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Latam inicia renovação da frota com jatos da Embraer que consomem até 30% menos combustível
Publicado 08/10/2026 • 14:30 | Atualizado há 47 minutos
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Publicado 08/10/2026 • 14:30 | Atualizado há 47 minutos
KEY POINTS
A Latam Brasil recebeu nesta quinta-feira (08) seu primeiro Embraer E195-E2, durante uma cerimônia na sede da fabricante, em São José dos Campos (SP). A entrega marca o início de um contrato para aquisição de 24 aeronaves, com possibilidade de compra de outras 50 unidades, e investimento inicial estimado em R$ 2,1 bilhões.
A companhia pretende receber 14 jatos até março de 2027. A incorporação do modelo permitirá ampliar a malha aérea doméstica e reduzir o consumo de combustível em determinadas operações, em um momento de aumento dos custos do setor.
O CEO da Latam Airlines Brasil, Jerome Cadier, afirmou que a eficiência energética passou a ser determinante para as companhias aéreas diante da alta do querosene de aviação (QAV), associada à guerra no Oriente Médio.
“Buscar aeronaves cada vez mais eficientes já era importante, mas agora é condição de sobrevivência”, declarou Cadier. Segundo ele, a Latam está pagando atualmente 90% a mais pelo combustível em comparação com o período anterior ao início do conflito.
O presidente e CEO da Embraer, Francisco Gomes Neto, que ocupa o cargo desde maio de 2019, destacou que a chegada do modelo à frota da Latam também ampliará a presença dos aviões fabricados no Brasil no mercado doméstico.
“A entrada da Latam na família E2 é muito importante. Ela vai aumentar a presença do modelo e permitir que mais brasileiros voem em aviões produzidos na fábrica de São José dos Campos”, afirmou.
Leia também: Latam é eleita a melhor companhia aérea da América do Sul em 2026
O primeiro voo comercial do E195-E2 está programado para 30 de novembro de 2026, com partida do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, às 7h25, e destino a Vitória (ES). Na sequência, a empresa pretende utilizar o modelo em voos para o Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, e Uberlândia (MG).
A chegada das aeronaves também permitirá à companhia atender quatro cidades que ainda não fazem parte de sua rede doméstica: Cabo Frio (RJ), Macaé (RJ), Ji-Paraná (RO) e Rondonópolis (MT).
De acordo com Cadier, aproximadamente 40 rotas brasileiras deverão contar com operações do E195-E2, incluindo destinos já atendidos pela empresa. “Devemos inaugurar quatro destinos nesta primeira fase. Em seguida, vamos anunciar uma segunda etapa, também com novas cidades”, explicou.
A Latam projeta encerrar 2026 com 67 destinos domésticos, ante 44 antes da pandemia de Covid-19. A utilização de aeronaves menores em determinadas rotas faz parte da estratégia de ampliar a conectividade regional.
O Embraer E195-E2 da Latam foi configurado para transportar 136 passageiros, distribuídos entre as cabines Economy e Premium Economy.
A disposição interna será de dois assentos de cada lado do corredor, sem a posição central encontrada em aviões maiores. A configuração também será adotada na cabine Premium Economy, que terá espaço adicional e serviços diferenciados.
“Sabemos que o assento do meio é um dos menos desejados pelos passageiros. O E195-E2 elimina essa posição e também contará com a nossa cabine Premium Economy”, afirmou Cadier.
Os assentos terão revestimento em ecocouro, suporte para tablets e duas entradas USB-C. O avião também oferecerá acesso ao sistema de entretenimento Latam Play e conexão Wi-Fi via satélite, gratuita para integrantes do programa Latam Pass.
Do ponto de vista operacional, o modelo apresenta consumo de combustível até 30% inferior ao de aeronaves de gerações anteriores, dependendo das condições de voo. Suas características também permitem operar em aeroportos com pistas mais curtas, o que favorece a abertura de serviços em cidades de médio porte.
A pressão sobre os custos operacionais foi um dos principais temas abordados por Jerome Cadier durante a cerimônia. O executivo afirmou que a empresa não trabalha com a expectativa de uma redução expressiva no preço do querosene de aviação no próximo ano. A avaliação considera a possibilidade de prolongamento do conflito no Oriente Médio e de seus efeitos sobre o mercado internacional de combustíveis.
Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.
Siga o Times | CNBC“Não contamos com uma mudança nesse cenário. A guerra pode se prolongar, assim como seus efeitos sobre o preço do combustível”, afirmou.
Cadier também ressaltou que o QAV não recebe atualmente subsídios equivalentes aos concedidos a outros combustíveis, como gasolina e diesel. Por isso, as companhias aéreas ficam diretamente expostas às variações das cotações internacionais. Nesse contexto, a redução do consumo proporcionada pelos novos aviões é considerada uma ferramenta para controlar despesas e manter a viabilidade econômica das operações.
Além do combustível, a Latam acompanha os possíveis impactos da reforma tributária sobre os custos das viagens aéreas. Segundo Cadier, a eliminação gradual do ICMS incidente sobre o querosene de aviação não deverá compensar integralmente o aumento da tributação previsto sobre a comercialização de passagens.
O executivo afirmou que, nas condições consideradas pela companhia, a alíquota sobre os bilhetes poderá passar dos atuais patamares de 3% ou 9% para 26,5% ao término da transição tributária.
“O imposto sobre o combustível será eliminado, mas haverá um aumento considerável da tributação sobre a venda das passagens”, declarou.
A implantação do novo sistema começa gradualmente em 2027. Para Cadier, o possível encarecimento dos bilhetes poderá limitar o crescimento da demanda por transporte aéreo no Brasil. Ele argumenta que o mercado brasileiro ainda apresenta espaço para expansão, especialmente em comparação com países como Chile e Colômbia, mas considera que a redução dos preços é essencial para ampliar o acesso da população às viagens de avião.
A reforma também deverá produzir efeitos distintos entre consumidores individuais e clientes corporativos, segundo avaliação do CEO da Latam.
Empresas que compram passagens para viagens de negócios poderão aproveitar créditos tributários, conforme as regras do novo sistema. O mecanismo permite compensar parte dos tributos pagos nas aquisições.
Já pessoas físicas que viajam por motivos particulares, principalmente para turismo, não terão direito ao mesmo benefício.
“As empresas poderão aproveitar parte dos créditos tributários sobre as passagens. Já a pessoa física que viaja a turismo não terá essa compensação e ficará sujeita à alíquota integral”, explicou Cadier.
Na avaliação do executivo, essa diferença poderá resultar em um impacto proporcionalmente maior sobre as viagens de lazer, enquanto o segmento corporativo terá mecanismos para reduzir parte da carga tributária.
Durante o evento, Francisco Gomes Neto também comentou a situação da cadeia de fornecedores da indústria aeronáutica, que enfrenta dificuldades desde a pandemia e foi afetada por conflitos internacionais.
Segundo o presidente da Embraer, houve melhora gradual na disponibilidade de componentes, embora persistam problemas pontuais com determinados fornecedores.
“A cadeia de fornecimento vem melhorando ano após ano. Ainda enfrentamos dificuldades com algumas peças, mas conseguimos aumentar nossos níveis de produção com um trabalho próximo aos fornecedores”, afirmou.
Para 2026, a fabricante prevê entregar entre 80 e 85 aeronaves comerciais e de 160 a 170 jatos executivos. A expectativa é ampliar a produção nos próximos anos. Gomes Neto explicou ainda que a Embraer mantém uma rede de fornecedores brasileiros, principalmente na região de São José dos Campos, mas continua dependendo de componentes importados.
“Temos um polo aeronáutico na região e compramos diversas peças de fornecedores locais, mas a maior parte dos componentes ainda vem do exterior”, disse.
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