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Allan Ravagnani AI-451

Google Maps com Gemini embarcado promete engolir aplicativos como Booking e TripAdvisor; entenda

Publicado 03/04/2026 • 13:00 | Atualizado há 2 horas

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Allan Ravagnani

Redator

Allan Ravagnani é jornalista há 20 anos, duas vezes eleito entre os 50 jornalistas de Economia mais admirados do Brasil. Assina a coluna AI-451 e é repórter do Times Brasil | CNBC. Estudou Publicidade na ESPM e Jornalismo na Fapcom, fez pós-graduações em Macroeconomia, Finanças e Ciência Política.

KEY POINTS

  • Google Maps com Gemini elimina apps intermediários de recomendação e reservas
  • Ask Maps responde perguntas complexas com dados de 300 milhões de lugares
  • Immersive Navigation é maior atualização do Google Maps em mais de uma década
Google Maps

Divulgação Google

Google Maps ganhou Gemini e virou plataforma de decisão. Entenda por que o Google Maps ameaça engolir rivais e o que muda para você

Você é do time que prefere o Waze ao Google Maps? Tudo bem. Eu também. Não sei ao certo se é preferência, hábito, ou se o meu próprio carro já conecta direto no Waze antes que eu pense em qualquer coisa. Mas o fato é que aquele aplicativo de mapa com a voz meio irritante, a que interrompe o podcast na hora errada para avisar "vire à direita em 800 metros", acabou de ganhar uma atualização que vai chegar com o pé na porta (no Brasil ainda não).

Foi em meados de março que o Google Maps anunciou a mudança que irá absorver uma fatia considerável do que costumava ser feito em outros aplicativos. O TripAdvisor para descobrir restaurantes. O Booking para reservar mesa e hotel. O Waze para evitar o trânsito. O Maps do Google, discretamente, foi embalando tudo em único produto e chamou de atualização.

A novidade principal se chama Ask Maps. É uma camada conversacional alimentada pelo Gemini, modelo de inteligência artificial (olha ela aí) do Google, que permite ao usuário fazer perguntas em linguagem natural diretamente no Maps.

Não é mais "restaurante italiano perto de mim". É "meu celular está quase sem bateria, onde posso carregá-lo sem esperar na fila de uma cafeteria?". O sistema entende a intenção, consulta mais de 300 milhões de lugares catalogados por mais de 500 milhões de contribuidores ao redor do planeta e devolve uma resposta que já inclui contexto, mapa e caminho até a ação.

Google Maps
Navegação Imersiva: a maior evolução da experiência de mapas na última década; divulgação Google

Durante a última década e meia, o ecossistema digital funcionou por meio de mediação. Você queria ir a algum lugar, consultava um app de avaliações, abria o Maps para chegar lá, depois talvez um terceiro app para reservar. Cada etapa era uma oportunidade para outro produto existir. O Ask Maps vai concentrar esse fluxo num único gesto.

A newsletter americana Magna, especializada em inteligência artificial, resumiu que a jogada se trata de uma consolidação de plataforma disfarçada de funcionalidade. Quando uma única plataforma controla a descoberta e a execução, o software de terceiros não está mais competindo. Está sendo descontinuado.

O aplicativo, que superou dois bilhões de usuários mensais no terceiro trimestre de 2024, não está se posicionando mais como um sistema de navegação, mas está sendo construído como uma plataforma conversacional para descoberta de lugares, planejamento de viagens e compreensão espacial. A distinção importa porque plataforma é território, não produto. Território tem fronteiras. E fronteiras excluem.

Navegação ganhou profundidade

A segunda grande novidade é o Immersive Navigation, que o Google descreve como a maior atualização da experiência de condução em mais de uma década. O modo substitui o mapa plano e esquemático por um ambiente tridimensional contínuo que mostra edifícios próximos, viadutos e o terreno em volta.

Quando importa, em cruzamentos complicados ou fusões de rodovias, o mapa destaca faixas, faixas de pedestres, semáforos e sinais de parada.

Os modelos Gemini analisam imagens do Street View e fotos aéreas para renderizar representações precisas de pontos de referência, canteiros centrais e geometria de vias ao longo da rota. Cada prédio renderizado em 3D durante a navegação foi montado por um sistema de inteligência artificial que olhou para imagens do Street View e entendeu a estrutura física bem o suficiente para recriá-la em escala. É o tipo de capacidade que o Google passou 20 anos construindo e que nenhum rival consegue replicar sem o mesmo volume de dados.

Vale um parêntese para quem usa Waze (nós) e acha que está fora dessa história. O Google confirmou que as duas plataformas já compartilham dados de comunidade em tempo real. O Waze alimenta o Maps com alertas de trânsito, radares e policiamento. Os produtos são rivais na aparência e sócios por baixo do capô.

Privacidade volta ao jogo

A personalização do Ask Maps levanta questões que o Google ainda não respondeu completamente. Os resultados são ajustados com base no histórico de buscas e lugares salvos pelo usuário no próprio Maps. Miriam Daniel, vice-presidente do Google Maps, garantiu em briefing à imprensa que o sistema não cruza dados com outros aplicativos como Gmail ou YouTube.

Mas quando perguntaram se os resultados do Ask Maps poderiam um dia incluir anúncios ou posições pagas, o diretor de produto Andrew Duchi não descartou a possibilidade. Disse apenas que, por ora, o foco é oferecer a melhor experiência possível.

"Por ora" é uma ressalva que merece atenção.

Brasil ainda espera

Por enquanto, nada disso está disponível por aqui. O lançamento do Ask Maps e do Immersive Navigation aconteceu nos Estados Unidos e na Índia. O Google tampouco confirmou data de chegada ao Brasil. Com base no histórico de outras atualizações da empresa, a expectativa é de que os recursos cheguem para usuários brasileiros entre o segundo e o terceiro trimestre deste ano, possivelmente de forma gradual, com algumas funções chegando antes de outras. Há quem aposte que as funcionalidades de inteligência artificial podem aparecer por aqui ainda no primeiro semestre.

O português brasileiro já é suportado pelo Gemini em outras plataformas do Google, o que favorece uma chegada mais rápida. Até lá, o Google Maps vai continuar interrompendo o podcast na hora errada.


Recado ao leitor

Este texto saiu com duas semanas de atraso em relação ao anúncio oficial do Google. Sei disso. Mas achei o assunto relevante demais para não comentar, já que só existimos há quatro dias. Ainda estou acertando a mão na redação da AI-451, descobrindo o tom certo para falar de inteligência artificial com quem não é programador e também não pretende ser. Se você está aqui por curiosidade, por interesse nos negócios ou simplesmente porque quer entender um pouco mais desse universo, é exatamente para você que escrevo. O retorno que tenho recebido está me ajudando a encontrar o caminho. Obrigado por isso.

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