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DECISÃO 2026: imprensa internacional compara estratégias de Lula e Flávio em debate marcado por ataques

Publicado 19/10/2026 • 10:25 | Atualizado há 52 minutos

KEY POINTS

  • Le Monde e El País analisaram as estratégias de Lula e Flávio Bolsonaro, destacando provocações, respostas evasivas e dificuldades para apresentar propostas.
  • O americano Semafor relacionou a disputa ao avanço da direita no Brasil e aos possíveis efeitos de uma vitória de Flávio para os interesses de Washington.
  • Segurança pública, custo de vida e referências a Javier Milei também ganharam espaço na cobertura do primeiro confronto direto entre os candidatos.
Flávio Bolsonaro, à esquerda, e Lula gesticulam no palco do debate da Band.

Tuane Fernandes/NurPhoto via AFP.

Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva durante o debate presidencial na Band, em São Paulo, em 18 de outubro de 2026.

As provocações entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), as perguntas sem resposta e a dificuldade de apresentar propostas claras ganharam destaque na imprensa internacional após o debate de domingo (18), na Band. A uma semana do segundo turno, veículos estrangeiros examinaram as estratégias dos candidatos em um confronto marcado por acusações.

O jornal francês Le Monde destacou as dificuldades de Lula para defender seu governo e as respostas evasivas de Flávio. O jornal espanhol El País comparou as explicações mais técnicas do presidente às mensagens diretas do senador. Nos Estados Unidos, o Semafor situou o encontro no contexto do avanço da direita brasileira.

Foi o primeiro confronto direto entre os adversários nesta campanha. O segundo turno está marcado para domingo (25), com outro debate previsto para sexta-feira (23), na TV Globo.

Leia também: DECISÃO 2026: Debate entre Lula e Flávio decepciona eleitores em pesquisa qualitativa; indecisos seguem sem definição

Le Monde avalia comunicação dos candidatos

O Le Monde ouviu o cientista político Claudio Couto, que avaliou que Flávio usou exemplos cotidianos para falar de economia, enquanto Lula recorreu a indicadores mais distantes da experiência do público.

Couto ponderou, porém, que a postura do senador poderia afastar eleitores. O jornal também apontou que o confronto ajudou pouco quem buscava conhecer os programas dos candidatos.

El País contrapõe estratégias

O El País descreveu um confronto áspero, no qual Flávio concentrou esforços em atacar o adversário e Lula alternou respostas com a defesa de sua gestão. Nas considerações finais, o presidente falou de estatais e privatizações, enquanto o senador priorizou segurança e condições de vida. Também registrou o tumulto na plateia no encerramento.

Em outra análise, o jornal resumiu o embate como o de um Lula “tecnocrata” diante de um Bolsonaro “provocador”. Segundo a publicação, o senador tentou irritar o presidente ao permanecer no enquadramento das câmeras durante suas falas.

O texto avaliou que Lula perdeu oportunidades de transmitir uma mensagem mais simples aos eleitores. Também apontou a falta de respostas claras de Flávio a perguntas sobre o financiamento do filme de seu pai, a jornada de trabalho e os recursos minerais.

Semafor destaca avanço da direita

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O americano Semafor, em texto assinado por Jeronimo Gonzalez, registrou a troca de ataques e avaliou que a vitória de Flávio no primeiro turno colocou Lula na defensiva.

A publicação também analisou os resultados das eleições legislativas e estaduais. Destacou que, independentemente da disputa presidencial ainda apertada, o sistema político brasileiro já se deslocou à direita, com o PL na liderança das duas Casas do Congresso e vitórias em governos estaduais.

Na leitura do veículo, uma vitória de Flávio reforçaria o movimento de avanço da direita na América Latina e daria a Donald Trump outro aliado importante na disputa por influência com a China na região.

Segurança e Milei na cobertura argentina

O argentino La Nación organizou sua cobertura em torno dos confrontos sobre segurança, saúde, familiares dos candidatos e política externa.

O jornal deu espaço à referência de Lula à “motosserra” de Javier Milei, símbolo dos cortes de gastos defendidos pelo presidente argentino. Relatou que Flávio respondeu questionando as relações do petista com Daniel Ortega, da Nicarágua, e Nicolás Maduro, da Venezuela.

Também destacou a discussão sobre a redução da jornada de trabalho e a cobrança de Lula para que o adversário esclarecesse se manteria a mudança caso fosse eleito.

DW aponta pouco espaço para propostas

A edição em português da Deutsche Welle, emissora alemã, publicou uma reportagem de Jean-Philip Struck que ressaltou as poucas propostas e as acusações envolvendo familiares, o Banco Master e suspeitas de desvios no INSS.

O veículo observou que Flávio conduziu parte do confronto ao substituir respostas por ataques. Citou o momento em que Lula perguntou sobre um voto do senador contrário à ampliação da licença-maternidade para servidoras, e o adversário respondeu com questionamentos sobre Lulinha.

Na economia, a cobertura contrapôs a defesa de medidas do governo feita por Lula às críticas de Flávio ao custo de vida. Em segurança pública, destacou a promessa do senador de endurecer o combate ao crime e a defesa, pelo presidente, da proposta de emenda constitucional enviada pelo governo ao Congresso.

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