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Petróleo acima de US$ 100 eleva risco de inflação e pressiona economia global, avalia analista
Publicado 15/10/2026 • 14:20 | Atualizado há 39 minutos
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Publicado 15/10/2026 • 14:20 | Atualizado há 39 minutos
KEY POINTS
A escalada dos conflitos no Oriente Médio e os ataques à infraestrutura de petróleo durante a guerra entre Rússia e Ucrânia têm aumentado a pressão sobre os preços da energia. O barril do petróleo Brent ultrapassou os US$ 100 nas últimas semanas e permanece acima desse patamar, em meio às incertezas sobre o abastecimento global.
Para Shin Fukui, gestor de investimentos e sócio da Stratton Capital, o principal sinal de preocupação está no comportamento dos contratos futuros, que passaram a incorporar a possibilidade de preços elevados por mais tempo.
Em entrevista ao programa Real Time, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, o especialista destacou que as projeções para os próximos meses atingiram os níveis mais altos desde o início do conflito envolvendo Estados Unidos e Irã.
“A questão aqui, a preocupação na verdade, é o preço do petróleo no mercado futuro. Ele já está precificando nos níveis mais altos desde o início da guerra”, afirmou.
Segundo Fukui, os contratos para os próximos meses se aproximam de US$ 90 por barril, enquanto as projeções para 2027 avançam em direção aos US$ 80. Antes, o mercado trabalhava com a expectativa de uma redução mais acentuada das cotações após os primeiros impactos da guerra.
Leia também: Excesso de petróleo pesado nas Américas pressiona o mercado internacional
A continuidade das hostilidades em diferentes regiões produtoras de petróleo dificulta uma normalização do mercado. Além dos ataques entre Rússia e Ucrânia contra estruturas ligadas ao setor energético, o Irã mantém ações contra instalações petrolíferas no Golfo.
Outro foco de instabilidade envolve os Houthis, grupo armado do Iêmen que tem ampliado as ameaças ao transporte marítimo na região do Mar Vermelho.
Fukui chamou a atenção para o Estreito de Bab-el-Mandeb, passagem estratégica para o comércio internacional de petróleo. Segundo o gestor, a rota concentra aproximadamente 10% do fluxo mundial da commodity e pode sofrer novas restrições diante da atuação do grupo.
O especialista também mencionou relatos de ataques a petroleiros nas proximidades do Estreito de Ormuz, outra passagem fundamental para o transporte de petróleo produzido no Oriente Médio. Na avaliação do gestor, a multiplicação desses episódios reduz a confiança em uma solução rápida para a crise e ajuda a explicar a elevação das cotações futuras.
Diante da pressão sobre os preços, os Estados Unidos têm recorrido à liberação de petróleo de suas reservas estratégicas para ampliar a oferta e tentar conter os efeitos da crise energética.
De acordo com os números apresentados por Fukui durante a entrevista, os estoques americanos, que superavam 400 milhões de barris antes da guerra, teriam recuado para aproximadamente 280 milhões.
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Siga o Times | CNBCO gestor considera que a redução desses volumes pode se tornar um fator adicional de preocupação caso os conflitos se prolonguem. Isso porque uma diminuição expressiva das reservas limita a capacidade de resposta do governo americano a novas interrupções no fornecimento.
Os efeitos da valorização do petróleo não se restringem às negociações internacionais da commodity. O encarecimento da energia também pode atingir o transporte de mercadorias, os custos de produção e os preços pagos pelos consumidores.
Entre os combustíveis, Fukui apontou o diesel como uma das principais fontes de preocupação, devido à sua importância para a logística e o funcionamento de diferentes atividades econômicas.
“O petróleo tem um efeito de 50% no preço do diesel, e acho que isso também vai ser um problema, vai começar a ser um problema sério se esses conflitos continuarem”, afirmou.
A manutenção dos combustíveis em níveis elevados pode dificultar o controle da inflação e alterar as expectativas para a política monetária. Nesse cenário, investidores passam a considerar a possibilidade de juros mais altos por mais tempo.
Segundo Fukui, esse movimento pode se refletir no aumento do custo do crédito e, posteriormente, atingir outros segmentos dos mercados financeiros.
O cenário político americano representa outra variável para o comportamento do petróleo. Com as eleições legislativas de novembro se aproximando, o governo de Donald Trump enfrenta o desafio de recuperar apoio político enquanto administra os desdobramentos dos conflitos internacionais.
Fukui avalia que as dificuldades para conter simultaneamente diferentes focos de tensão geopolítica aumentam as incertezas em torno da estratégia americana.
O gestor também considera a possibilidade de uma mudança na composição do Congresso, com maior participação democrata, o que poderia ampliar os mecanismos de contrapeso ao Executivo. Na avaliação dele, o Irã acompanha esse cenário político ao definir sua atuação regional.
Apesar das diferentes possibilidades, Fukui ressaltou que o comportamento dos contratos futuros exige atenção diante da mudança nas expectativas dos investidores.
“O que eu posso dizer é que o mercado futuro está precificando um preço de petróleo muito mais alto do que estava precificando no início do conflito”, concluiu.
A evolução das disputas militares, a segurança das rotas de transporte e a capacidade dos países de manter a oferta de petróleo serão fatores determinantes para os preços da energia nos próximos meses.
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