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Se eleito, desafio de Flávio será conciliar alinhamento aos EUA e relação com a China, diz professora Denilde Holzhacker
Publicado 07/10/2026 • 17:50 | Atualizado há 55 minutos
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Publicado 07/10/2026 • 17:50 | Atualizado há 55 minutos
KEY POINTS
Um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL) teria o desafio de ampliar o alinhamento com os Estados Unidos de Donald Trump e, ao mesmo tempo, preservar a relação econômica do Brasil com a China, avaliou Denilde Holzhacker, professora de Relações Internacionais da ESPM, em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.
Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disputam o segundo turno da eleição presidencial depois de terminarem o primeiro turno com 47,03% e 45,16% dos votos válidos, respectivamente.
Segundo Holzhacker, uma vitória de Flávio representaria uma mudança relevante na orientação da política externa brasileira, com maior proximidade em relação a Washington e a governos alinhados aos Estados Unidos.
Leia também: DECISÃO 2026: “Grande vitória. Incrível”, diz Trump sobre desempenho de Flávio Bolsonaro no 1º turno
“O Flávio e os aliados já deixaram claro que a gente muda o nosso foco de política externa para ser de maior alinhamento com os Estados Unidos, de maior alinhamento ideológico com governos que hoje são apoiados pelo governo Trump”, afirmou.
Na avaliação da professora, a maior dificuldade estaria em preservar a relação econômica com Pequim enquanto o Brasil buscasse maior alinhamento político com Washington.
“O que tem de desafio forte para o Flávio é a relação com a China. É como conciliar essa ação de alinhamento com os Estados Unidos e manter o pragmatismo e a geografia econômica”, disse.
Holzhacker ressaltou que a China tem peso relevante para setores brasileiros como o agronegócio e também participa de investimentos no país.
“Do ponto de vista econômico, [o Brasil não pode] se desmanchar dessa natureza, que é a China hoje ser um grande parceiro econômico, um grande parceiro para setores importantes como o agronegócio”, afirmou.
Para ela, a capacidade de equilibrar essas duas relações seria uma das questões centrais da política externa de um eventual governo Flávio.
Em caso de vitória de Lula, Holzhacker avalia que a tendência seria manter canais de negociação com Washington e, ao mesmo tempo, buscar maior diversificação de parceiros internacionais.
“Vai provavelmente manter a estratégia que a gente já tem usado: tentar manter canais de negociação, canais de diálogo, mas buscar uma diversificação e apoio em outros países para não ficar dependente dos Estados Unidos”, afirmou.
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Siga o Times | CNBCSegundo ela, a redução da dependência econômica e política em relação aos Estados Unidos continuaria sendo parte dessa estratégia caso a postura americana em relação ao Brasil não mudasse.
Holzhacker também avaliou que a relação com Donald Trump continuará sendo um desafio para qualquer um dos dois candidatos.
“O Trump vai pressionar bastante independente de qual governo, de quem ganhar a eleição. Ele vai continuar pressionando o Brasil porque faz parte da estratégia global dele”, disse.
A professora afirmou que, mesmo diante de eventual perda de força política doméstica de Trump, o presidente americano ainda teria instrumentos importantes nas áreas comercial e de política externa.
Para Holzhacker, Washington vê vantagem estratégica em ampliar sua influência sobre governos latino-americanos e conter o espaço da China na região.
Leia também: EXCLUSIVO CNBC: Resultado no Brasil fortalece estratégia de Trump na América Latina, diz Ian Bremmer
Nesse cenário, o peso do Brasil tornaria o país relevante para a estratégia americana, segundo sua avaliação.
A especialista destacou ainda que temas como minerais críticos, tecnologia, segurança e investimentos podem ganhar espaço na relação entre Brasil e Estados Unidos.
Em um eventual governo Flávio, Holzhacker acredita que também poderia haver maior aproximação com iniciativas americanas na área de segurança na América Latina.
“A gente tem questões estratégicas que vão ser negociadas. E aí vai depender da capacidade brasileira de negociação e do governo brasileiro olhando para o longo prazo: minerais críticos, as questões ligadas à tecnologia, acesso a investimentos no Brasil”, afirmou.
Para a professora, essas áreas podem ser usadas pelo Brasil como parte de uma negociação mais ampla com Washington, independentemente do resultado da eleição.
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