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Gestão de resíduos no Rio movimenta economia e pode evitar 40 mil internações por ano, diz estudo

Publicado 13/10/2026 • 11:50 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Estudo da Pezco Economics estima impacto positivo de R$ 1,40 bilhão a R$ 1,65 bilhão por ano com a gestão de resíduos da Regenera Rio.
  • Operação está associada à geração de mais de 1.700 empregos diretos e indiretos e à prevenção estimada de 40 mil internações hospitalares por ano.
  • Ampliação da reciclagem, produção de biometano e inclusão de catadores estão entre as prioridades para os próximos anos.

Um estudo elaborado pela Pezco Economics estima que as atividades da Regenera Rio, empresa de gestão de resíduos sólidos urbanos do Grupo Aegea, produzam impactos positivos de R$ 1,40 bilhão a R$ 1,65 bilhão por ano na região do Rio de Janeiro. O levantamento considera os efeitos econômicos, sociais e ambientais associados ao tratamento e à destinação do lixo urbano.

Os resultados foram apresentados nesta terça-feira (13), durante um encontro no Rio de Janeiro que reuniu representantes dos setores público e privado e especialistas para discutir a modernização da gestão de resíduos. A pesquisa também aponta reflexos sobre a geração de empregos, a saúde pública e o aproveitamento energético dos materiais descartados.

Segundo o diretor-presidente da Regenera Rio, Maurício Batista, a operação contribuiu para mudanças na destinação dos resíduos produzidos na capital e em seu entorno, com efeitos que se estendem a outros municípios da Região Metropolitana.

Operação inclui transferência e tratamento de resíduos em Seropédica

A Regenera Rio atua por meio de um contrato de concessão com a Prefeitura do Rio de Janeiro, responsável pela estrutura de transferência e destinação dos resíduos urbanos. O modelo envolve cinco estações que recebem o material recolhido pelo serviço municipal de limpeza.

Após a coleta, o lixo é encaminhado a essas unidades e transferido para caminhões de maior capacidade, que fazem o transporte até a Central de Tratamento de Resíduos (CTR Rio), localizada em Seropédica, na Baixada Fluminense.

No local, os resíduos recebem tratamento e destinação conforme as normas ambientais. A estrutura também permite a captação do biogás produzido pela decomposição da matéria orgânica, que pode ser convertido em biometano, combustível utilizado como alternativa ao gás natural de origem fóssil.

“O nosso trabalho é garantir a destinação adequada dos resíduos, com o cumprimento das normas de proteção ao meio ambiente e de segurança do trabalho, atendendo aos interesses da Prefeitura e da Região Metropolitana”, afirmou Batista.

Leia também: Estudo estima impacto de até R$ 1,65 bilhão por ano com gestão de resíduos no Rio

Estudo aponta efeitos no PIB e na geração de empregos

Entre os indicadores econômicos apresentados, a pesquisa destaca um impacto direto de aproximadamente R$ 1 bilhão no Produto Interno Bruto (PIB) dos municípios relacionados à operação, incluindo a capital fluminense.

De acordo com Batista, os efeitos também estão associados às transformações ocorridas ao longo dos cerca de 15 anos de vigência do contrato. Um dos marcos desse período foi o encerramento do Aterro de Gramacho, em Duque de Caxias, que anteriormente recebia grande parte do lixo produzido no Rio de Janeiro.

A desativação da unidade é apontada como um dos fatores que contribuíram para a valorização imobiliária no entorno da antiga área de descarte.

A operação também está relacionada à manutenção de mais de 1.700 postos de trabalho, entre empregos diretos e indiretos. Segundo a empresa, os efeitos sociais e econômicos alcançam mais de oito milhões de pessoas na Região Metropolitana.

Destinação do lixo pode evitar mais de 40 mil internações por ano

Na área da saúde pública, o estudo estima que a destinação adequada dos resíduos esteja associada à prevenção de mais de 40 mil internações hospitalares anualmente.

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A estimativa considera os efeitos da redução do descarte irregular de lixo em rios, lagoas e na Baía de Guanabara. A presença de resíduos nesses ambientes pode comprometer a qualidade da água, favorecer a proliferação de agentes transmissores de doenças e ampliar os riscos sanitários para a população.

Batista destacou que os efeitos da gestão de resíduos não se restringem aos indicadores econômicos.

“São mais de 40 mil internações anuais evitadas por não termos esses resíduos sendo lançados nos rios, nas lagoas e na Baía de Guanabara”, declarou.

O indicador representa uma estimativa dos benefícios sanitários associados à operação, e não uma contagem direta de atendimentos hospitalares.

Aproveitamento de biogás e reciclagem estão entre as prioridades

Além da destinação final do lixo, a Regenera Rio pretende ampliar o aproveitamento dos materiais recebidos em suas instalações. A estratégia envolve a recuperação de recicláveis e a produção de combustíveis a partir dos gases gerados no tratamento dos resíduos.

Atualmente, a empresa utiliza biometano em sua própria frota, enquanto parte dos veículos empregados pelo serviço municipal de limpeza também opera com esse combustível.

Para Batista, o próximo estágio da gestão de resíduos exige maior atenção ao potencial econômico dos materiais que ainda podem retornar à cadeia produtiva.

“O próximo passo é começar a olhar para esse resíduo não como um problema, mas como uma solução. Precisamos pensar em valorização”, afirmou.

Entre as possibilidades mencionadas pelo executivo estão a ampliação da recuperação de garrafas PET, latas de alumínio e papelão. Esses materiais podem ser reinseridos nos processos industriais, reduzindo a necessidade de matérias-primas virgens e o volume encaminhado à disposição final.

Inclusão de catadores integra os desafios para os próximos anos

A expansão da reciclagem também envolve a participação de cooperativas e trabalhadores responsáveis pela coleta e separação de materiais reaproveitáveis.

Segundo Batista, o desenvolvimento dessa atividade deve considerar a inclusão social dos catadores, que dependem da comercialização dos recicláveis como fonte de renda.

A proposta é ampliar o aproveitamento dos resíduos e, ao mesmo tempo, criar condições para fortalecer a cadeia de reciclagem, desde a separação dos materiais até seu retorno à indústria.

“O desafio é olhar para os próximos 30 anos com ferramentas que permitam ampliar essa valorização, com inclusão social”, afirmou o diretor-presidente.

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