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CNBCPor que a China consegue suportar a alta do petróleo com mais facilidade do que outros países

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Petrobras e Prio disparam e deixam para trás Saudi Aramco, Chevron e outras petroleiras globais; entenda os motivos

Publicado 09/03/2026 • 18:35 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • A Petrobras e boa parte das outras petroleiras brasileiras dispararam na bolsa depois do ataque combinado de EUA e Israel ao Irã.
  • Nos últimos sete dias, a valorização das companhias locais foi bem acima do registrado por gigantes como Exxon-Mobil, Chevron, British Petroleum e Saudi Aramco.
  • Analistas consultados pelo Times Brasil – licenciado exclusivo CNBC, destacam que são vários os pontos que colocam as brasileiras em melhor condição que algumas das suas principais concorrentes globais neste momento.

REUTERS/Sergio Moraes/File Photo

A Petrobras e boa parte das outras petroleiras brasileiras dispararam na bolsa depois do ataque combinado de EUA e Israel ao Irã. Nos últimos sete dias, a valorização das companhias locais foi bem acima do registrado por gigantes como Exxon-Mobil, Chevron, British Petroleum e Saudi Aramco. Analistas consultados pelo Times Brasil – licenciado exclusivo CNBC, destacam que são vários os pontos que colocam as brasileiras em melhor condição que algumas das suas principais concorrentes globais neste momento.

Um dos pontos mais importantes para isso é o custo de extração. O petróleo do pré-sal brasileiro é um dos mais baratos do mundo para produzir, e a Petrobras tem breakeven abaixo de US$ 40 por barril em vários campos. Breakeven é o patamar em que as receitas se igualam aos custos. Por isso, se houver pressão sobre os custos variáveis – como, por exemplo, de frete, que deve ser afetado diante do estrangulamento no Estreito de Ormuz – a Petrobras consegue se manter mais eficiente porque tem na extração seu diferencial competitivo.

Desempenho das petroleiras após os ataques ao Irã

Prio (PRIO3) +9,65%
PetroChina (601857) +8,12%
Petrobras (PETR3) +7,43%
Petrobras (PETR4) +6,81%
British Petroleum (BP) +4,54%
Brava (BRAV3) +3,96%
Saudi Aramco (2222) +3,43%
Shell (SHEL) +3,16%
PetroReconcavo +0,79%
Chevron (CVX) +0,60%
TotalEnergies (TTEF) -0,68%
Exxon Mobil (XOM) -1,41%

Valorização do dia 2 de março (primeiro dia últi após os ataques) até as 16h desta segunda (9)

Prio e Petrobras como destaques

No caso da Prio, a situação é ainda mais vantajosa. A empresa opera com custo de extração em torno de US$10 por barril, um dos menores do planeta. “Isso significa que, quando o petróleo sobe, praticamente toda a alta vai direto para o lucro”, diz Matheus Cabral, private banker da Guardian Capital.

Além disso, tanto Petrobras quanto Prio são quase integralmente empresas de exploração e produção. Ou seja, produzem petróleo bruto e vendem. “Cada US$ 10 de alta no petróleo do tipo Brent representa um ganho de cerca de 5% na geração de caixa dessas empresas, segundo estimativas da XP”, destaca Cabral.

Fatores econômicos e cambiais

Outro ponto importante diz respeito a um aspecto da economia brasileira. O país é exportador líquido de petróleo. Em 2025, a produção local bateu recorde, chegando a quase 5 milhões de barris por dia. A Petrobras sozinha cresceu 11% na produção no ano. Nesse cenário, as receitas são em dólar. Com a moeda norte-americana mais forte, a conversão para reais amplifica ainda mais o ganho”, acrescenta o especialista da Guardian Capital.

Isabela Garcia, analista de inteligência de mercado da StoneX, diz que o movimento das petroleiras brasileiras está diretamente ligado à combinação de crescimento de produção e movimentação do real frente o dólar. Isso afeta principalmente a Petrobras.

“Em linhas gerais, as companhias brasileiras têm investido mais e E&P (exploração e produção), o que acaba apoiando as exportações em um contexto de crescimento menor da demanda interna. Assim, por mais que se tenha demanda das refinarias, o crescimento da oferta acaba refletindo em aumento dos fluxos para o exterior. Com preços do petróleo mais altos, também aumentaria a receita com exportação”, diz Garcia.

Além disso, a desvalorização do real com a maior aversão ao risco também é positivo para as margens dessas companhias, com a receita em dólar contrastando com parte dos custos em real. E esses custos estão relativamente controlados. “As companhias estão menos expostas à importação de petróleo para o abastecimento de refinarias. No caso da Petrobras, por exemplo, a necessidade de petróleo importado é muito pequena, evitando custos adicionais com logística internacional e exposição a gargalos geopolíticos”, arremata.

Petroleiras americanas têm relação mais complexa com alta do petróleo

Por outro lado, no Hemisfério Norte, as maiores petroleiras americanas avançam a um ritmo muito mais modesto. Historicamente, o preço do petróleo e das ações das petroleiras americanas não têm uma relação direta. “O primeiro motivo é o modelo de negócio. As grandes americanas Exxon, Chevron, são o que o mercado chama de majors integradas. Elas não só produzem petróleo, como também refinam e vendem derivados. Quando o petróleo sobe, a margem de refino delas é comprimida: elas pagam mais caro pela matéria-prima, mas não conseguem repassar 100% do aumento ao consumidor imediatamente”, detalha Cabral.

O próprio resultado da Chevron no 4T25 mostrou isso: o lucro caiu um terço por conta exatamente dessa compressão de margem no downstream.

O petróleo americano em muitos casos é produzido a partir do xisto, e seus produtores têm o hábito de fazer um hedge – proteção – que inclui travar o preço de venda de parte da produção futura. “Quando o petróleo dispara, eles já venderam boa parte da produção a preços mais baixos. Por isso, não capturam a alta inteira”, acrescenta o private banker da Guardian.

O Instituto de Pesquisa de Energia dos EUA fez uma avaliação sobre a mudança de comportamento das petroleiras americanas e identificou que “hedging, disciplina de capital e retorno ao acionista tomaram prioridade sobre o crescimento de produção”. Ou seja, nos últimos dez anos, as empresas reduziram consideravelmente sua pressa para perfurar novos campos e aumentar a produção. Em momentos de preço favorável do petróleo, elas se voltam para dentro de suas operações, aumentam a remuneração dos seus acionistas via dividendos e, em alguns casos, escolhem recomprar ações.

Outro fator que separa as empresas brasileiras das americanas é a inflação. “Petróleo caro nos EUA significa inflação doméstica. O mercado começa a precificar que o Fed vai manter os juros altos por mais tempo, o que prejudica as ações americanas de forma geral, inclusive as de energia. Para o Brasil, que é exportador, esse efeito é quase inexistente”, diz Cabral.

Jogo pode virar

Contudo, a Petrobras, em específico, pode sofrer um revés se a crise se prolongar. “O cenário pra frente é muito obscuro, se o petróleo continuar caro é muito improvável que o governo Lula faça o repasse completo na defasagem (do preço da gasolina)”, diz Alexandre Mathias, economista-chefe da Monte Bravo.

Assim, se de fato a Petrobras for utilizada como ferramenta para controlar a inflação, como já aconteceu outras vezes, a perspectiva, segundo Mathias, é a de que a empresa perca lucratividade e tenha dificuldade de reproduzir o desempenho de 2025, quando lucrou mais de R$100 bilhões.

Ele acrescenta que é provável que a performance da Petrobras na bolsa esteja sendo impulsionada pelo fluxo de investimento estrangeiro que veio para o Brasil. Uma mudança em relação à aptidão ao risco, e, por consequência, redução da adesão do capital global aos mercados emergentes, poderia impactar negativamente o desempenho dos papéis da Petrobras.

Além disso, o choque de oferta no mercado – maior até que o do embargo árabe de 1973, segundo a consultoria Rapidan Energy – pode se voltar contra as empresas do setor se houver um dano prolongado à produção e distribuição da commodity e houver o desencadeamento de um esfriamento da economia global. “Petróleo sustentado acima de US$ 100 por barril gera inflação global. Bancos centrais ao redor do mundo ficam impedidos de cortar juros. A atividade econômica desacelera. E aí, sim, a demanda por petróleo começa a cair”, alerta Cabral. “Mas esse ciclo leva tempo”, pondera.

Para o Brasil, se o petróleo ficar muito caro por muito tempo, isso pressionará os custos internos – considerando que o Brasil importa 25% do diesel que consome. Por consequência, pode fazer a inflação doméstica entrar em um novo ciclo de alta, o que pode forçar a Petrobras a discutir reajuste de combustíveis. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse que está monitorando um eventual avanço desse cenário.

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Raphael Coraccini

Analista e repórter de mercado, economia e negócios, Raphael Coraccini é jornalista, especializado em jornalismo econômico e mercado financeiro, mestre e pesquisador em Ciência Social com foco em Ciência Política. Atua na cobertura de autoridades monetárias, autoridades econômicas, resultados corporativos, M&A, mercado de capitais, impostos e tarifas, regulação e outros assuntos relacionados a economia e política.

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