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‘Os supermercados estão planejando compras mais longas para se proteger da inflação’, diz vice-presidente da Abras
Publicado 31/01/2025 • 21:22 | Atualizado há 12 meses
Publicado 31/01/2025 • 21:22 | Atualizado há 12 meses
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O consumo nos lares brasileiros apresentou um crescimento de 3,7% em 2024, de acordo com dados divulgados pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Esse aumento foi impulsionado principalmente pelo crescimento no emprego e na renda, além de benefícios sociais como o Bolsa Família e o auxílio gás, que ajudaram as famílias a se organizarem financeiramente.
Marcio Milan, vice-presidente da Abras, afirmou: “Esse crescimento foi extremamente positivo e crescente ao longo do ano, com destaque para os meses de novembro e dezembro. Nesse período, o 13º salário e os benefícios ajudaram a impulsionar ainda mais as compras”. A pesquisa realizada pela Abras abrange todos os produtos comercializados em supermercados, como alimentos, bebidas e itens de higiene.
Milan também destacou que, devido à inflação de alimentos, o comportamento do consumidor mudou. “Observamos que houve uma troca nas proteínas, com os consumidores optando mais pelo frango em vez da carne bovina, que sofreu aumento de preço. Além disso, houve um aumento no consumo de marcas próprias, que oferecem preços mais acessíveis em comparação com as marcas líderes”, afirmou ele.
Em relação ao impacto da inflação, o vice-presidente da Abras comentou: “Produtos como o óleo de soja e o café tiveram aumentos significativos, enquanto itens como feijão e tomate apresentaram quedas nos preços. No entanto, os aumentos foram maiores que as quedas, o que ainda pressiona o orçamento das famílias”.
Sobre a inflação de alimentos, Milan disse: “O aumento da taxa de juros, por exemplo, vai ter um reflexo mais adiante, principalmente pela compra mais planejada dos supermercados. Eles têm feito uma compra mais longa, antecipando as tendências de aumento de preço”.
A questão da inflação de alimentos e a pressão sobre os preços nos supermercados também são discutidas pelo setor. Milan ressaltou: “A margem de lucro dos supermercados é muito pequena, o ganho vem do volume de vendas. Quando há inflação, as negociações com as indústrias se tornam mais tensas, pois sempre há a necessidade de manter os preços baixos”.
O setor supermercadista brasileiro está em diálogo com o governo federal para encontrar soluções para controlar a inflação e melhorar a eficiência operacional. “Houve uma reunião com o presidente Lula e ministros, onde discutimos a produtividade do setor e a melhoria das cadeias de abastecimento, além de propostas para diminuir os impactos da inflação nos preços”, disse Milan.
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