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Recuperação judicial da Casas Bahia envolve 28 mil credores e prevê possibilidade de cortes de até 95%

Publicado 01/10/2026 • 11:02 | Atualizado há 1 dia

KEY POINTS

  • O Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial envolvendo cerca de 28 mil credores e um passivo de aproximadamente R$ 17,3 bilhões.
  • Os maiores valores estão concentrados em bancos, fornecedores, fundos, seguradoras e créditos fiscais; entre os 30 maiores credores, os bancos somam R$ 8,23 bilhões.
  • Alguns credores podem enfrentar descontos de até 95% e prazos mais longos para receber, mas as condições variam conforme o tipo de crédito, garantias e negociação no processo.
Casas Bahia: investigação mira supostos R$ 2,98 milhões em propina

Foto: Reprodução

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O pedido de recuperação judicial do Grupo Casas Bahia reúne cerca de 28 mil credores e envolve um passivo de R$ 17,3 bilhões. A relação inclui bancos, fornecedores, trabalhadores, fundos de investimento, seguradoras, órgãos fiscais e partes ligadas a processos judiciais.

Dependendo das condições que vierem a ser aprovadas no processo, parte dessas dívidas poderá sofrer redução de até 95%, além de ter os prazos de pagamento alongados.

A recuperação judicial foi apresentada à Justiça de São Paulo como uma tentativa de reorganizar as obrigações financeiras da companhia. O tamanho dos cortes, os prazos e a forma de pagamento, no entanto, não serão necessariamente iguais para todos. As condições dependerão do tipo de crédito, das garantias existentes e das negociações realizadas ao longo do processo.

Bancos concentram os maiores valores

Segundo o UOL, entre os maiores credores, predominam instituições financeiras. O Banco Digio lidera a relação, com R$ 3,28 bilhões a receber. Em seguida estão Banco do Brasil, com R$ 2,99 bilhões; Zurich Minas Brasil Seguros, com R$ 1,98 bilhão; e Bradesco, com R$ 1,50 bilhão.

Também aparecem entre os primeiros colocados o fundo IBCB-AF01, com R$ 1,09 bilhão, e créditos de ICMS de aproximadamente R$ 1,05 bilhão. Entre os fornecedores da indústria de eletrônicos, a Samsung tem R$ 937,6 milhões registrados, enquanto Whirlpool, Electrolux, LG e Motorola também aparecem na lista dos 30 maiores credores.

Considerados apenas esses 30 maiores nomes, os bancos somam R$ 8,23 bilhões. Fornecedores aparecem com R$ 5,36 bilhões, enquanto fundos concentram R$ 4,81 bilhões. Seguradoras respondem por R$ 2,37 bilhões; créditos fiscais, por R$ 1,93 bilhão; e debêntures, por R$ 568,2 milhões. O levantamento mistura diferentes categorias de obrigações e, portanto, não representa uma única classe de credores dentro da recuperação judicial.

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Fornecedores estão mais expostos às negociações

O impacto da recuperação tende a variar conforme a natureza da dívida. Credores sem garantias específicas, conhecidos no processo como quirografários, costumam ter maior exposição a descontos e a períodos mais longos para receber.

Nesse grupo estão parte dos fornecedores e das instituições financeiras. A relação apresentada pela empresa aponta cerca de R$ 16,4 bilhões em créditos quirografários. A negociação pode envolver redução do valor devido, parcelamento por vários anos ou combinação das duas medidas.

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Fornecedores, porém, também podem ter espaço para negociar condições específicas quando sua atividade é considerada relevante para a continuidade da operação. Empresas responsáveis por mercadorias ou serviços importantes para o funcionamento do varejista podem buscar acordos diferenciados, especialmente quando a manutenção do relacionamento comercial interessa às duas partes.

Trabalhadores e créditos fiscais seguem regras distintas

Nem todos os credores ficam submetidos às mesmas condições aplicáveis aos débitos sem garantia. Créditos trabalhistas têm proteção própria prevista na legislação e seguem regras específicas de pagamento.

As obrigações com trabalhadores somam aproximadamente R$ 754,5 milhões. Já as dívidas com micro e pequenas empresas chegam a cerca de R$ 155,8 milhões. A versão original havia associado, de forma incorreta, o valor dos créditos trabalhistas às pequenas empresas.

Débitos tributários também possuem tratamento próprio e não seguem necessariamente os mesmos termos votados pelos demais credores. Entre os 30 maiores valores relacionados no pedido, as obrigações classificadas como fiscais alcançam R$ 1,93 bilhão.

Desconto máximo não será aplicado automaticamente

A possibilidade de redução de até 95% não significa que todos os 28 mil credores terão esse percentual descontado. O percentual efetivo dependerá da classe do crédito, das condições negociadas e do plano que vier a orientar a reestruturação.

Além do chamado deságio — a redução do valor originalmente devido —, uma recuperação judicial pode prever carências e pagamentos distribuídos ao longo de vários anos. Bancos e fundos, por exemplo, podem negociar levando em conta garantias e condições financeiras específicas, enquanto fornecedores avaliam também o interesse comercial em continuar atendendo à empresa.

Pedido ocorre após deterioração financeira

O pedido foi apresentado após um período de pressão sobre as finanças do Grupo Casas Bahia. O material atribui a crise a fatores como ajustes fiscais, aumento das despesas financeiras, crescimento dos custos e dificuldades na adaptação de recursos no exterior.

A companhia passou ainda por forte desvalorização de suas ações e por mudanças na estrutura de investidores. Nesse cenário, a recuperação judicial é utilizada como instrumento para tentar reorganizar o passivo e estabelecer novas condições para o pagamento das dívidas, enquanto a operação continua em funcionamento.

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