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Sepultura encerra trajetória global com despedida dupla em São Paulo

Publicado 04/11/2026 • 20:18 | Atualizado há 24 minutos

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Felipe Machado

Felipe Machado é analista de economia e negócios do canal Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC. É jornalista, escritor e guitarrista fundador da banda VIPER

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Uma banda de heavy metal formada em Belo Horizonte colocou a palavra Sepultura no vocabulário de fãs que nunca falaram português. Desde 1984, o grupo construiu uma carreira internacional que levou o metal brasileiro aos principais festivais do gênero e criou uma carreira cujo alcance ajuda a explicar a dimensão de sua despedida. Os dois últimos encontros com o público acontecem em São Paulo: no dia 5 de novembro, no Cine Joia, e no dia 7, na Suhai Music Hall, encerrando a turnê Celebrating Life Through Death.

O tamanho desse negócio pode ser medido por uma estimativa divulgada pela gravadora Rhino em 2017, quando o Sepultura já se aproximava de 20 milhões de álbuns vendidos, incluindo mais de 3 milhões nos EUA. O número dá uma perspectiva do mercado conquistado por músicos brasileiros em um segmento que exige circulação internacional, distribuição e presença constante na estrada.

Bem-sucedidos em vendas e em originalidade, os álbuns “Beneath the Remains”, “Arise”, “Chaos A.D.” e “Roots” são a maior evidência to talento do Sepultura, marcado pelo peso do som e por algumas mudanças importantes na formação. A mais importante delas foi a saída do vocalista e guitarrista Max Cavalera e a entrada do vocalista americano Derrick Green.

Ao incorporar percussão e referências brasileiras, o Sepultura desenvolveu características que ajudaram a diferenciá-lo em um mercado dominado por bandas americanas e europeias. Em “Roots”, essa pesquisa incluiu a participação dos indígenas da comunidade Xavante, aproximando o metal de uma cultura que boa parte de seu público estrangeiro desconhecia.

A trajetória também atravessou rupturas de formação e mudanças na indústria fonográfica. A permanência do nome nos palcos e o lançamento de novos trabalhos exigiram reconstruir relações com o público, preservando o repertório que abriu mercados enquanto a banda buscava espaço para outras composições. O quarteto que chega à despedida reúne o guitarrista Andreas Kisser, o vocalista Derrick Green, o baixista Paulo Jr., o único membro original, e o baterista americano Greyson Nekrutman.

As duas apresentações paulistanas oferecem experiências diferentes a quem acompanhou esse percurso. No Cine Joia, o show batizado de “The Last Ceremony” terá repertório preparado para a ocasião e a proximidade de uma casa menor, recuperando uma relação entre músicos e plateia que antecede a presença nos grandes festivais. Para fãs acostumados a assistir à banda em palcos gigantes, essa mudança de escala é parte do interesse do encontro.

Na Suhai Music Hall, a despedida apresentada pelo Santander e promovida pela Live Nation Brasil amplia a programação com Metal Allegiance, Krisiun e Sacred Reich. Entre os músicos anunciados estão Mike Portnoy, Alex Skolnick e Chuck Billy, além dos ex-integrantes Jean Dolabella e Jairo Guedz. A presença desses artistas também permite observar a rede de relações construída pelo Sepultura ao longo de décadas de gravações e turnês.

O Sepultura anunciou seu fim, mas os fãs brasileiros e internacionais podem contar com projetos futuros de seus membros em novos desafios. Quem sabe, no futuro, a banda volte para mais uma turnê? Os fãs do mundo inteiro vão agradecer.

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