando histórias”. A iniciativa reúne relatos relacionados à trajetória de estudantes e ex-estudantes, com foco nas mudanças ocorridas em suas famílias e comunidades.

Segundo o diretor, a instituição passou a dar mais visibilidade às próprias atividades a partir de 2025. A decisão está relacionada à intenção de apresentar os resultados do investimento social privado e ampliar o reconhecimento da formação oferecida aos alunos.

“Trazer esse mote de geração em geração é uma finalidade de a gente conseguir mostrar que a educação não transforma somente aquele aluno que está sentado na cadeira hoje; ela transforma gerações, ela transforma comunidades, famílias”, afirmou Nogueira.

A estimativa apresentada pelo executivo é que mais de 3 milhões de pessoas tenham passado pelas estruturas educacionais da fundação ao longo de sua história. Entre os ex-alunos, segundo ele, estão profissionais que atualmente ocupam cargos de liderança no próprio Banco Bradesco e em organizações de setores como indústria, cultura, artes e terceiro setor.

Nogueira também relacionou a maior divulgação institucional à possibilidade de reconhecimento dos estudantes no mercado de trabalho. “Então o nosso investimento não está só em fortalecer a marca, e sim em fortalecer também a carreira dos nossos futuros trabalhadores do país”, disse.

Próxima década será marcada pela atualização pedagógica

Para os próximos anos, a Fundação Bradesco pretende concentrar sua atuação em três frentes: modernização da infraestrutura, revisão dos métodos de ensino e ampliação do acesso a diferentes modalidades educacionais. A instituição também busca elevar o desempenho acadêmico dos alunos e oferecer melhores condições de preparação para exames, universidades e oportunidades profissionais.

O planejamento inclui acompanhar mudanças no mercado de trabalho, incorporar novas tecnologias e preservar a possibilidade de adaptar parte da formação às necessidades regionais.

Embora a ampliação física da rede não esteja prevista no curto prazo, Nogueira afirmou que a possibilidade de crescimento poderá ser reavaliada após os avanços esperados no programa de modernização.

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