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Regulação acelera uso de stablecoins em pagamentos internacionais, diz CEO da Lumx
Publicado 28/01/2026 • 22:45 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 28/01/2026 • 22:45 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
A consolidação das stablecoins como instrumento operacional para pagamentos internacionais tem acelerado a adoção institucional da tecnologia blockchain, na avaliação de Caio Barbosa, CEO da Lumx. Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, o executivo afirma que a empresa nasceu focada em infraestrutura para tokenização, mas rapidamente identificou uma demanda mais urgente no mercado.
“A Lumix existe desde 2022, e a gente percebeu desde lá de trás que existia uma necessidade muito grande de empresas, principalmente do mercado financeiro, em buscar soluções para otimizar e facilitar a adoção da tecnologia blockchain em seus negócios”, afirmou.
A companhia começou oferecendo infraestrutura para tokenização de ativos financeiros e não financeiros, como imóveis, crédito de carbono e recebíveis, mas ajustou o foco ao longo do tempo. “A gente foi aprendendo e ajustando a operação, enxergando onde de fato dói mais. E essa dor era justamente no mundo de transferências internacionais”, disse.
A partir dessa leitura, a empresa passou a atuar como provedor de infraestrutura para pagamentos internacionais usando stablecoins. “A Lumx se posicionou como um provedor de infraestrutura para empresas do mercado financeiro que querem usar essa nova tecnologia em seus recursos financeiros para pagamentos internacionais, visando reduzir custos, otimizar operações e tornar essas transações globais muito mais eficientes”, explicou.
Para Barbosa, a mudança de percepção sobre as stablecoins foi determinante para o crescimento do setor. “Com as stablecoins, essa perspectiva muda. O próprio nome sugere que é um ativo estável. Quando passaram a ser usadas como mecanismo de liquidação de pagamentos internacionais, o mercado percebeu que isso não é especulação, não é algo que eu compro para vender mais caro. É uma ferramenta para executar pagamentos, para usar em tesouraria”, afirmou.
Segundo o executivo, esse movimento atraiu grandes instituições. “Os grandes players institucionais passaram a usar essa tecnologia. Bancos, fintechs e empresas de pagamento mundo afora”, disse. Ele acrescenta que a predominância de stablecoins lastreadas em dólar também colocou o tema no centro do debate político nos Estados Unidos, pela relação com a manutenção da dominância da moeda americana.
Barbosa avalia que 2025 foi um ano decisivo para a consolidação regulatória do setor, com impactos diretos sobre a segurança jurídica e a entrada de novos participantes institucionais. Na Europa, a regulação MiCA entrou efetivamente em vigor. Nos Estados Unidos, normas passaram a regular emissores de stablecoins. No Brasil, o Banco Central publicou novas resoluções que enquadram os ativos virtuais e sua integração ao mercado de câmbio.
“No Brasil, ao fim do ano, tivemos finalmente as novas resoluções do Banco Central, que não só regulam o mercado de ativos virtuais como um todo, mas principalmente incorporam stablecoins e ativos virtuais ao mercado de câmbio brasileiro”, afirmou. “Agora, as stablecoins passam a seguir regras análogas às do câmbio tradicional, obviamente com inovação, mas com mais clareza.”
Segundo ele, a regulação trouxe previsibilidade para empresas e clientes. “Quando você está numa zona cinzenta, você não sabe exatamente até onde pode ir. Agora está escrito o que pode e o que não pode. Para a gente, como empresa que presta esse tipo de serviço, é muito positivo. E para os nossos clientes também, porque reduz resistência e aumenta a confiança para adotar a tecnologia”, disse.
O executivo afirma que o efeito foi imediato na disposição do mercado em testar e contratar soluções. “Foi uma mudança da água para o vinho no dia em que saiu a resolução do Banco Central. Os clientes passaram a se sentir muito mais confortáveis e mais abertos a fazer negócio”, relatou.
Apesar disso, ele reconhece que a elevação da régua regulatória impõe desafios para startups. “É muito desafiador, porque agora você precisa ter uma régua extremamente alta de conformidade. No nosso caso, a gente já estava bem estruturado, mas foi um baque para muita empresa do mercado”, afirmou.
Para 2026, Barbosa diz que a expectativa é de continuidade do amadurecimento regulatório, especialmente nos Estados Unidos, onde avança o debate sobre o chamado Clarity Act, que busca definir com mais precisão a classificação e a supervisão dos ativos digitais.
“O Clarity vem justamente para trazer clareza do que é e do que não é. Existe uma definição mais explícita do que é commodity, do que é digital commodity e do que é security, porque isso define qual órgão vai supervisionar o ativo”, explicou. Segundo ele, a discussão também envolve temas sensíveis como autocustódia e o escopo de atuação da SEC sobre protocolos descentralizados.
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Jornalista formada pela Universidade Mackenzie e pós-graduada em economia no Insper. Tem passagem pela Climatempo, CNN Brasil, PicPay e Revista Oeste. É redatora de finanças no Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Eleita uma das 50 jornalistas +Admiradas da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças de 2024.
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