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Nomeação de ministro interino da Justiça acirra disputa por vaga ainda não criada da Segurança

Publicado 10/01/2026 • 12:04 | Atualizado há 14 horas

KEY POINTS

  • Com a decisão, o Planalto sinaliza que pode demorar a escolher o sucessor definitivo de Lewandowski.
  • A intenção de separar a pasta da Justiça e da Segurança Pública desencadeou uma queda de braço pelas duas vagas.
  • O senador Rodrigo Pacheco, que deve deixar o PSD, voltou a ser citado para a Justiça, mas tem dito que não quer um prêmio de consolação.
  • O cargo pode servir para composição política, uma vez que 20 dos 38 ministros devem sair do governo até o início de abril para disputar as eleições.

Wilson Dias/ Agência Brasil

Imagem de arquivo. Manoel Carlos de Almeida Neto na reunião do Conselho Consultivo do Sistema Brasileiro de Inteligência

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva nomeou nesta sexta-feira (9) o secretário executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Manoel Carlos de Almeida Neto, como ministro interino da pasta. O despacho com a exoneração a pedido de Ricardo Lewandowski e a nomeação de Manoel Carlos em caráter temporário saiu em edição extra do Diário Oficial da União.

Com a decisão, o presidente sinaliza que pode demorar a escolher o sucessor definitivo de Lewandowski. Lula quer dividir o ministério, criando uma pasta exclusiva para a segurança, mas ainda avalia as condições para isso.

A saída de Lewandowski e a intenção do presidente de separar as atribuições da Justiça e da Segurança Pública desencadearam uma queda de braço pelas duas vagas.

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinícius Carvalho, disputam a cadeira da Segurança, ainda não criada.

O secretário de Segurança Pública do Piauí, Francisco Lucas Veloso, é o nome preferido do governador Rafael Fonteles e do ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Wellington Dias. Corre por fora o coordenador do grupo Prerrogativas, Marco Aurélio de Carvalho.

O interino, Manoel Carlos, tem a confiança e o apoio de Lewandowski para ficar no comando da Justiça, mas também está no páreo o advogado-geral da Petrobras, Wellington Cesar Lima e Silva.

O cargo pode servir, ainda, para que Lula faça uma composição política, uma vez que aproximadamente 20 dos 38 ministros vão sair do governo até o início de abril para disputar as eleições de outubro. Nesse xadrez, um dos partidos que tendem a ser contemplados é o PSB do vice-presidente Geraldo Alckmin.

O senador Rodrigo Pacheco, que deve deixar o PSD, voltou a ser citado para a Justiça, mas tem dito que não quer um prêmio de consolação. Ex-presidente do Senado, Pacheco queria ter sido indicado para a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), mas Lula preferiu o advogado-geral da União, Jorge Messias.

A escolha irritou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que defendia o nome de Pacheco para a Corte. Lula ainda não desistiu de lançar Pacheco como candidato ao governo de Minas Gerais, mas até agora não houve acordo sobre isso. De qualquer forma, o senador deixará as fileiras do PSD de Gilberto Kassab e pode migrar para o PSB ou para o MDB.

Messias, por sua vez, ainda terá de passar por sabatina no Senado, na volta do recesso parlamentar. O Palácio do Planalto avalia que as resistências a Messias diminuíram após uma conversa entre Lula e Alcolumbre, antes do Natal.

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