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DECISÃO 2026: 40% dos eleitores brasileiros relatam desalento com disputa presidencial
Publicado 04/10/2026 • 09:41 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 04/10/2026 • 09:41 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Marcelo Camargo/Agência Brasil
Urna eletrônica durante procedimento da Justiça Eleitoral; pesquisa aponta desalento de parte dos eleitores com a disputa presidencial de 2026.
Quase quatro em cada dez eleitores brasileiros dizem chegar à eleição deste domingo (4) com sentimentos de descrença, revolta ou desânimo em relação à disputa presidencial. O levantamento também mostra que 46% pretendem votar em um candidato principalmente para impedir a vitória de outro.
Ao mesmo tempo, 42,5% dos entrevistados associam a eleição a um sentimento de esperança. Outros 5,1% citaram alegria, 12,6% disseram não sentir nenhuma dessas emoções e 3% não souberam ou preferiram não responder.
Os dados são da pesquisa Travessia, realizada com exclusividade para o Estadão. O estudo mostra ainda que 49,4% dos eleitores dizem basear a escolha nas propostas apresentadas ou na admiração pelo presidenciável, enquanto 46% apontam a rejeição a outro candidato como principal motivação do voto.
O voto por rejeição é ainda mais presente entre eleitores com renda de até dois salários mínimos, grupo em que atinge 49,8%. Na Região Norte, o percentual sobe para 51,2%.
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A pesquisa ouviu eleitores que relatam pouca identificação com os próprios candidatos escolhidos.
A arquiteta Paula Falcão, de 30 anos, afirmou que pretende repetir o voto em Luiz Inácio Lula da Silva (PT), dado em 2022, mas diz que chega à eleição deste domingo menos otimista.
“É um sentimento de desânimo, de ‘tem que votar para não piorar’. Mas não acho que vai melhorar nada”, afirmou. Segundo ela, a escolha é hoje mais influenciada pela rejeição ao bolsonarismo do que pela expectativa de um eventual novo governo Lula.
Por outro lado, o nutricionista Joás Garcia, de 22 anos, afirma ter pouca identificação com o programa de Flávio Bolsonaro (PL), mas pretende votar no candidato devido à oposição ao PT.
“Meu voto no Flávio é 70% anti-PT. É voto útil”, disse.
Para o cientista político Renato Dorgan, CEO do Travessia Pesquisas, o desalento eleitoral está relacionado a uma descrença mais ampla nas instituições e na classe política.
Ele cita como fatores episódios recentes envolvendo os Três Poderes, entre eles o caso Banco Master, além do desgaste provocado pela repetição de promessas eleitorais que, na avaliação de parte da população, não se concretizam.
“O Vorcaro escancarou uma corrupção desenfreada que já era sentida no Legislativo e no Executivo há muito tempo”, afirmou Dorgan.
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Siga o Times | CNBCApesar do elevado percentual de eleitores que mencionaram esperança, o cientista político pondera que esse sentimento não necessariamente representa confiança na política.
“O brasileiro sempre tem esperança. Ele é solar, é alegre, acredita na vida. Esperança na política é outra coisa”, disse.
Na avaliação de Dorgan, a forma como as campanhas têm conduzido a disputa também ajuda a explicar a desmobilização.
Segundo ele, candidatos passaram a privilegiar conteúdos de redes sociais e ataques aos adversários em detrimento de debates mais aprofundados sobre propostas.
“A rede social mediocrizou a disputa, simplificou demais”, afirmou.
Para o cientista político, ainda há demanda por propostas concretas, mesmo entre eleitores descrentes na capacidade dos políticos de cumprir compromissos assumidos durante a campanha.
A pesquisa também identificou dúvidas quanto ao comparecimento às urnas neste domingo.
Ao todo, 78,5% dos entrevistados disseram que votarão “com certeza”. Outros 20,2% ainda não têm certeza se irão às urnas, enquanto 1,3% não souberam ou não responderam.
A disposição para comparecer é menor entre eleitores que recebem até dois salários mínimos e vivem no Sudeste. Nesse grupo, 64,9% afirmaram que votarão com certeza, enquanto 31,5% não demonstraram a mesma convicção.
Entre aqueles que admitem a possibilidade de não votar, a principal justificativa é a falta de confiança na capacidade da política de promover mudanças.
Para 33,6%, “não importa quem se eleja, os políticos são todos iguais e nada muda”. Outros 20,5% disseram que nunca votam, enquanto 15,8% afirmaram não ter interesse em política.
A pesquisa Travessia ouviu mil eleitores por telefone em todo o país entre os dias 23 e 25 de setembro. A margem de erro é de 3,1 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.
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