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IA vira risco geopolítico e exige menor dependência de fornecedores, diz sócio da EY Brasil David Dias
Publicado 01/09/2026 • 21:31 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 01/09/2026 • 21:31 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
A inteligência artificial passou a representar um risco geopolítico capaz de afetar diretamente a continuidade dos negócios, à medida que governos ampliam restrições sobre tecnologias, dados e modelos, afirmou David Dias, sócio e líder de IA da EY Brasil ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Segundo ele, empresas precisam reduzir a dependência de fornecedores e infraestruturas específicas para evitar que decisões tomadas por outros países comprometam operações essenciais.
O executivo afirmou que a IA deixou de ocupar apenas uma função ligada à produtividade e à inovação dentro das companhias. “Ela se torna um novo ativo geopolítico”, destacou David Dias ao explicar que a tecnologia também passou a estar diretamente relacionada a questões de segurança nacional.
Para o líder de IA da EY, um dos principais riscos desse novo ambiente é uma empresa estruturar processos essenciais em torno de uma tecnologia que, posteriormente, deixe de estar disponível por causa de uma decisão governamental.
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“Imagina se eu sou um banco, imagina se eu sou uma empresa que depende daquele modelo ou que tem aquele modelo dentro dos seus negócios. Isso pode causar uma interrupção nos negócios, inclusive uma interrupção sistêmica, por exemplo, para o setor financeiro”, explicou.
Segundo o especialista, riscos dessa natureza ganharam materialidade recentemente diante de restrições impostas ao acesso a determinados modelos de inteligência artificial.
O problema também muda a forma como as companhias devem enxergar a tecnologia. Em vez de analisar somente desempenho, custo ou capacidade dos modelos, as empresas precisam considerar onde estão localizados os fornecedores, a infraestrutura e os próprios dados.
“Inteligência artificial deixou de ser uma ferramenta. Inteligência artificial é um tema estratégico dentro das organizações”, afirmou.
O primeiro passo para aumentar a resiliência, segundo David Dias, é identificar quais processos da companhia dependem de inteligência artificial e o impacto de uma eventual indisponibilidade dessas tecnologias.
O executivo afirmou que apenas 15% das empresas possuem esse mapeamento de riscos, o que deixa grande parte das organizações sem uma avaliação estruturada sobre sua exposição.
“O primeiro é um mapeamento dos riscos, um mapeamento de quais processos estão dependentes de inteligência artificial. O segundo ponto é um aumento de controle e governança de inteligência artificial, ou melhor, até a criação de uma lógica de risco associada à inteligência artificial”, explicou.
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Depois de identificar as vulnerabilidades, a recomendação é construir uma infraestrutura capaz de substituir serviços e modelos em caso de interrupção.
Para isso, o sócio e líder da EY defende arquiteturas multicloud, nas quais diferentes serviços de nuvem possam substituir uns aos outros, e multimodelo, evitando que processos estratégicos dependam exclusivamente de uma única tecnologia de IA.
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Siga o Times | CNBC“Não ficar dependente de uma única tecnologia, ter tanto uma arquitetura multicloud, onde eu tenho diferentes clouds que possam fazer substituição e interconectividade, como também multimodelos de inteligência artificial”, ressaltou.
Entre os segmentos da economia, David Dias considera o setor financeiro o mais exposto aos novos riscos geopolíticos relacionados à inteligência artificial, justamente porque bancos e outras instituições estão entre as organizações mais avançadas na adoção da tecnologia.
“Quanto maior a sua maturidade no uso de inteligência artificial, maior a exposição a esse tipo de risco. E o setor hoje, no Brasil e no mundo, que mais avança na adoção de inteligência artificial nos seus processos, inclusive nos seus processos críticos, é o setor financeiro”, afirmou.
O risco, segundo ele, ultrapassa os efeitos sobre uma instituição isoladamente. A interrupção de uma tecnologia utilizada em processos críticos de um banco pode, dependendo de sua extensão, produzir consequências para outras partes do sistema financeiro.
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“Um determinado banco que tem algum tipo de processo com uma dependência muito grande de inteligência artificial, se houver uma interrupção, não é só um banco, pode ser um problema sistêmico em todo o setor financeiro”, alertou.
Ao mesmo tempo, a maior maturidade tecnológica das instituições financeiras faz com que medidas de mitigação já estejam sendo incorporadas à governança do setor.
A geopolítica da IA também envolve uma questão que vai além dos modelos: onde os dados das empresas estão armazenados.
David destacou que grande parte das informações mantidas por companhias brasileiras está hospedada em infraestruturas de nuvem localizadas fora do Brasil. Com isso, decisões tomadas em outras jurisdições podem se transformar em um risco operacional.
“Os meus dados estando em um determinado país ou o meu modelo de inteligência artificial estando em determinado país, qual a possibilidade desse país fazer uma interrupção?”, questionou.
Segundo ele, essa análise precisa passar a integrar as decisões de arquitetura tecnológica. “Grande parte dos dados das empresas brasileiras não estão residentes no país, estão em nuvens que estão residentes fora do país. Então essa questão geopolítica de localização de dados e modelos de inteligência artificial também é um ponto absolutamente importante”, ressaltou.
Para David Dias, a resposta passa pela combinação de governança, diversificação tecnológica e redução da dependência de fornecedores únicos.
“Empresas mais resilientes, empresas mais preparadas a qualquer tipo de interrupção. Estamos falando aqui de mitigação de risco com arquiteturas e uma governança mais bem estruturada”, concluiu.
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