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DECISÃO 2026: Debate entre Lula e Flávio decepciona eleitores em pesquisa qualitativa; indecisos seguem sem definição
Publicado 19/10/2026 • 07:40 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 19/10/2026 • 07:40 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Eleitores reunidos em um grupo de pesquisa qualitativa classificaram como “decepcionante”, “triste”, “vergonhoso” e “infeliz” o debate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), primeiro encontro dos dois candidatos, promovido no domingo (18) pelo Grupo Bandeirantes. Para os participantes, faltou qualidade e sobrou baixo nível nas discussões entre os dois nomes que disputam a Presidência da República.
A pesquisa foi divulgada pelo Estadão Conteúdo, que a encomendou ao cientista político Renato Dorgan, presidente-executivo do instituto Travessia. Dorgan reuniu 12 eleitores, sendo quatro indecisos, quatro que declaravam voto em Flávio e quatro que pretendiam votar em Lula.
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Os participantes acompanharam a transmissão em uma casa na Vila Mariana, na Zona Sul de São Paulo, e comentaram o encontro em tempo real. Eles usaram cartões coloridos, verde para aprovação, amarelo para neutralidade e vermelho para reprovação. A dinâmica ocorreu em uma “sala de espelho”, e a reportagem do Estadão observou o grupo do outro lado de um vidro.
Além disso, a pesquisa qualitativa é amplamente usada pelas campanhas, tem caráter analítico, não tem rigor estatístico e não se iguala a uma pesquisa de intenção de voto.
As críticas ao debate atravessaram os três grupos de eleitores, sem exceção, e a avaliação geral foi de que faltou discussão mais qualificada sobre o País. O primeiro bloco, marcado por bate-boca entre os candidatos, foi o que mais desagradou, e parte dos participantes recorreu a palavrões para expressar a indignação.
“O primeiro bloco, sobretudo, teve uma carga emocional muito pesada, o que prejudicou as avaliações ao longo do debate. O tom do confronto baixou as expectativas em relação aos candidatos e deixou os eleitores desanimados quanto às perspectivas para o futuro. Lula pareceu repetitivo e um tanto demagogo, enquanto Flávio soou vazio e agressivo demais”, avalia Dorgan.
Um dos indecisos, que cogita anular o voto no domingo (25), resumiu o sentimento da sala ao dizer que “poderiam discutir pautas relevantes, mas não quiseram”. Em sua avaliação, “quem quer ser presidente precisa trazer muito mais propostas para convencer a gente de votar, mas parece que eles não estão a fim disso”.
Apesar das críticas, Lula conseguiu virar o voto de uma eleitora que estava indecisa. Ela criticou a falta de propostas de Flávio, disse que o candidato do PL não demonstra ser uma pessoa “madura” nem ter “capacidade” de governar e afirmou que Lula fez “algumas coisas”, como o fim da escala 6×1 e o reajuste do Bolsa Família.
Para os outros três indecisos, o debate não foi conclusivo, e todos ainda consideram anular o voto. Se optarem por um dos candidatos, dois dizem que a tendência é votar em Flávio, e o terceiro pode escolher Lula. Os que tendem a Flávio dizem que Lula é “mais do mesmo” e que o bolsonarista representa uma possibilidade de mudança, embora afirmem que o candidato do PL não transmite “confiança” e demonstra “despreparo”.
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Siga o Times | CNBCEntre os participantes que já tinham candidato definido, os quatro eleitores de Lula mantiveram a intenção de voto no petista, e um dos apoiadores de Flávio terminou o debate indeciso.
Os piores momentos de Flávio ocorreram no início, quando o senador deixou de responder a questionamentos do presidente, entre eles por que defendeu um policial militar acusado de matar uma criança no Rio de Janeiro e por que votou contra a ampliação da licença-maternidade para servidoras públicas do Estado. “Tem que explicar”, cobrou um eleitor que chegou à dinâmica declarando voto em Flávio e apontou, ao final, a falta de respostas como um dos motivos de ter ficado indeciso. Uma indecisa também reclamou que o candidato “não responde nada”.
As críticas a Lula vieram principalmente quando o presidente elogiou o próprio governo ou fez promessas de um futuro melhor. Parte do grupo questionou o diagnóstico otimista e lembrou que o PT governa o País há quase duas décadas.
“Ele está no governo hoje e fala como se estivesse tudo muito bom, mas não está. Ele tem que assumir isso e dizer o que vai melhorar”, afirmou um eleitor indeciso, que terminou o debate dividido entre anular o voto e optar por Flávio. “Ele fala dos problemas do País, mas o PT está governando há 20 anos. Se não fez até agora, não vai fazer com mais um mandato”, disse uma eleitora que se manteve fiel ao senador do início ao fim.
Já os pontos altos de Flávio foram as falas sobre o aumento do custo de vida e as propostas para a segurança pública. Iniciativas como o fim das saidinhas temporárias de presos e a castração química de abusadores foram bem recebidas por indecisos e por eleitores que já declaravam voto no senador. Lula se destacou ao falar de políticas sociais.
“Lula foi bem na abordagem de políticas sociais, ele fala com convicção sobre o assunto. Mas foi mal na questão das saidinhas, pois pareceu defendê-las. Flávio agradou com um discurso incisivo sobre segurança, mas sua proposta para a saúde pareceu falsa quando disse que teremos um SUS no nível do Hospital Albert Einstein”, diz Dorgan.
Proporcionalmente, Lula teve mais avaliações positivas e menos negativas que Flávio. Entre os cartões recebidos pelo petista, 44,79% foram verdes, ante 39,06% dos recebidos pelo senador. Os vermelhos representaram 35,42% das avaliações de Lula e 46,88% das de Flávio. Os amarelos, de neutralidade, corresponderam a 19,79% das avaliações do petista e 14,06% das do senador.
Os apoiadores de Flávio disseram que o plano do senador para a economia “não está bem explicado” e que, embora ele tenha falado bem sobre segurança pública, foi “vago” em outras áreas. Os eleitores de Lula criticaram o presidente por se rebaixar a “briguinhas” com o adversário e dedicar pouco espaço à apresentação de propostas.
Lula e Flávio abordaram a corrupção e trocaram acusações sobre casos como o Banco Master e as fraudes no INSS, mas o tema não mobilizou os participantes do grupo.
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