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Casas Bahia é suspeita de pagar quase R$ 3 milhões em propina a agentes da Secretaria da Fazenda de SP, afirma MP

Publicado 06/09/2026 • 15:11 | Atualizado há 43 minutos

KEY POINTS

  • Documentos citam o escritório Buttini de Moraes como intermediário entre grandes contribuintes e agentes da Secretaria da Fazenda de São Paulo.
  • Dados analisados pelo MPSP mostram R$ 49,8 milhões pagos pela Casas Bahia ao escritório por serviços, montante que não corresponde integralmente à suposta propina.
  • Varejista afirma que colabora com as autoridades.
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Foto: divulgação

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O Ministério Público de São Paulo (MPSP) aponta que R$ 2,98 milhões em propina teriam sido pagos no interesse da Casas Bahia a agentes da Secretaria da Fazenda do Estado para obter vantagens na tramitação e liberação de créditos de ICMS.

A investigação sustenta que servidores públicos atuavam para acelerar ou facilitar pedidos de ressarcimento de ICMS-ST e, em contrapartida, recebiam percentuais dos créditos liberados. No caso da Casas Bahia, então identificada em parte dos documentos pelo antigo nome corporativo Via, a taxa apontada pela promotoria seria de 1,5%. A informação foi revelada neste domingo (6) pela coluna de Ramiro Brites, do Metrópoles.

A companhia está em recuperação judicial e declarou cerca de R$ 17 bilhões em dívidas no processo.

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Como funcionaria o esquema

Segundo o MPSP, a organização investigada aproximava grandes contribuintes de servidores da Fazenda paulista responsáveis pela análise de pedidos de ressarcimento de ICMS e pela liberação de créditos tributários.

Profissionais privados captariam as empresas e negociariam facilidades. Agentes públicos, por sua vez, interfeririam na fiscalização e na tramitação administrativa para acelerar ou deferir os processos.

A nova fase da Operação Ícaro, deflagrada na quinta-feira (3), investiga possíveis crimes de organização criminosa, corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O MPSP afirma que os percentuais cobrados nos diferentes episódios variavam de 1% a 10% dos créditos fiscais.

No material relacionado à Casas Bahia, a investigação menciona o escritório Buttini de Moraes, do advogado João André Buttini de Moraes, como um dos elos entre empresas e servidores.

Casas Bahia pagou R$ 49,8 milhões a escritório investigado

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A análise de 88.388 lançamentos realizados entre 2018 e 2025 identificou R$ 140,6 milhões em pagamentos ao escritório Buttini relacionados a serviços prestados para Assaí, Casas Bahia, Ipiranga e Metrópole.

Desse total, R$ 49,8 milhões vieram da Casas Bahia, segundo os dados da medida cautelar. O Assaí aparece como o maior pagador, com R$ 52,9 milhões. Esses valores correspondem a pagamentos por serviços ao escritório.

Ressarcimento de ICMS é legal

O ressarcimento de ICMS-ST é um direito previsto na legislação. Ele pode ocorrer, por exemplo, quando uma companhia recolhe antecipadamente imposto calculado sobre determinada operação e, depois, verifica-se que o valor efetivamente devido foi menor.

A suspeita investigada está na possível utilização de pagamentos ilegais para acelerar, manipular ou garantir decisões administrativas favoráveis.

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Casas Bahia criou comitê para investigar caso

A Casas Bahia afirma que criou, em março, um Comitê Independente de Investigação para apurar as suspeitas relacionadas às liberações de créditos de ICMS em São Paulo.

A constituição do comitê foi comunicada formalmente ao mercado em 26 de março e continua registrada na página de relações com investidores da companhia.

A empresa disse que os trabalhos internos continuam em andamento, que permanece à disposição das autoridades e que repudia atos ilícitos ou práticas contrárias à legislação.

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