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STF diz que nunca foi cogitado o afastamento de Dias Toffoli da relatoria do caso Banco Master

Publicado 13/01/2026 • 17:00 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Toffoli é relator do inquérito do caso Master no STF, que envolve a Reag Investimentos. O ministro passou a conduzir o processo após aceitar pedido da defesa do banqueiro Daniel Vorcaro para que a investigação fosse enviada ao STF.
  • A permanência do ministro no caso entrou no centro do debate após a revelação de que empresas ligadas a familiares de Toffoli tiveram como sócio um fundo de investimentos conectado a estruturas investigadas no inquérito.
  • A Corte afirmou ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC que não houve indicação de mudança na relatoria após informações que levantaram suposto impedimento

Ton Molina/Fotoarena/Estadão Conteúdo

Ministro Dias Toffoli durante sessão no STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) afirmou ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC que nunca houve qualquer indicação de que o ministro Dias Toffoli deixaria a relatoria do inquérito do Banco Master. A declaração da Corte ocorre em meio à repercussão de informações sobre relações societárias envolvendo empresas ligadas a familiares do ministro e um fundo de investimentos associado a estruturas sob investigação.

Toffoli é relator do inquérito do caso Master no Supremo Tribunal Federal, que envolve a Reag Investimentos. Ele passou a conduzir o processo após aceitar um pedido da defesa do banqueiro Daniel Vorcaro para que a investigação fosse enviada ao STF.

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A permanência do ministro no caso entrou no centro do debate após a revelação de que empresas ligadas a familiares de Toffoli tiveram como sócio um fundo de investimentos conectado a estruturas investigadas no inquérito.

Conforme mostrou o Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, os irmãos do ministro Dias Toffoli cederam uma fatia milionária no resort Tayaya, em Ribeirão Claro, no Paraná, a um fundo da Reag Investimentos, investigado por abrigar teias de fundos ligados ao Banco Master e suspeitos de sonegação bilionária no mercado de combustíveis.

Procurados, o ministro Dias Toffoli, seus irmãos e a administração do resort não se manifestaram.

O ministro não tem participação direta no resort, mas frequenta o Tayaya. Seus irmãos e pelo menos um primo tiveram participação acionária na empresa.

O Arleen Fundo de Investimentos, da Reag, chegou a investir R$ 20 milhões em duas empresas de familiares do ministro responsáveis pelo resort de 58 mil metros quadrados, como revelou a Folha de S. Paulo. O jornal mostrou que o Arleen investiu em outros fundos que estão sob suspeita pela PF.

A gestora e administradora de recursos financeiros Reag abrigou teias de fundos ligadas ao dono do banco Master, investigadas pela Polícia Federal. Também foi alvo da PF por abrigar fundos usados por suspeitos de sonegação e envolvimento com o PCC no setor de combustíveis.

O Estadão obteve acesso a documentos da sociedade ao longo dos últimos anos. Uma das empresas beneficiada por investimentos do fundo Arleen é a Tayaya Administração e Participações, que foi aberta em 2011 pelo primo do ministro, Mario Umberto Degani. A outra era a DGEP, também do primo do ministro.

Em 2021, a Maridt Participações S.A., que tinha como dirigentes dois irmãos do ministro, Jose Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, se tornou sócia do empreendimento.

José Carlos Dias Toffoli é padre na cidade de Marília, reduto do ministro, e José Eugênio é engenheiro e chegou a prestar serviços para a Queiroz Galvão, empreiteira envolvida na Operação Lava Jato, entre 2008 e 2015. Ele não foi denunciado na operação.

Documentos da Junta Comercial do Paraná mostram que a fatia dos irmãos chegou a ser de R$ 1,37 milhão na Tayaya Administração e de outros R$ 5,4 milhões na DGEP Empreendimentos.

Em setembro daquele ano, a Maridt vendeu uma parte de sua participação na Tayaya, no valor de R$ 618 mil, ao Arleen. No mesmo dia, transferiu, em termos idênticos, R$ 2,54 milhões de sua fatia na DGEP.

Atualmente, nem o fundo nem os familiares de Toffoli permaneceram formalmente na sociedade. O Arleen, o primo e os irmãos de Toffoli cederam suas quotas para o advogado de Goiás Paulo Humberto Barbosa, atualmente único sócio das empresas.

O fundo Arleen foi aberto em 2021, com prazo para durar 20 anos, conforme documentações entregues à Comissão de Valores Mobiliários. Ele tem apenas um cotista, que é outro fundo gerido pela Reag.

No início de novembro de 2025, dois meses depois da deflagração da operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, que investiga o uso de fundos da Reag para lavagem de dinheiro para o PCC, uma assembleia de cotistas decidiu por sua liquidação.

No mesmo mês, dias depois, o banqueiro Daniel Vorcaro seria preso pela Polícia Federal por fraudes no Banco Master. Fundos da Reag também são alvo da investigação.

Pareceres de auditoria entregues à CVM mostram que empresas se abstiveram de opinar sobre a veracidade das demonstrações financeiras do Arleen em razão da falta de documentos que teriam de ter sido entregues para escrutinar seus ativos, como era o caso do Tayaya. Em um dos pareceres, foi citada preocupação dos auditores com a deflagração da Operação Carbono Oculto e suas eventuais ligações com o fundo.

O ministro Dias Toffoli frequenta o Tayaya há anos. Como mostrou a Folha de S. Paulo, em 2019, foi a eventos no interior de São Paulo e no Paraná e esticou sua estadia no resort.

Mais recentemente, foi amplamente divulgado que Toffoli chegou ao Tayaya de helicóptero, após pegar um voo em um avião usado por Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, alvo da Operação Carbono Oculto e um dos controladores da Copape, suspeita de sonegação bilionária.

Procurados, o Tayaya, Jose Eugenio Dias Toffoli, o ministro Dias Toffoli, Paulo Humberto Barbosa, José Carlos Dias Toffoli e representantes da Reag Investimentos não se manifestaram.

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