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Lula deve mudar rota e Flávio evitar “salto alto” no 2º turno, diz professor

Publicado 06/10/2026 • 15:45 | Atualizado há 53 minutos

KEY POINTS

  • Lula deve adotar uma campanha mais ofensiva e ajustar sua comunicação, enquanto Flávio Bolsonaro precisa evitar excesso de confiança apesar da vantagem no primeiro turno.
  • Assuntos como preço dos alimentos, combustível, gás e juros tendem a ser decisivos; a possível aproximação de Lula com Geraldo Alckmin também seria um movimento para conquistar eleitores de centro.
  • A força da comunicação digital ficou evidente no primeiro turno, e agora os candidatos devem disputar apoios, votos de outros candidatos e eleitores que se abstiveram.

O resultado do primeiro turno deve obrigar a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a rever sua estratégia, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) precisa evitar excesso de confiança após terminar a votação na liderança, avaliou Frederico Afonso, professor de Direito Constitucional e Ciência Política, em entrevista ao Real Time, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

Flávio terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, diferença de cerca de 2,2 milhões de votos. Os dois disputam o segundo turno em 25 de outubro.

Na avaliação de Afonso, quem terminou atrás tende a assumir uma postura mais ofensiva nas próximas três semanas. Já a campanha de Flávio deveria evitar tratar a vantagem como uma vitória antecipada.

“Eu acredito que quem está perdendo vá para o ataque. E, em relação ao Flávio Bolsonaro, a campanha dele tem que tomar só cuidado com arrogância”, afirmou.

Para o professor, o segundo turno deve ser encarado como uma nova eleição, com rearranjo de alianças e disputa pelos votos dos candidatos eliminados e dos eleitores que não compareceram às urnas.

Leia também: Flávio deve ir a debates e campanha mira ampliar votos no 2º turno

Lula precisa ajustar discurso

Afonso avaliou que a campanha de Lula apostou excessivamente no histórico político do presidente e precisa adaptar a comunicação a um eleitorado mais interessado em temas diretamente ligados ao cotidiano.

Segundo ele, assuntos como preço dos alimentos, combustível, gás e juros tendem a ter mais apelo eleitoral do que discursos mais técnicos.

“As pessoas querem saber o seguinte: vai diminuir o preço do combustível, vai diminuir o preço do meu alimento, vai diminuir o preço do gás, vai diminuir os juros?”, afirmou.

Na avaliação do professor, Flávio Bolsonaro explorou melhor essa linguagem durante o primeiro turno, inclusive com aparições em supermercados para abordar preços e custo de vida.

Afonso classificou uma eventual tentativa de reconstruir a campanha de Lula em apenas três semanas como uma tarefa difícil.

“O presidente Lula acionou o modo de sobrevivência”, afirmou.

Alckmin sinaliza tentativa de buscar centro

O professor também comentou a possibilidade de Geraldo Alckmin assumir o Ministério da Fazenda em um eventual novo governo Lula.

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A hipótese vem sendo avaliada pelo presidente como forma de buscar votos de centro e reforçar a credibilidade da política econômica, segundo relatos publicados após o primeiro turno.

Para Afonso, o nome de Alckmin funciona principalmente como um aceno ao eleitorado de São Paulo, ao agronegócio e a setores mais moderados.

Segundo ele, a escolha representaria uma tentativa de ampliar a campanha para além do eleitorado tradicional da esquerda.

Redes sociais mudam lógica das campanhas

Afonso destacou ainda o desempenho de candidatos com forte presença nas redes sociais e avaliou que as urnas reforçaram a importância da comunicação digital.

Segundo ele, políticos com produção diária de conteúdo conseguiram converter audiência e seguidores em votação expressiva, enquanto modelos tradicionais de campanha, baseados em reuniões locais e presença física, perderam peso relativo.

O professor citou nomes como Nikolas Ferreira e outros candidatos ligados à chamada “bancada digital” como exemplos dessa transformação.

“Não dá para você simplesmente falar assim: ‘Eu nem sei quem é esse moleque’. Aí sim é uma frase de arrogância”, afirmou ao comentar a forma como lideranças políticas lidam com novos nomes nas redes.

Na avaliação de Afonso, partidos tradicionais precisam compreender que o ambiente eleitoral mudou e que narrativas digitais podem ganhar escala rapidamente.

Disputa por apoio ganha força

Com menos de dois pontos percentuais separando os dois candidatos, as campanhas devem concentrar esforços em alianças e na transferência dos votos dados a outros nomes no primeiro turno.

Flávio Bolsonaro iniciou a semana ampliando sua base de apoio, enquanto sua campanha também declarou que pretende buscar eleitores que votaram em outros candidatos, além de brancos, nulos e abstencionistas.

Para Afonso, o cenário é mais favorável ao senador neste momento, mas a vantagem não elimina o risco de reversão.

“É uma segunda eleição diferente, com novos arranjos, novos ajustes”, afirmou.

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