Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no
Relação tóxica no trabalho pode causar doenças físicas e afastar funcionários
Publicado 06/10/2025 • 18:44 | Atualizado há 5 meses
Chefe da UE condena “ataques injustificáveis” do Irã aos Emirados Árabes Unidos
Trump ordena que agências federais interrompam uso de tecnologias da Anthropic
Paramount vence disputa bilionária, mas instala clima de incerteza na Warner; saiba por que
Como a participação bilionária da Amazon na OpenAI pode impulsionar seus negócios de IA e nuvem
Block demite 4 mil e troca quase metade da equipe por IA
Publicado 06/10/2025 • 18:44 | Atualizado há 5 meses
Unsplash.
Ambientes de trabalho problemáticos vão além do desgaste emocional e impactam diretamente a saúde do corpo, com prejuízos bilionários e aumento nas licenças médicas.
Nos últimos anos, a relação entre saúde física e ambiente de trabalho tornou-se ainda mais evidente. Dores recorrentes, insônia, crises de ansiedade, problemas gastrointestinais, queda na imunidade e até doenças autoimunes aparecem cada vez mais como consequência direta de um ambiente profissional tóxico. O corpo reage ao local onde vivemos — e, no trabalho, os impactos são profundos. Métodos de gestão baseados em pressão constante, falta de reconhecimento, reuniões hostis e cobranças excessivas geram estresse crônico, capaz de afetar não só o equilíbrio emocional, mas também a saúde física.
Essa situação vai além das consultas médicas. Dados recentes confirmam a gravidade do quadro: segundo levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT), problemas de saúde mental entre trabalhadores afetam cerca de 15% da população economicamente ativa, gerando custos globais de aproximadamente US$ 1 trilhão por ano e 12 bilhões de dias de trabalho perdidos.
No Brasil, o Ministério da Previdência Social aponta que os afastamentos por transtornos mentais praticamente dobraram na última década — de pouco mais de 200 mil em 2014 para 440 mil em 2024. Além disso, pesquisas nacionais mostram que 67% dos entrevistados sentem o estresse presente em sua rotina profissional e 57% consideram que seus líderes não estão preparados para lidar com saúde mental. Muitas vezes, não é uma doença clínica que explica os sintomas, mas sim o ambiente em que o trabalhador está inserido.
Leia mais colunas do Brazil Health
Mudar esse cenário exige uma postura ativa das empresas. A criação de um ambiente saudável começa pela preparação de líderes empáticos, com escuta ativa e comunicação respeitosa. Não basta oferecer ações isoladas de bem-estar — é necessário consolidar uma cultura de respeito, acolhimento e valorização das pessoas.
A saúde no trabalho deve ser abordada de forma integrada, com equipes multidisciplinares que reúnam profissionais de saúde e de recursos humanos para estratégias conjuntas. Práticas como promover pausas regulares, respeitar horários de descanso e incentivar o equilíbrio entre vida pessoal e profissional mostram resultados concretos no bem-estar físico e emocional.
É fundamental que cada trabalhador esteja atento aos sinais do próprio corpo. Dificuldade para dormir, ansiedade antes do expediente, problemas digestivos sem explicação, sensação de cansaço constante e queda da imunidade são alertas que precisam ser observados. Ignorar esses indícios pode levar a situações mais graves, como depressão, exaustão extrema ou doenças autoimunes.
Buscar ajuda médica e psicológica deve andar junto de atitudes preventivas diárias, como dormir bem, se alimentar de forma equilibrada, praticar atividades físicas e estabelecer limites claros entre trabalho e vida pessoal.
Dr. Marco Aurélio Bussacarini
Graduado em Medicina pela UNICAMP e especialista em Medicina Ocupacional pela USP. Fundador e CEO da Aventus Ocupacional.
__
Mais lidas
1
De ouro a dólar: conflito entre EUA e Irã tem ‘grande potencial de gerar inflação’ e afetar investimentos
2
EUA x Irã: entenda como conflito pressiona custos e logística do agronegócio brasileiro
3
Brasil encerra 2025 com 50% da população adulta inadimplente
4
Caos no espaço aéreo: 3 mil voos são cancelados ou desviados após confronto entre EUA, Israel e Irã
5
Cerca de 150 petroleiros estão parados no Estreito de Ormuz