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‘Podemos crescer muito em setores como peixe, frutas e leite com a nova realidade comercial’, diz ex-ministro da Agricultura
Publicado 03/04/2025 • 21:20 | Atualizado há 2 anos
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Publicado 03/04/2025 • 21:20 | Atualizado há 2 anos
KEY POINTS
O setor agropecuário brasileiro, que tem os Estados Unidos como um dos principais destinos de exportação, pode sentir os impactos do aumento de tarifas de importação de 10% anunciado por Donald Trump. No entanto, especialistas acreditam que, apesar do desafio, o Brasil pode encontrar novas oportunidades em outros mercados.
De acordo com Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura, a tarifa de 10% não coloca o Brasil em uma posição pior do que seus concorrentes. Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo, ele explicou: “Essa análise não pode ser feita individualmente. O Brasil está sendo analisado dentro do contexto mundial. A tarifa de 10% é a menor tarifa. Então, os nossos concorrentes estão na mesma situação.” Rodrigues ressaltou que, em termos relativos, o Brasil não está em uma posição mais difícil do que os outros países exportadores.
Embora produtos como carne, café e suco de laranja, que têm forte presença no mercado dos EUA, possam sofrer um aumento nos preços devido à tarifa, ele não vê grandes riscos de uma queda nas exportações. “A nossa tarifa é a mais baixa do mundo, e os países concorrentes terão as mesmas tarifas ou até maiores”, destacou.
Rodrigues também vê o aumento das tarifas como uma oportunidade para o Brasil conquistar novos mercados, especialmente na Ásia e na Europa. “Pode ser que abra novos mercados na China, como também em outros países asiáticos, cujas tarifas subiram muito acima de 30% ou 40%”, disse. Ele ainda acredita que a União Europeia, terceiro maior mercado para o agronegócio brasileiro, pode ser uma chance estratégica de crescimento.
Além disso, o ex-ministro apontou áreas promissoras para o Brasil explorar, como peixe, frutas e leite. “O Brasil tem 8.000 km de costa e 12% da água do mundo, mas não temos nenhum pedaço de peixe no comércio mundial. Isso é algo que podemos crescer muito. Além disso, somos o terceiro maior produtor mundial de frutas, mas ocupamos apenas o 25º lugar no mercado mundial. Temos um espaço gigante para crescer nesse setor”, afirmou.
Rodrigues ainda destacou o potencial do Brasil para aumentar suas exportações de leite, trigo e algodão, produtos nos quais o país tem chances de expandir suas vendas. “O Brasil é o maior exportador mundial de algodão e está crescendo também em carne suína. Temos muito espaço para crescer em várias atividades”, completou.
Em relação à situação atual, o ex-ministro finalizou: “A base é negociação, diplomacia e entendimento. É preciso muito diálogo e uma discussão construtiva para que possamos aproveitar as oportunidades e enfrentar os desafios.”
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