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Afiliada da Globo vendida por R$ 300 milhões escancara crise da TV aberta

Publicado 31/01/2026 • 09:14 | Atualizado há 2 horas

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Semanalmente, Michaele Gasparini destrincha um dos principais temas da indústria de mídia na semana. Nada passa despercebido ao olhar da colunista: tudo o que movimenta o mercado e rende milhões de dólares em publicidade nas emissoras de televisão e nas plataformas de streaming estará aqui.

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RPC é a principal afiliada da Globo no Brasil

A venda da RPC, principal afiliada da Globo no país, é um dos movimentos mais emblemáticos do atual cenário de transformação da televisão brasileira.

Comercializada por cerca de R$ 300 milhões, a emissora paranaense foi adquirida pelo empresário Mariano Lemanski, cuja família era acionista minoritária da emissora, marcando o fim de uma era em que a TV aberta regional representava estabilidade e prestígio para grandes conglomerados de mídia.

Fundada pela família Cunha Pereira e até então parte do mesmo grupo da Gazeta do Povo, a RPC foi um dos pilares da presença da Globo no Sul do país. Com oito emissoras cobrindo todo o Paraná e cerca de 350 municípios, era considerada uma das mais relevantes e influentes afiliadas da líder de audiência. A venda definitiva, após mais de dois anos de negociações, é mais uma evidência do desgaste progressivo da TV linear diante da ascensão de novos formatos e plataformas digitais.

O valor da transação, estimado em R$ 300 milhões, reforça o peso ainda atribuído a estruturas tradicionais de comunicação, mas também revela a desvalorização frente ao passado recente. Nos anos 2000, esse tipo de emissora era avaliado por cifras muito superiores, em função do poder local de influência e da robusta geração de receita publicitária. Atualmente, o declínio da audiência e a fragmentação do consumo midiático colocaram em xeque o modelo de negócio das TVs afiliadas.

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O novo grupo controlador da RPC será liderado por Eduardo Boschetti, que já atuava na equipe da emissora. Apesar de manter o vínculo contratual com a Globo, a nova gestão se propõe a implementar mudanças operacionais e estratégicas. A separação definitiva da Gazeta do Povo, que seguirá nas mãos da família Cunha Pereira, também encerra um ciclo de atuação conjunta de décadas no mercado paranaense.

Mais do que uma simples troca de controle acionário, a venda da RPC representa um marco simbólico na reconfiguração da televisão regional no Brasil. A Globo, que já tem enfrentado dificuldades para manter parcerias com algumas afiliadas, vê agora sua principal parceira fora do eixo Rio-São Paulo mudar de mãos, o que pode ter impacto direto na padronização de conteúdos e na manutenção da linha editorial nacional.

A negociação acontece em um momento de queda acelerada no consumo de TV aberta, especialmente entre o público jovem e urbano. Dados recentes mostram que o tempo médio diante da televisão tradicional vem diminuindo ano após ano, enquanto as plataformas de streaming, redes sociais e YouTube avançam como fontes primárias de entretenimento e informação. Esse movimento pressiona redes e afiliadas a repensarem seus modelos de operação.

Internamente, o processo de venda da RPC também escancarou as dificuldades enfrentadas por grupos de mídia regionais. A Gazeta do Povo, que já havia alterado seu modelo para o digital nos últimos anos, optou por concentrar seus esforços no jornalismo online, deixando de lado um ativo antes considerado essencial. A separação jurídica e estrutural entre jornal e emissora reforça essa mudança de foco e evidencia a busca por sustentabilidade em um cenário adverso.

A tendência é que outras negociações semelhantes ocorram nos próximos anos. Com a queda de receitas publicitárias, aumento da concorrência digital e necessidade de modernização tecnológica, a permanência de afiliadas tradicionais sob controle familiar ou regional tende a diminuir.

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