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DECISÃO 2026: Nunes Marques atende pedido de Flávio Bolsonaro e determina suspensão de canal pró-Lula administrado por André Janones no WhatsApp

Publicado 11/10/2026 • 12:28 | Atualizado há 16 minutos

KEY POINTS

  • Presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, determinou a suspensão do canal “Exército de Lula”, que reunia mais de 3 milhões de seguidores, após pedido da campanha de Flávio Bolsonaro.
  • Na decisão, o ministro apontou que o canal era utilizado para disseminar, em escala nacional, conteúdos já considerados inverídicos pela Justiça Eleitoral, por meio de uma estrutura coordenada de compartilhamento.
  • A suspensão foi determinada em processo distinto de outra ação analisada pelo corregedor Ricardo Villas Bôas Cueva.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou a suspensão do canal de WhatsApp “Exército de Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), após atender a um pedido da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL).

A decisão foi tomada em menos de 24 horas após a apresentação da solicitação e atinge uma rede de comunicação digital com mais de 3 milhões de seguidores, utilizada para mobilizar apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o segundo turno da eleição presidencial.

Na decisão, Nunes Marques considerou que o canal passou a funcionar como meio de divulgação de informações que já haviam sido consideradas sem fundamento pela Justiça Eleitoral. O ministro também apontou a existência de uma estrutura centralizada, com orientações para que os participantes replicassem conteúdos em diferentes plataformas.

“O que se afasta não é a mobilização de apoiadores, nem a crítica política contundente, nem o uso das redes sociais para pedir votos. É a utilização de estrutura de transmissão a milhões de pessoas, sob comando único, para replicar conteúdos que esta Corte já reconheceu como inverídicos”, afirmou o ministro em trecho do despacho.

Leia também: DECISÃO 2026: para quem o voto é obrigatório no Brasil?

Decisão atende a pedido apresentado pela campanha de Flávio

A suspensão foi determinada após a equipe jurídica de Flávio Bolsonaro questionar a atuação do canal e apontar possíveis irregularidades na distribuição de conteúdos eleitorais.

A campanha argumentou que o grupo funcionava a partir de um comando centralizado, responsável por distribuir diariamente tarefas, chamadas de “missões”, para orientar o compartilhamento de publicações. Segundo a representação, parte desse material continha informações falsas ou apresentadas fora de contexto.

Ao analisar o pedido, Nunes Marques citou a descrição feita pelo próprio Janones sobre a mobilização de seguidores como um exército de “soldados” que executariam as orientações recebidas.

O ministro entendeu que a estrutura havia se transformado em um instrumento de disseminação nacional de conteúdos já contestados pela Corte. Também mencionou instruções para contornar mecanismos de proteção contra a circulação de informações irregulares.

A decisão foi assinada em um procedimento administrativo encaminhado ao gabinete da Presidência do TSE às 16h24 de sábado. Nesse processo, os advogados de Flávio questionaram o cumprimento das medidas que o WhatsApp havia se comprometido a adotar para combater irregularidades durante as eleições de 2026.

O presidente do tribunal considerou que cabia avaliar a aplicação dessas regras ao canal, dentro da supervisão dos compromissos assumidos pela plataforma perante a Justiça Eleitoral.

Outra ação contra o canal segue em análise no TSE

A determinação de Nunes Marques foi proferida enquanto uma segunda ação apresentada pela campanha de Flávio Bolsonaro já tramitava no tribunal, sob responsabilidade do corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva.

Nesse outro processo, Cueva decidiu solicitar informações adicionais antes de avaliar medidas como a remoção de conteúdos. O magistrado estabeleceu prazo de cinco dias para que André Janones e Lula apresentassem suas manifestações. No mesmo período, a defesa de Flávio deverá detalhar as supostas irregularidades identificadas em cada publicação questionada e encaminhar os arquivos mencionados como provas na representação.

O corregedor ressaltou que o recebimento da ação para análise não representa confirmação das acusações apresentadas pela campanha do senador. Cueva também solicitou esclarecimentos sobre a existência de outros procedimentos relacionados ao mesmo canal. A preocupação é evitar que pedidos semelhantes sejam analisados separadamente e resultem em decisões conflitantes.

Ao determinar a suspensão, Nunes Marques reconheceu que havia outro processo sobre o assunto e ordenou o envio de uma cópia da petição e de sua decisão ao corregedor, para avaliação das providências cabíveis.

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Canal cresceu rapidamente durante o segundo turno

Criado como ferramenta de mobilização em favor da reeleição de Lula, o “Exército de Lula” registrou uma expansão expressiva no início da disputa do segundo turno. Segundo o Globo, o canal passou de aproximadamente 50 mil seguidores para mais de um milhão em dois dias. Posteriormente, ultrapassou a marca de 2 milhões de inscritos.

A estratégia de Janones incluía a divulgação de vídeos, mensagens de áudio e orientações para que apoiadores compartilhassem materiais políticos em grupos de WhatsApp e outras redes sociais.

Em uma das gravações publicadas no espaço, o parlamentar recomendou que os participantes evitassem a publicação simultânea de vídeos semelhantes, estimulassem a colaboração entre diferentes perfis e repetissem conteúdos para ampliar o alcance das mensagens.

Janones também havia anunciado que concentraria sua atuação política na campanha digital de Lula, priorizando a comunicação com eleitores e a mobilização de apoiadores em vez de atividades tradicionais de campanha.

PL já havia organizado denúncias contra o grupo

Antes da decisão judicial, integrantes do Partido Liberal e influenciadores de direita já haviam promovido uma iniciativa para denunciar o canal diretamente ao WhatsApp. Representantes do partido participaram de uma reunião por videoconferência em 6 de outubro para organizar reclamações à plataforma.

Uma das denúncias questionava a divulgação da informação falsa de que Flávio Bolsonaro pretendia proibir o voto feminino.

Na ocasião, Janones afirmou que o canal estava sendo alvo de denúncias em massa feitas por apoiadores do adversário. Diante da possibilidade de bloqueio, o deputado criou uma página no Instagram para manter a distribuição de materiais eleitorais.

A disputa em torno da comunicação digital ocorre após um primeiro turno no qual Flávio Bolsonaro recebeu 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Os candidatos disputam o segundo turno marcado para 25 de outubro.

Janones critica suspensão e campanha de Lula anuncia reação jurídica

Após a decisão do presidente do TSE, Janones orientou os participantes do “Exército de Lula” a acompanhar outro canal de comunicação e uma página no Instagram. Em vídeo divulgado aos seguidores, o deputado criticou a determinação judicial e classificou a suspensão como censura.

A campanha de Lula também se manifestou por meio de sua assessoria. Em nota, afirmou que a decisão provocou estranheza e revolta e informou que sua equipe jurídica deverá apresentar uma manifestação sobre o caso.

Campanha de Flávio classifica decisão como vitória contra desinformação

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) classificou a suspensão do canal “Exército de Lula”, administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG), como uma “vitória da verdade e da integridade do processo eleitoral”.

Para a equipe do senador, a medida busca impedir a continuidade da divulgação coordenada de informações consideradas falsas pela Justiça Eleitoral, sem restringir manifestações políticas ou a mobilização regular de eleitores.

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