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Vinicius Torres Freire: queda “brutal” dos juros explica euforia do mercado após 1º turno das eleições

Publicado 05/10/2026 • 22:51 | Atualizado há 44 minutos

KEY POINTS

  • Analista diz que taxas de dois a cinco anos chegaram a cair cerca de 1 ponto percentual em um único dia.
  • Movimento refletiu expectativa maior de ajuste fiscal e levou investidores a reposicionar carteiras.
  • Sustentação da alta dependerá de resultado eleitoral, plano econômico, equipe, Congresso e execução das medidas.

A forte reação dos mercados após o primeiro turno das eleições foi puxada principalmente pela queda das taxas de juros e pelo reposicionamento das carteiras diante de uma expectativa maior de ajuste fiscal. É o que avaliou Vinicius Torres Freire, analista de política e economia do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.

Segundo ele, taxas de juros com vencimentos entre dois e cinco anos chegaram a recuar cerca de 1 ponto percentual em um único dia, movimento que classificou como “brutal”.

“Parece pouca coisa, mas isso é brutal num dia só. Isso mexe com tudo, mexe com dólar, mexe com bolsa”, afirmou.

Na avaliação de Torres Freire, a leitura inicial do mercado foi de aumento da probabilidade de um ajuste fiscal em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL), após o candidato terminar o primeiro turno à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O analista ressaltou, porém, que se trata de uma expectativa, e não de uma mudança já concretizada na política econômica.

“Se aumenta as chances de vitória do Flávio, isso sustenta a tese — não é a realidade, porque o futuro ninguém sabe — de que é mais provável um ajuste”, disse.

Queda dos juros provocou reposicionamento

Torres Freire explicou que a mudança nas taxas obrigou investidores a rever posições rapidamente.

“Taxa de juros caindo muda o valor de todas as carteiras de investimento, muda o valor dos títulos que você tem. E aí foi um movimento de manada”, afirmou.

Ele explicou que a queda dos juros altera a precificação de diferentes classes de ativos e tende a favorecer ações mais sensíveis à atividade doméstica.

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“Taxa de juros menor, por incrível que pareça, é bom para banco, é bom para varejo”, afirmou.

O movimento também teve reflexos sobre o câmbio e a bolsa, que registraram forte reação após a abertura dos mercados.

Alta depende de uma sequência de fatores

Apesar da reação, Torres Freire afirmou que ainda é cedo para dizer se o novo patamar dos ativos será sustentável.

Para ele, o tamanho da mudança dependerá de uma série de etapas: resultado do segundo turno, definição do plano fiscal e econômico, composição da equipe, capacidade de aprovação no Congresso e implementação das medidas.

O analista também destacou que eventuais medidas de ajuste terão custos políticos e econômicos, o que colocará à prova a disposição de um futuro governo para mantê-las.

“Implementando, isso vai causar dores. Eles vão desistir no meio do caminho ou não? Então são vários degraus para serem seguidos”, disse.

Para Torres Freire, se essas etapas avançarem, a tendência seria de juros mais baixos, valorização de títulos e ações e pressão de baixa sobre o dólar.

Ele ponderou, no entanto, que a reação atual ainda está baseada em probabilidades e expectativas.

“Se é realista ou não, depende da realidade. Mas a análise dos dados de hoje faz com que as pessoas mudem suas carteiras de investimento”, afirmou.

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