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Tratamento de resíduos no Rio de Janeiro impulsiona atividade econômica e beneficia saúde pública, diz estudo

Publicado 13/10/2026 • 12:30 | Atualizado há 50 minutos

KEY POINTS

  • Gestão de resíduos sólidos no Rio de Janeiro gera impacto econômico, social e ambiental estimado entre R$ 1,40 bilhão e R$ 1,65 bilhão por ano.
  • Estudo aponta potencial de incremento de R$ 926,7 milhões no PIB regional e manutenção de mais de 1.700 empregos diretos e indiretos.
  • Tratamento adequado do lixo pode reduzir doenças e internações hospitalares, além de contribuir para a reciclagem e o aproveitamento energético dos resíduos.

A gestão e o tratamento de resíduos sólidos no estado do Rio de Janeiro geram um impacto econômico, social e ambiental estimado entre R$ 1,40 bilhão e R$ 1,65 bilhão por ano. Os dados fazem parte de um estudo elaborado pela consultoria Pezco Economics, apresentado nesta terça-feira (13), durante um encontro promovido pela Regenera Rio, empresa do Grupo Aegea responsável pela gestão e pelo tratamento de resíduos sólidos no estado.

O evento reuniu representantes dos setores público e privado, além de especialistas, para discutir os investimentos na modernização do tratamento do lixo urbano e os efeitos dessa atividade sobre a economia, o meio ambiente e a população.

De acordo com o levantamento, a operação da Regenera Rio tem potencial para acrescentar aproximadamente R$ 926,7 milhões ao Produto Interno Bruto (PIB) regional, além de contribuir para a manutenção de mais de 1.700 empregos diretos e indiretos.

Estudo reúne 38 pesquisas nacionais e internacionais

Para calcular os impactos da atividade, a Pezco Economics utilizou informações de 38 estudos realizados no Brasil e em outros países. A análise combinou modelos econômicos, indicadores ambientais e sociais e dados operacionais fornecidos pela Regenera Rio.

Segundo Gabriel Fiuza, representante da consultoria, o objetivo foi selecionar parâmetros que permitissem avaliar os efeitos da gestão de resíduos de acordo com as características da operação fluminense.

“Utilizamos 38 estudos do Brasil e do mundo e fizemos uma seleção dos parâmetros mais adequados para analisar o caso específico da Regenera Rio”, explicou.

A metodologia também considerou modelos econômicos baseados em informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), além de visitas técnicas e conversas com profissionais do setor.

O cruzamento dessas informações permitiu estimar tanto a movimentação econômica associada à operação quanto os benefícios que não aparecem diretamente nos indicadores de produção e renda.

“Desse R$ 1,5 bilhão, cerca de R$ 900 milhões correspondem à movimentação do PIB. O restante representa benefícios sociais e ambientais para a população”, afirmou Fiuza.

Leia também: Estudo estima impacto de até R$ 1,65 bilhão por ano com gestão de resíduos no Rio

Tratamento adequado pode reduzir doenças e internações

Um dos aspectos analisados foi a relação entre o gerenciamento de resíduos e a saúde pública. O descarte irregular de lixo pode favorecer a proliferação de vetores de doenças, contaminar o solo e os recursos hídricos e ampliar a exposição da população a condições sanitárias inadequadas.

Segundo as estimativas apresentadas, a gestão adequada dos resíduos contribui para evitar entre 28 mil e 44 mil casos de doenças por ano. O levantamento também aponta a possibilidade de prevenir de 28 mil a mais de 40 mil internações hospitalares anualmente.

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Esses efeitos representam uma economia potencial para o Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente pela redução de gastos associados ao atendimento e ao tratamento de doenças relacionadas às condições ambientais.

Biometano produzido a partir do lixo abastece veículos pesados

Além dos indicadores econômicos e sanitários, a Regenera Rio apresentou iniciativas voltadas ao aproveitamento dos resíduos recebidos em suas unidades.

Uma delas é a utilização de biometano como combustível. A empresa colocou em circulação uma frota de 60 veículos pesados abastecidos integralmente com esse gás, produzido a partir da purificação do biogás gerado pela decomposição de resíduos orgânicos no aterro sanitário localizado em Seropédica, na Região Metropolitana do Rio.

O processo permite transformar parte dos gases provenientes da decomposição do lixo em combustível para o transporte, reduzindo a dependência de fontes fósseis, como o diesel.

A utilização do biometano integra a estratégia de aproveitamento energético dos resíduos, que busca recuperar materiais e recursos que, de outra forma, seriam destinados apenas à disposição final.

Reciclagem e inclusão de catadores integram estratégia

Outra frente de atuação envolve a ampliação da reciclagem e a valorização de materiais descartados. A proposta está relacionada ao conceito de economia circular, que busca manter produtos e matérias-primas em uso por mais tempo, diminuindo o desperdício e a necessidade de extração de novos recursos naturais.

Nesse contexto, a inclusão de catadores de materiais recicláveis é apontada como parte das iniciativas sociais associadas à gestão de resíduos. A participação desses trabalhadores contribui para a recuperação de materiais que podem retornar às cadeias produtivas.

As discussões realizadas durante o encontro também abordaram a necessidade de ampliar a eficiência dos sistemas de coleta, transporte e tratamento do lixo urbano, considerando os impactos ambientais e os custos envolvidos nessas atividades.

Dados operacionais e modelos econômicos embasam projeções

Gabriel Fiuza destacou que a análise procurou aproximar os resultados dos modelos econômicos das condições observadas nas unidades da empresa, incluindo a operação de Seropédica, que concentra parte importante do tratamento dos resíduos.

“Visitamos a operação e conversamos com especialistas. O estudo parte de modelos do IBGE e de conceitos econômicos, combinados com dados fornecidos pela Regenera Rio sobre a realidade do setor”, explicou.

A pesquisa busca dimensionar os efeitos da atividade para além da receita das empresas envolvidas, considerando também a geração de renda, a manutenção de empregos, a redução de riscos sanitários e o aproveitamento de recursos.

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