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Ceia de Natal terá peru, garante setor, que descarta desabastecimento e inflação da ave após foco de doença de Newcastle em SC

Publicado 22/10/2026 • 12:01 | Atualizado há 14 minutos

KEY POINTS

  • Abastecimento de perus para o Natal está garantido, segundo a ABPA, apesar da confirmação de um foco da doença de Newcastle em Santa Catarina.
  • Restrições sanitárias afetam as exportações brasileiras de produtos avícolas, com suspensões nacionais impostas por México e Malásia e bloqueios regionais adotados por outros países.
  • Indústrias devem redirecionar parte da produção para mercados alternativos, enquanto a ABPA descarta impactos significativos na oferta interna e ainda não estima os prejuízos financeiros.

A confirmação de um foco da doença de Newcastle em uma granja comercial de perus em Nova Itaberaba, no Oeste de Santa Catarina, neste mês provocou restrições às exportações brasileiras de produtos avícolas. A ocorrência mobilizou autoridades sanitárias e empresas do setor em um período de preparação para as vendas de fim de ano, quando o consumo de aves como peru e Chester ganha espaço no mercado brasileiro.

Apesar das medidas adotadas por países importadores, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) afirma que o episódio não deve prejudicar o abastecimento de carne de peru nem de outras aves utilizadas nas ceias natalinas. A entidade também não prevê alterações significativas na disponibilidade desses produtos nos supermercados em decorrência das restrições comerciais.

“Não há comprometimento à oferta de produtos. Foi uma situação isolada em uma única granja que não compromete a oferta de produtos no mercado interno ou mesmo em exportações”, informou a associação.

O principal efeito imediato está concentrado no comércio exterior, especialmente nas operações das empresas instaladas em Santa Catarina, estado que ocupa posição relevante na produção brasileira de perus. A dimensão financeira das restrições, entretanto, ainda não foi calculada.

México e Malásia suspendem compras de produtos avícolas brasileiros

A identificação da doença levou parceiros comerciais a adotar medidas sanitárias com diferentes alcances. México e Malásia determinaram a suspensão temporária das importações de produtos avícolas provenientes de todo o Brasil.

Outros destinos estabeleceram restrições limitadas apenas à região afetada. China, Arábia Saudita e Chile, por exemplo, interromperam as compras de produtos originários de Santa Catarina, mantendo a possibilidade de importação de outras unidades da federação.

Há ainda países que restringiram as medidas apenas às propriedades localizadas em um raio de dez quilômetros da granja onde a doença foi identificada. Essa diferenciação permite que estabelecimentos situados fora das áreas delimitadas continuem atendendo determinados mercados internacionais.

Segundo a ABPA, a abrangência limitada de parte das suspensões reduz os possíveis efeitos sobre o comércio exterior brasileiro, que conta com uma rede de mais de 150 países compradores. Mesmo assim, as empresas catarinenses precisam reorganizar seus embarques e buscar destinos alternativos para os produtos que seriam enviados aos mercados temporariamente fechados.

Indústrias devem redirecionar parte da produção

Santa Catarina concentra uma parcela importante da produção nacional de perus e ocupa o segundo lugar entre os estados exportadores de carne de frango. Por isso, as restrições aplicadas ao território catarinense atingem diretamente empresas com operações voltadas ao mercado internacional.

Entre as alternativas para reduzir os efeitos comerciais estão a redistribuição de cargas e a negociação com compradores que continuam autorizados a receber produtos brasileiros. “Haverá um redirecionamento, mas que não se restringe ao mercado interno. O redirecionamento ocorrerá também para outros países importadores”, explicou a ABPA.

A entidade considera que a possibilidade de direcionar mercadorias para diferentes destinos deve diminuir as perdas decorrentes dos bloqueios. No entanto, a associação alertou que ainda não existem dados consolidados sobre a quantidade de carne de peru afetada nem sobre eventuais prejuízos financeiros.

“Ainda não é possível estimar os impactos, considerando o curto espaço de tempo desde a ocorrência.”

Leia também: Doença de Newcastle: entenda sintomas, transmissão e riscos para humanos

Oferta de perus para o Natal deve permanecer estável

No mercado brasileiro, a expectativa é de manutenção do abastecimento durante as festas de fim de ano. Embora o fechamento temporário de alguns destinos internacionais possa levar parte da produção a ser comercializada no país, a ABPA descarta que esse movimento seja suficiente para provocar uma mudança expressiva na quantidade de aves disponíveis aos consumidores.

Um dos motivos é o planejamento antecipado das indústrias. Parte considerável dos produtos destinados às vendas natalinas já foi preparada, o que reduz a influência de alterações pontuais nas exportações sobre o abastecimento do varejo.

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A associação destaca que os volumes envolvidos nas suspensões não são suficientes para modificar de maneira relevante a oferta doméstica. Assim, a possibilidade de uma entrada maior de carne de peru no mercado nacional não representa, necessariamente, uma redução dos preços nas prateleiras.

O comportamento dos valores cobrados pelos supermercados continuará sujeito a fatores como custos de produção, transporte, estratégias comerciais e procura dos consumidores.

Peru disputa espaço com outras aves nas ceias

Além das questões sanitárias e comerciais, o mercado de aves para o Natal apresenta diferenças importantes entre os produtos oferecidos aos consumidores.

O peru mantém sua presença tradicional nas comemorações, mas concorre com alternativas como Chester, Fiesta e frangos inteiros preparados especialmente para o período. A escolha depende de fatores como preço, rendimento, tamanho da família e preferência alimentar.

Os frangos especiais têm como característica a maior concentração de carne em regiões como peito e coxas. Já o frango convencional costuma representar uma opção mais econômica para famílias que procuram reduzir os gastos com a ceia.

O peru, por sua vez, geralmente apresenta preço por quilo superior ao de outras aves, fator que pode limitar sua participação nas compras de fim de ano.

Medidas sanitárias buscam controlar o foco em Santa Catarina

Após a confirmação da doença de Newcastle, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) adotou medidas emergenciais para impedir a disseminação do vírus. Foi declarada emergência zoossanitária por 60 dias em Nova Itaberaba e municípios próximos, incluindo Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim.

A propriedade atingida foi interditada, com previsão de eliminação de aproximadamente 6 mil perus, além de procedimentos de limpeza e desinfecção das instalações. As ações também incluem o acompanhamento sanitário de mais de 130 propriedades rurais na região de vigilância, com o objetivo de identificar rapidamente eventuais sinais da enfermidade em outros estabelecimentos.

A doença de Newcastle é uma enfermidade viral que afeta aves e pode provocar problemas respiratórios, digestivos e neurológicos, além de mortalidade nos plantéis. Devido ao seu potencial de disseminação e aos prejuízos à produção, a ocorrência exige notificação e medidas oficiais de controle.

Retomada das exportações depende de negociação com cada país

Embora o setor trabalhe para recuperar o acesso aos mercados afetados antes das festas de fim de ano, ainda não existe uma data definida para o encerramento das restrições. A reabertura depende do reconhecimento das medidas de controle adotadas pelo Brasil e das exigências sanitárias estabelecidas por cada parceiro comercial.

“O restabelecimento dependerá das negociações país a país. A expectativa é de que ocorram de prazo menor em relação à situações anteriores”, afirmou a ABPA.

Consumo de carne de peru continua seguro

A confirmação da doença também levantou dúvidas sobre a segurança dos produtos avícolas comercializados no Brasil. A ABPA, porém, esclarece que o episódio não representa motivo para interromper o consumo de carne de peru ou de outras aves.

A enfermidade não é transmitida às pessoas por meio do consumo de produtos avícolas devidamente inspecionados e preparados. Além disso, as medidas sanitárias impedem que aves provenientes da propriedade afetada sejam destinadas à comercialização. “É fundamental entender: este é um problema restrito ao núcleo de produção. É uma enfermidade das aves. Não há qualquer risco de transmissão por meio dos produtos. O consumo é seguro”, ressaltou a associação.

Com o foco submetido às medidas de contenção e a produção natalina já planejada, a principal preocupação do setor permanece concentrada na recuperação dos mercados internacionais.

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