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DECISÃO 2026: Meta admite restrições em contas de Lula e Flávio no Instagram, mas nega interferência nas eleições

Publicado 16/10/2026 • 14:03 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Meta afirma que a falha de 9 de outubro no Gerenciador de Anúncios atingiu milhares de anunciantes em diferentes países e não bloqueou novas campanhas por upload direto.
  • Empresa diz que o problema na contagem de visualizações de Reels, em 7 de outubro, foi global e afetou criadores em mais de 100 países.
  • Cerca de 70% das medidas envolvendo contas de Lula registradas na Justiça Eleitoral decorreram do cumprimento de ordens judiciais, segundo a Meta.

Mensagens trocadas entre funcionários da Meta, responsável pelo Instagram, Facebook e WhatsApp, revelam problemas no funcionamento das plataformas que afetaram as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) durante as eleições de 2026. Os registros apontam restrições à divulgação de conteúdos, falhas nas buscas e dificuldades na publicação de anúncios políticos.

Um dos episódios ocorreu em 9 de outubro, quando a equipe de Lula ficou quase 24 horas sem conseguir impulsionar publicações já existentes no feed do Instagram. A restrição impediu a ampliação paga do alcance desses conteúdos, embora novos anúncios pudessem ser veiculados em formatos alternativos. Segundo cálculos da campanha, aproximadamente 1,3 milhão de pessoas deixaram de receber as peças publicitárias durante o período.

As conversas mostram que funcionários da Meta acionaram engenheiros nos Estados Unidos para solucionar o problema e manifestaram preocupação com a demora. Parte da equipe defendia que o caso fosse tratado como uma ocorrência grave, diante do impacto sobre a propaganda eleitoral.

A justificativa apresentada internamente foi uma falha técnica no sistema de gerenciamento de anúncios.

Em nota divulgada nesta sexta-feira (16), a Meta afirmou que o problema foi causado por uma atualização de código no Gerenciador de Anúncios e atingiu milhares de anunciantes em diferentes países. Segundo a empresa, a falha impediu temporariamente a criação de anúncios a partir de publicações já feitas no Instagram, mas não afetou anúncios que já estavam em circulação nem impediu a criação de novas peças por upload direto no Gerenciador de Anúncios. (Leia nota na íntegra abaixo)

Os registros, obtidos pela jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de S.Paulo, também registram irregularidades nas recomendações de perfis políticos, incluindo situações consideradas incompatíveis com as regras estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Falhas nas buscas e recomendações de candidatos

No início de outubro, o perfil de Flávio Bolsonaro aparecia entre as sugestões de busca do Instagram, enquanto o de Lula não era localizado em determinadas consultas, mesmo quando os usuários digitavam o nome exato do petista.

Funcionários da Meta reconheceram que a recomendação automática de Flávio não deveria ocorrer. A empresa atribuiu a dificuldade para encontrar Lula ao tamanho de seu nome cadastrado e informou que o erro havia sido corrigido, embora ainda existissem diferenças nos resultados apresentados aos usuários.

O WhatsApp também apresentou inconsistências. Ao pesquisar pelo termo “Exército do Lula”, usuários encontravam, entre os resultados, o canal “Tropa do Flávio”, ligado ao candidato do PL. Pelas regras eleitorais mencionadas na reportagem, perfis e canais de candidatos não podem ser promovidos por recomendações automáticas. A identificação nas buscas deve ocorrer quando o usuário procura diretamente pelo nome correspondente.

Leia também: DECISÃO 2026: TSE decide pela remoção de vídeos que associam Lula a supostas fraudes no INSS

Registros apontam problemas nas duas campanhas

Os documentos também descrevem situações que atingiram simultaneamente as duas candidaturas. Em 23 de setembro, as contas de Lula e Flávio ficaram impedidas de publicar anúncios por cerca de uma hora após serem identificadas incorretamente por suspeita de atividade irregular.

Sobre o episódio envolvendo Lula, a Meta afirmou que a conta de anúncios da campanha foi desativada por engano por pouco mais de uma hora depois que uma peça foi classificada como uma possível tentativa de se passar por um programa social do governo durante uma análise antifraude. A empresa ressaltou que a página da campanha no Facebook e a conta de Lula no Instagram não foram bloqueadas.

Segundo a companhia, essa análise fazia parte de mecanismos adotados após um acordo firmado com a Advocacia-Geral da União (AGU), em abril, para combater golpes relacionados a programas federais. A Meta afirma que o erro foi corrigido rapidamente.

Em 1º de outubro, a campanha de Flávio teve diversas peças publicitárias barradas porque o sistema identificou possível utilização de inteligência artificial durante um período de restrição estabelecido pelo TSE. A equipe do candidato negou ter empregado a tecnologia nos materiais.

Outro incidente ocorreu em 7 de outubro, quando uma interrupção global de dados afetou mais de 3.000 contas durante cerca de cinco horas. Entre as consequências, estava a impossibilidade de consultar o número de visualizações das publicações. A campanha de Flávio também enfrentou dificuldades para impulsionar conteúdo naquela data.

A Meta afirma que o problema na contagem de visualizações de Reels foi global, atingiu criadores em mais de 100 países e não afetou a distribuição dos conteúdos. Segundo a companhia, a campanha de Flávio Bolsonaro também entrou em contato naquele dia para relatar a mesma falha.

A empresa sustenta ainda que o desempenho da conta oficial de Lula no Instagram ficou acima de seu próprio patamar recente em 7 de outubro, o que, segundo a Meta, indica que a falha na contagem de visualizações não reduziu o alcance do perfil.

Nas comunicações internas, funcionários da Meta demonstraram preocupação com a percepção de que a empresa estaria interferindo na disputa presidencial e avaliaram a necessidade de esclarecer que falhas também haviam atingido a candidatura de Flávio.

Meta nega interferência no processo eleitoral

A Meta rejeita as acusações de favorecimento político e afirma que os episódios tiveram origens diferentes, incluindo falhas técnicas de alcance internacional e problemas específicos na aplicação das normas eleitorais brasileiras.

A empresa também diz que alguns incidentes afetaram contas e anunciantes de diferentes países, sem distinção de posicionamento político.

Na manifestação divulgada nesta sexta, a Meta afirmou ainda que cerca de 70% das medidas adotadas envolvendo contas de Lula registradas na Justiça Eleitoral decorreram do cumprimento de ordens judiciais. Segundo a companhia, parte das demais ações esteve relacionada à aplicação das regras eleitorais, como restrições a conteúdo gerado por inteligência artificial e à recomendação de contas de candidatos.

A empresa também citou um episódio envolvendo a Meta AI em 14 de outubro. Segundo a companhia, uma falha nas proteções permitia que comandos contendo apenas o primeiro nome de um candidato combinado ao número eleitoral gerassem imagens de cartazes. A Meta afirma que a brecha atingia tanto comandos com “Flávio” quanto com “Luiz” e foi corrigida no mesmo dia.

A companhia informou ainda ter apresentado defesa ao TSE em resposta a uma reclamação da campanha de Lula. No trecho de uma decisão reproduzido pela Meta, o tribunal afirma que, nesta fase, não há conclusão de que a empresa tenha manipulado a distribuição de conteúdos em favor ou em prejuízo de alguma candidatura e registra não haver evidência suficiente de privilégio partidário deliberado pela plataforma.

A campanha de Flávio Bolsonaro, por sua vez, contestou as informações sobre dificuldades em seus perfis. Segundo a equipe, as contas continuaram funcionando regularmente e todos os procedimentos adotados respeitaram as regras das plataformas e da Justiça Eleitoral.

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Restrições eleitorais ampliam impacto das falhas

As dificuldades ocorreram em um cenário de limitações à divulgação digital de candidaturas. Como o TSE proíbe a recomendação automática de perfis de candidatos, a contratação de anúncios é um dos principais meios disponíveis para ampliar o alcance das campanhas nas plataformas.

A Meta havia anunciado que deixaria de comercializar publicidade política na União Europeia a partir de outubro de 2025, mas manteve o serviço no Brasil durante a disputa eleitoral de 2026.

Leia a íntegra da nota da Meta:

“A Meta não está interferindo nas eleições brasileiras. Estes são os fatos.

Hoje, compartilhamos informações sobre incidentes técnicos recentes que afetaram campanhas de diferentes posições do espectro político nas eleições brasileiras de 2026. A Meta não toma partido nessa nem em nenhuma outra eleição, e são falsas e infundadas as alegações de que estamos favorecendo ou interferindo em nome de qualquer candidato ou grupo político. Nossos sistemas não classificam nem distribuem conteúdo com base em ideologia política, e nossas regras e sua aplicação valem igualmente para todos.

Estes são os fatos.

A conta de anúncios da campanha de Lula foi desativada por engano por pouco mais de 1 hora, e não por razões políticas.

Em 23 de setembro, a conta de anúncios da campanha de Lula foi desativada por engano por pouco mais de uma hora, após um anúncio ter sido classificado como uma possível tentativa de se passar por um programa social do governo durante uma análise mais ampla de combate a fraudes. A Página oficial da campanha de Lula no Facebook e sua conta no Instagram nunca foram bloqueadas.

A análise antifraude incorreta feita sobre este anúncio foi adotada no âmbito de um acordo firmado em 13 de abril de 2026 com a Advocacia-Geral da União (AGU) para combater golpes envolvendo programas federais. Na ocasião, o acordo assinado reconheceu que mecanismos de detecção mais rigorosos poderiam afetar involuntariamente atividades publicitárias legítimas. Esse risco se concretizou neste caso, mas foi corrigido rapidamente.

Há muito tempo, a Meta alerta que as regras rígidas do Brasil para conteúdo digital aumentam o risco de aplicação excessiva e ameaçam a liberdade de expressão. Desde 2025, essas regras ampliaram a possível responsabilidade das plataformas por conteúdo e anúncios gerados por terceiros.

O problema na contagem de visualizações de vídeos foi global.

Em 7 de outubro, um incidente técnico afetou os sistemas que contabilizam reproduções e reprises de Reels. Durante cerca de cinco horas, as contagens de visualizações ficaram congeladas, incorretas ou zeradas, embora o conteúdo continuasse sendo distribuído normalmente. O incidente afetou criadores em mais de 100 países. Não ficou restrito ao Brasil, à conta da campanha de Lula ou a qualquer grupo político. É importante destacar que a campanha de Flávio Bolsonaro também entrou em contato com a Meta neste dia para relatar o mesmo problema. Na verdade, naquela data, o desempenho da conta oficial de Lula no Instagram ficou significativamente acima de seu próprio patamar recente, uma indicação clara de que o problema na contagem de visualizações não afetou seu alcance. Tratar um erro global de contagem de visualizações como evidência de que a Meta suprimiu uma campanha é simplesmente incorreto.

O problema na criação de anúncios afetou apenas conteúdo do feed e impactou anunciantes em todo o mundo.

Em 9 de outubro, a Meta identificou uma falha global no Gerenciador de Anúncios, causada por uma atualização de código, que impediu temporariamente anunciantes de criar anúncios a partir de publicações já feitas no Instagram. Os uploads diretos pelo Gerenciador de Anúncios continuaram funcionando para a criação de novos anúncios, e a campanha de Lula nunca foi impedida de fazer anúncios desta maneira nesse período. O incidente afetou milhares de anunciantes em diferentes países e terminou depois que a atualização de código foi revertida, nas primeiras horas de 10 de outubro. Além disso, os anúncios que estavam em veiculação, inclusive os da campanha de Lula, não foram afetados. Tratou-se de um evento técnico, e não de uma ação direcionada a uma campanha política específica.

A Meta AI está entre os assistentes de IA que mais cumprem as regras eleitorais quando solicitados a recomendar candidatos.

Para cumprir as regras eleitorais, a Meta proibiu temporariamente a Meta AI de recomendar candidatos ou gerar imagens deles no Brasil. Uma pesquisa independente publicada pelo InternetLab em 1 de outubro concluiu que a Meta AI quase não ranqueou nem indicou candidaturas.

O incidente envolvendo a Meta AI em 14 de outubro resultou de uma lacuna específica em nossas proteções, e não de viés político. Nossos sistemas bloqueavam prompts no Brasil que mencionavam claramente qualquer um dos candidatos – incluindo “Lula”, “Luiz Inácio Lula da Silva”, “Bolsonaro” e “Flávio Bolsonaro” -, mas nem sempre reconheciam um candidato quando um primeiro nome comum era combinado com um número eleitoral. Como resultado, alguns prompts que usavam “Flávio” com seu número podiam gerar imagens de cartazes. A mesma lacuna afetava o outro candidato: prompts que usavam “Luiz” com o número de Lula também podiam gerar imagens de cartazes. Bloquear isoladamente nomes comuns como “Flávio” ou “Luiz” impediria muitas solicitações cotidianas de geração de imagens e não políticas. Corrigimos essa lacuna no mesmo dia.

O cumprimento das regras eleitorais está sendo caracterizado de forma equivocada como viés.

As alegações de viés não se sustentam quando as ações são analisadas individualmente. O cumprimento de ordens judiciais válidas representou cerca de 70% das medidas adotadas pela Meta envolvendo todas as contas de Lula em nossas plataformas registradas na Justiça Eleitoral. Grande parte das demais medidas – como a aplicação das regras a conteúdo gerado por IA em período de silêncio eleitoral previsto em lei e a exclusão de contas de candidatos das recomendações – reflete exigências legais, e não penalidades ideológicas.

Para deixar claro: a Meta aplica as mesmas regras a todos os candidatos, partidos e pontos de vista políticos no Brasil, assim como faz em eleições no mundo todo. Não suprimimos conteúdo para prejudicar um lado nem damos tratamento preferencial a qualquer lado. Cada um dos incidentes citados pela campanha de Lula tem uma explicação direta e documentada, conforme descrito acima. Nenhum deles reflete direcionamento político. Nenhum reflete manipulação da distribuição. Nenhum reflete uma tentativa de influenciar a eleição.

A Meta lamenta a ação judicial infundada apresentada pela campanha de Lula, que acaba introduzindo incertezas e dúvidas injustificadas no debate público sobre a integridade do processo eleitoral brasileiro.

Apresentamos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma defesa detalhada e respaldada por dados técnicos em resposta à reclamação da campanha de Lula.

Na decisão recente, o TSE não encontrou indícios de manipulação: “Não se afirma, nesta fase, que a representada tenha manipulado a distribuição de conteúdos na internet em favor ou em prejuízo de qualquer candidatura. A declaração técnica juntada indica distribuição de conteúdos do perfil oficial do candidato da coligação representada acima de sua linha de base, em 7 de outubro de 2026, e o próprio relatório trazido pela representante registra não haver evidência suficiente de privilégio partidário deliberado da plataforma.”

Continuaremos a nos defender vigorosamente neste processo.

Os eleitores brasileiros merecem fatos, e não uma narrativa política construída pela combinação de problemas técnicos sem relação entre si. A Meta continuará aplicando suas regras, cumprindo a legislação eleitoral brasileira, corrigindo erros quando ocorrerem e garantindo condições igualitárias para todos que utilizam nossos serviços.”

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