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Relatório aponta as tendências para o turismo em 2027

Publicado 14/10/2026 • 20:25 | Atualizado há 2 horas

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Felipe Machado

Felipe Machado é analista de economia e negócios do canal Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC. É jornalista, escritor e guitarrista fundador da banda VIPER

Divulgação/Hotéis.com

Quem acha que turismo é só cama, café da manhã e piscina não leu o Unpack '27, relatório que a Hoteis.com divulgou hoje, em São Paulo. Com 26 mil viajantes ouvidos em 16 países, mais dados próprios de busca e reserva, o estudo mostra um setor que vende cada vez menos quartos e cada vez mais narrativa.

Comecemos pelas "Pílulas de Férias". As buscas por estadias de uma noite cresceram quase 10% no ano, e 79% dos viajantes globais pretendem reservar uma. Entre Geração Z e Millennials, o índice chega a 83%. No Brasil, 73% já fizeram uma escapada assim e 92% querem repetir. O motivo número um, citado por 47%, é celebrar aniversários e datas. Em segundo, com 38%, aparecem shows, espetáculos e eventos esportivos. Ou seja, a cultura é o gatilho de quase quatro em cada dez reservas. Quem produz festival, turnê e jogo está, na prática, gerando receita para a rede hoteleira. Orçamento apertado e agenda lotada trocaram a grande viagem anual por várias pequenas, com ticket menor e frequência maior. Para o hotel, isso significa giro, e giro é margem.

A segunda tendência é a mais curiosa para quem vive de rock. As "Viagens Góticas" mostram que 65% dos viajantes globais querem se hospedar num hotel de estilo gótico, e 56% já escolheram um lugar pela atmosfera ou estética. No Brasil, 70% têm interesse, e para 68% a fascinação cresceu no último ano. A demanda por castelos na plataforma subiu 20%. Castelo, vela no corredor e parede escura viraram produto premium, e o Santa Teresa Hotel, no Rio, está na lista. Quem passou a vida ouvindo guitarra pesada e vendo capa de disco com catedral sabe: a estética sombria sempre teve público fiel. Só faltava o mercado hoteleiro perceber que esse público paga diária.

O terceiro eixo é o turismo cinematográfico, e aqui o dado é de executivo sonhar acordado. No Brasil, 65% pesquisam destinos vistos nas telas, e 19% efetivamente reservam. Oitenta por cento pesquisam em até uma semana após se inspirar, e o gasto médio declarado é de R$ 5.179. As buscas por Mônaco saltaram mais de 120% em 30 dias depois de confirmada a filmagem de Emily em Paris. As menções a Miami subiram 64% com o anúncio de Miami Vice '85. Mais: quase metade dos viajantes pesquisa destinos de produções que nem estreiaram. Um roteiro aprovado já mexe com demanda. Para governos e film commissions, a conta é direta: cada locação disputada é uma campanha de marketing paga pelo estúdio.

A lição para o mercado é clara. Hotel, streaming, gravadora e produtora de eventos estão competindo pela mesma carteira, a do consumidor que paga por emoção e identidade. Quem entender que o quarto é só o suporte de uma experiência cultural vai ocupar mais diárias. Ressalva honesta: os números vêm de pesquisa autodeclarada e de uma plataforma interessada em vender estadias. Mesmo assim, o recado dos dados de busca e reserva é consistente. Em 2027, a melhor suíte talvez seja a que tem história para contar.

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