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Mudanças climáticas exigem adaptação de 90% das populações urbanas, diz Tatiana Sasson
Publicado 04/02/2026 • 17:41 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 04/02/2026 • 17:41 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
A infraestrutura urbana global enfrenta um desafio sem precedentes com o aumento da frequência de eventos extremos, exigindo que 90% dos moradores de grandes centros urbanos se adaptem às novas realidades climáticas.
Tatiana Sasson, head de Impacto da Lightrock, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, destacou que o adensamento populacional torna as cidades alvos críticos para desastres ambientais e crises de abastecimento. “Hoje, 55% da população mundial vive nos grandes centros urbanos e é estimado que, até 2050, 70% das pessoas vão viver nesses locais. Desses grandes centros, 90% das pessoas estão sujeitas aos efeitos das mudanças climáticas, como vemos nos níveis de reservatórios e nos incêndios florestais”.
A vulnerabilidade das metrópoles ficou evidente com os recentes apagões em São Paulo, revelando um descompasso entre a infraestrutura atual e a nova frequência de tempestades. “Há 50 anos, eventos de chuvas intensas aconteciam em média duas vezes ao ano; na última década, essa média subiu para 15 vezes. A resiliência da cidade, com medidas como aterrar o cabeamento elétrico e monitoramento, ainda não teve o capital necessário investido”, explicou.
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Em relação ao aspecto econômico, Sasson enfatizou que a prevenção é significativamente mais barata do que a remediação de danos após os desastres. “Para cada dólar (R$ 5,26) que a gente usa de adaptação, eu economizo de 4 a 7 dólares (R$ 21,03 a R$ 36,80) que teria que gastar nos malefícios gerados. Investir para evitar que o comércio feche ou que a população fique sem internet tem um impacto gigantesco no PIB”, detalhou.
Como solução prática para a crise hídrica, a especialista citou tecnologias de reuso que aliviam a rede pública e protegem as áreas mais vulneráveis. “Soluções como a da General Water perfuram poços em grandes prédios para o reuso da água, tirando esse imóvel da pressão de usar o recurso público. Isso beneficia as periferias, pois alivia a demanda sobre o sistema nos momentos de escassez hídrica”.
Por fim, ela defendeu que o financiamento dessas mudanças deve ser uma coalizão entre o governo e empresas, seguindo o exemplo do setor de energia renovável. “Na COP, destacou-se que os 300 bilhões de dólares (R$ 1,57 trilhão) anuais necessários para adaptação não virão apenas do setor público. A iniciativa privada vai olhar isso como uma oportunidade de reduzir riscos e aumentar a adaptabilidade das cidades”.
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