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Pressionado a levar caso Moraes ao plenário, ministro Fachin diz que analisará fatos antes de tomar “medidas cabíveis”
Publicado 02/09/2026 • 10:52 | Atualizado há 2 meses
Publicado 02/09/2026 • 10:52 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, afirmou nesta quarta-feira (02) que a Corte adotará as medidas que considerar necessárias após concluir a análise dos fatos que provocaram uma nova crise interna no tribunal.
A manifestação ocorre em meio à repercussão das mensagens que revelam uma relação próxima entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Sem citar nominalmente os envolvidos, Fachin afirmou que situações de maior gravidade exigem a preservação da integridade do Supremo, da autoridade de suas decisões e da confiança da sociedade no tribunal.
“Os indícios reclamam o devido encaminhamento institucional”, declarou o presidente do STF. Segundo ele, as circunstâncias sob análise envolvem tanto questões relacionadas à atuação processual quanto elementos factuais considerados sérios.
Fachin afirmou que o momento exige da Presidência do Supremo “serenidade, responsabilidade e firmeza”.
Na manifestação, Fachin indicou que ainda não há uma decisão definitiva sobre quais providências serão tomadas. Segundo o ministro, a Presidência pretende concluir nos próximos dias a análise das informações disponíveis e observar os procedimentos internos antes de anunciar eventuais medidas.
“Nos próximos dias, concluída a análise necessária dos fatos e observados os procedimentos institucionais pertinentes, esta Presidência anunciará, no tempo devido e sem precipitação, as medidas que cabíveis e necessárias”, afirmou.
O presidente do STF também destacou que a posição ocupada por integrantes da Corte amplia as responsabilidades de seus titulares. “A elevada autoridade do cargo não confere privilégios, mas impõe deveres, limites e responsabilidades”, disse.
A manifestação ocorre após a retirada do sigilo de um relatório de 218 páginas da Polícia Federal relacionado às investigações sobre Daniel Vorcaro. O material contém mensagens atribuídas ao ex-banqueiro e referências a integrantes do Supremo.
Entre os elementos que passaram a ser discutidos estão mensagens que, segundo o relatório, indicariam contatos entre Vorcaro e Alexandre de Moraes. O material levantou suspeitas sobre eventual compartilhamento de informações relacionadas aos primeiros movimentos da Operação Compliance Zero.
Uma das mensagens atribuídas a Vorcaro, enviada antes de uma possível ordem de prisão, questionava Moraes sobre a conveniência de deixar o país. O conteúdo passou a integrar o debate sobre a relação mantida entre os dois.
As apurações também alcançam relações comerciais entre empresas vinculadas ao ex-banqueiro e o escritório de advocacia da família de Moraes. Esses elementos fazem parte das circunstâncias que passaram a ser examinadas pelas autoridades e não representam, por si só, conclusão sobre eventual irregularidade.
A divulgação e o aprofundamento das apurações também abriram uma disputa sobre os procedimentos adotados no próprio Supremo.
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Siga o Times | CNBCO procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a anulação do relatório da Polícia Federal. A PGR sustenta que André Mendonça teria avançado sobre as investigações de forma incompatível com o rito aplicável ao caso, ao determinar novas diligências sem uma decisão prévia do plenário do STF.
As informações presentes no relatório também revelam proximidade entre Gonet e Vorcaro.
A atuação de Mendonça na retirada do sigilo do material também provocou questionamentos internos e ampliou a tensão em torno do caso.
Além das decisões tomadas no processo, André Mendonça passou a ser citado nas próprias comunicações relacionadas a Vorcaro. Mensagens e áudios indicam que pessoas próximas ao empresário buscaram organizar uma reunião entre os dois em São Paulo.
Mendonça confirmou ter recebido Vorcaro uma vez, em março de 2025. Segundo o ministro, a iniciativa do encontro partiu do empresário e a conversa ficou restrita a um processo que tramitava no Supremo e envolvia créditos de precatórios de interesse do Banco Master.
Registros anteriores à reunião apontam que interlocutores de Vorcaro procuraram viabilizar o contato desde fevereiro daquele ano. Entre os nomes mencionados nessas articulações estão o advogado Ciro Rocha Soares e o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP).
O ministro sustenta que apenas ouviu as demandas apresentadas pelo então banqueiro e nega que o encontro tenha tratado de outros assuntos.
Em momentos de especial gravidade, é dever de todos preservar a integridade do Supremo Tribunal Federal, a autoridade de suas decisões, o respeito às suas normas e, acima de tudo, a confiança da sociedade na instituição.
Os indícios reclamam o devido encaminhamento institucional. Circunstâncias relacionadas, de um lado, à atuação processual e, de outro, a sérios elementos de fatos que exigem desta Presidência serenidade, responsabilidade e firmeza.
A elevada autoridade do cargo não confere privilégios, mas impõe deveres, limites e responsabilidades, que devem ser observados com absoluto respeito à Constituição, às leis e ao Supremo Tribunal Federal.
Nos próximos dias, concluída a análise necessária dos fatos e observados os procedimentos institucionais pertinentes, esta Presidência anunciará, no tempo devido e sem precipitação, as medidas cabíveis e necessárias.
Brasília, 2 de setembro de 2026.
Ministro Luiz Edson Fachin
Presidente do Supremo Tribunal Federal
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