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Patrocínios milionários fazem do Carnaval um dos maiores negócios do ano

Publicado 13/02/2026 • 21:28 | Atualizado há 8 meses

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Fábrica de Mídia

Semanalmente, Michaele Gasparini destrincha um dos principais temas da indústria de mídia na semana. Nada passa despercebido ao olhar da colunista: tudo o que movimenta o mercado e rende milhões de dólares em publicidade nas emissoras de televisão e nas plataformas de streaming estará aqui.

Bloco de carnaval

Foto: PEDRO TEIXEIRA/ESTADÃO CONTEÚDO

Bloco de carnaval

O Carnaval está movimentando a indústria de mídia brasileira em diversas frentes, da televisão aberta às plataformas digitais, passando por publicidade, produção audiovisual e eventos ao vivo. Trata-se de um dos períodos de maior ativação comercial do ano, comparável à Copa do Mundo em termos de engajamento nacional. Para emissoras e veículos digitais, a festa representa pico de audiência, aumento de inventário publicitário e fortalecimento de marcas junto ao público.

Na televisão aberta, o Carnaval impulsiona receitas com patrocínios e cotas comerciais. A Globo, que detém os direitos de transmissão dos desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro e de São Paulo, cobra valores superiores a R$ 200 milhões, considerando cotas de transmissão, ações de merchandising e inserções multiplataforma. Além da TV, as plataformas digitais ampliaram a monetização do evento.

Redes como YouTube, TikTok e Instagram registram picos de visualizações em transmissões ao vivo e conteúdos derivados, como bastidores, entrevistas e cobertura de blocos de rua. Marcas investem em influenciadores e criadores de conteúdo para ativações específicas, com contratos que variam de R$ 50 mil a mais de R$ 1 milhão, dependendo do alcance do perfil. Segundo dados da Kantar Ibope Media, o consumo de vídeo online cresce significativamente no período, ampliando o valor estratégico das campanhas digitais.

O rádio também se beneficia, especialmente nas capitais com forte tradição carnavalesca. Em cidades como Salvador, Recife e Rio de Janeiro, emissoras fecham pacotes especiais de cobertura e transmissões externas patrocinadas. A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) já apontou, em levantamentos setoriais, que grandes eventos sazonais elevam o faturamento publicitário regional em dois dígitos percentuais, impulsionados por marcas de bebidas, telefonia e varejo.

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No campo econômico mais amplo, o impacto do Carnaval ajuda a sustentar os investimentos em mídia. A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo estima que o Carnaval de 2026 deve movimentar cerca de R$ 19 bilhões na economia brasileira, superando os níveis pré-pandemia. Parte desse montante retorna à indústria de comunicação na forma de publicidade, cobertura jornalística, direitos de transmissão e produção de conteúdo. A Riotur, empresa municipal de turismo do Rio, estimou que apenas o Carnaval carioca pode gerar mais de R$ 6 bilhões em receitas para a cidade, criando um ambiente favorável para ações de marca.

As escolas de samba e ligas organizadoras também se tornaram plataformas de mídia. A Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) negocia cotas de patrocínio master que podem ultrapassar R$ 20 milhões por edição, além de acordos de naming rights e ativações em arenas e transmissões. Empresas do setor de bebidas costumam liderar os investimentos. A Ambev, por exemplo, historicamente investe centenas de milhões de reais em patrocínios nacionais ligados ao Carnaval, considerando blocos, camarotes, transmissões e campanhas publicitárias integradas.

Outro impacto relevante está na profissionalização da cobertura e na disputa por direitos. Com a fragmentação do consumo, emissoras regionais, canais pagos e plataformas de streaming passaram a negociar transmissões específicas de blocos e desfiles. Esse movimento amplia a concorrência e eleva o valor dos direitos, ao mesmo tempo em que estimula novos formatos, como reality shows temáticos e séries documentais sobre bastidores das escolas de samba.

O Carnaval brasileiro se firmou como um laboratório de inovação publicitária. Marcas testam experiências imersivas, realidade aumentada, QR codes em fantasias e integração entre TV e segunda tela. A combinação de audiência massiva, forte apelo emocional e engajamento social cria um ambiente propício para campanhas de alto impacto.

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