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Sérgio Leverdi Sergio Leverdi

A energia venceu a guerra

Publicado 14/10/2026 • 12:38 | Atualizado há 2 horas

Foto de Sérgio Leverdi

Sérgio Leverdi

Advogado com mais de 30 anos de atuação, formado em Direito pela Universidade de Brasília (UnB), com especialização em Direito Econômico e Empresarial, pós-graduação pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Também é especialista em Direito Tributário e em regulação do setor de energia, tendo cursado Pós-Graduação tanto no IDP como na PUCPR, área em que atua na representação de grandes projetos de relevância nacional. Idealizador do LAWINFRA, iniciativa voltada ao diálogo entre o setor produtivo, reguladores e o sistema de justiça, Sérgio Leverdi é sócio do Observatório Internacional da Justiça e Arbitragem. Sua trajetória é marcada pela atuação estratégica em infraestrutura, energia, segurança jurídica e desenvolvimento econômico.

Sérgio Leverdi, do LAWINFRA

Divulgação/Maxar Technologies

Estamos perdendo a guerra da energia?

O último episódio relevante da guerra sem fim, travada entre Ucrânia e Rússia, foi deflagrado pela interferência dos Estados Unidos da América.

A intervenção americana trouxe a proposta de um cessar fogo. Um tipo inovador de cessar fogo: as partes deveriam se comprometer a não mais atacar as instalações da infraestrutura de energia do seu inimigo.

Isso mesmo: há algo mais valioso do que ganhar a guerra, que é manter a energia funcionando. A energia venceu a guerra. Ela conseguiu se mostrar mais importante do que os interesses que deflagaram o conflito.

A proposta americana mostra, como temos dito, que a economia não gira sem eletricidade, sem energia. A eletrificação da economia agora se mostra tão importante ao ponto de ser uma questão de dignidade da vida humana, algo que pode mudar o rumo de uma guerra.

A paz, em última análise, é necessária para que a falta de energia não acabe com um país.

No oriente médio, mais uma vez, a parte mais sensível do conflito entre Irã e os países árabes, incluindo os EUA, se mostrou ligado à energia. Sim, a energia é o centro das disputas ali.

Se o estreito de Ormuz fechar, a energia do mundo sente a falta de diesel, de petróleo. O ser humano está cada vez mais dependente da energia elétrica que move a economia, as telecomunicações e toda a infraestrutura visível.

Energia é uma questão de soberania nacional, e o tendão de Aquiles de um país. O povo sem energia é um povo sem transporte, sem calefação, sem ar-condicionado, sem celular, sem internet, sem forno, sem quase tudo.

A civilização, na era da eletricidade, encontrou limites palpáveis, e o Brasil precisa dar a devida atenção para isso. A política energética precisa ser encarada como uma questão de verdade, de soberania nacional, de sustento para qualquer plano econômico, e de dignidade para os brasileiros.

No Brasil, a inflação segue subindo por conta do custo da energia. E não porque o país está crescendo seu volume econômico, mas porque estamos sendo lentos na eficiência.

Estamos perdendo a guerra da energia?

Num país que possui todos os atributos para ser líder mundial em energia, ainda pecamos pela falta de segurança jurídica, coordenação do setor, lentidão.

As agências reguladoras precisam de recursos financeiros, de estrutura. As empresas, de mais segurança e confiança nas instituições.

Há uma grande judicialização do setor de energia, e a cada inovação, cada leilão, cada passo de mudança pretendida, o que surgem são novos questionamentos e contendas judiciais.

Ou o rumo da política energética se apruma, ou colocamos em risco nossa soberania. Esperamos que melhores dias venham para que possamos vencer essa guerra interna.

O setor privado, os poderes da República, em harmonia, precisam estancar essa falta de sintonia. Nossa economia precisa da energia, e não de gastar energia para solucionar tantos conflitos.

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