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DECISÃO 2026: Campanhas de Lula e Flávio chegam a acordo sobre quebra de sigilos; processos dependem agora de decisão de Mendonça
Publicado 22/10/2026 • 14:00 | Atualizado há 8 minutos
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Publicado 22/10/2026 • 14:00 | Atualizado há 8 minutos
KEY POINTS
Foto: Montagem (Agência Brasil)
A três dias do segundo turno, marcado para domingo (25), Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) assinaram nesta quinta-feira (22) acordo pela quebra mútua dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dos dois candidatos e de parentes. A decisão agora depende do ministro André Mendonça, relator do caso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Segundo a petição, obtida pelo Metrópoles, a abertura “será imediata, total, nas condições aceitas por ambos, e simultânea para os dois candidatos”. O texto prevê que os dados sejam divulgados até o fim desta quinta.
O documento foi assinado na sede do tribunal. Lula assinou pessoalmente, enquanto Flávio foi representado por sua equipe jurídica, por meio de procuração à advogada Maria Claudia Bucchianeri.
“O presidente Lula assinou, e o do candidato Flávio Bolsonaro foi assinado por procuração por sua advogada. O do presidente Lula foi assinado por ele próprio porque ele sempre defendeu a transparência de seus dados”, disse o presidente do PT, Edinho Silva.
O desafio partiu de Lula no debate da Band, no domingo (18). Flávio não aceitou de imediato e, depois, apresentou condições. Enquanto isso, a campanha petista pressionava o adversário publicamente por uma resposta, segundo a Folha.
A campanha de Lula já entregou ao TSE a autorização para derrubar os sigilos. Já a equipe de Flávio confirmou que fará o mesmo até as 23h59 desta quinta.
O caminho até o acordo começou na terça-feira (20), quando a defesa de Lula protocolou no tribunal autorização para abrir os sigilos dele e de familiares dos últimos oito anos, desde que Flávio fizesse o mesmo. Na quarta-feira (21), Flávio apresentou 19 condições para abrir os próprios dados dos últimos 20 anos, e a campanha petista disse aceitá-las, com a inclusão de informações da Alcazar Holdings.
O coordenador da campanha de Lula, Camilo Santana, afirmou que o presidente atendeu aos requisitos apresentados por Flávio e autorizou o levantamento dos sigilos fiscal, bancário e telefônico dele e de familiares. Ele falou a jornalistas após reunião sobre o tema no TSE.
Segundo Camilo, a campanha levou a Mendonça uma petição que autoriza a quebra de sigilo de Lula e registra que o petista aceitou todos os termos do adversário.
Em seguida, a campanha pediu que o ministro decida ainda nesta quinta, para que as informações sejam divulgadas até as 22h. O objetivo é que os dados fiquem públicos antes do debate da Globo, marcado para sexta-feira (23).
Além das contas de Flávio, a campanha de Lula pede a divulgação de informações sobre Willer Tomaz, amigo e sócio do senador, investigado pela Polícia Federal por suposto envolvimento com fraudes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Do mesmo modo, o pedido inclui empresas ligadas a Flávio, entre elas a Alcazar Holdings, além de movimentações bancárias, dados sobre a situação tributária e o patrimônio declarado e registros telefônicos.
Edinho afirmou que a campanha de Flávio discordou da inclusão da empresa. Segundo a Polícia Federal, Flávio era mencionado como “usuário master” de uma conta ligada à Alcazar, e a suspeita é de que ela fosse usada para lavagem de dinheiro.
“Infelizmente, nós tivemos um embate agora para que a empresa ou a relação com o Willer Tomaz não ficasse de fora desse gesto de transparência”, disse Edinho. De acordo com ele, a campanha de Flávio aceitou depois que a de Lula não cedeu, e a inclusão virou condicionante. A partir da petição, Mendonça pode requisitar informações sobre a empresa.
No documento protocolado na Justiça Eleitoral, Flávio condicionou a entrega de seus dados a contrapartidas que alcançam gestões passadas do petista e o atual mandato.
Primeiro, pede a autorização formal para quebra de sigilo de assessores diretos, como Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete.
Em seguida, quer a abertura bancária e fiscal de empreendimentos de parentes do presidente, como as empresas do filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e operações comerciais recentes no exterior, além do Instituto Lula e da L.I.L.S. Palestras desde 2003.
No caso Master, exige a lista de acessos ao Palácio do Planalto e detalhes da audiência entre Lula e o banqueiro Daniel Vorcaro em dezembro de 2024.
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Siga o Times | CNBCTambém cobra a divulgação das despesas do cartão corporativo da Presidência desde janeiro de 2023 e do histórico de agendas institucionais da primeira-dama, Janja.
Por fim, pede explicações sobre a interlocução do governo com a lobista Roberta Luchsinger, com registros de visitas a prédios oficiais e deslocamentos em aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB), além da quebra de sigilo de Frei Chico, sindicalista e irmão do presidente.
Como informou o Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, a campanha de Flávio escalou o senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR), ex-coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, para analisar os documentos apresentados por Lula. De acordo com comunicado da campanha, ele vai examinar a documentação do presidente, de Lulinha, de Janja, de Marcola e de outros citados em denúncias de corrupção, “com rigor, independência e sem concessões”.
Dallagnol foi eleito senador pelo Paraná em 4 de outubro, com apoio de Flávio e do senador Sergio Moro, segundo o SBT News. Em 2023, o TSE cassou o mandato de deputado federal que ele havia conquistado em 2022. A candidatura ao Senado foi contestada na Justiça Eleitoral, e uma liminar do ministro Floriano de Azevedo Marques chegou a suspender a campanha em setembro.
Em fala no TSE, o ex-procurador afirmou que o trabalho terá duas etapas. A primeira será verificar se os documentos entregues por Lula estão completos. A segunda, segundo ele, buscará indícios de enriquecimento ilícito e de ocultação patrimonial relativos ao presidente, à família e a pessoas próximas, incluindo Marcola, que teria recebido mais de R$ 249 mil de Roberta Luchsinger.
Deltan abriu a fala com uma frase dirigida ao petista. “Lula é especialista em ocultar patrimônio. E eu sou especialista em contar o patrimônio ocultado por Lula”, disse.
Na sequência, Deltan citou episódios da Lava Jato. Disse que o triplex do Guarujá estava em nome de uma empreiteira, que o sítio de Atibaia estava em nome de um amigo e que um apartamento em São Bernardo do Campo, comprado com dinheiro da Odebrecht, estava no nome de um primo de um amigo pecuarista.
Mencionou ainda que Marcelo Odebrecht afirmou ter separado R$ 40 milhões em uma conta relativa a Lula e que Antonio Palocci falou em uma conta contábil de R$ 300 milhões, em um pacto com Emílio Odebrecht.
O ex-procurador afirmou que, na última vez em que analisou os sigilos do petista, Lula “foi parar na cadeia”. As condenações da Lava Jato foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), e Deltan sustenta que as provas foram anuladas sem que Lula tenha sido inocentado.
Questionado se a promessa de Lula de liberar oito anos de documentos alcançaria essas acusações, Deltan respondeu que o compromisso assumido publicamente pelo presidente foi aceitar o desafio de Flávio, com a liberação de documentos desde 2003. Se Lula não fizer isso, disse, descumprirá mais uma promessa. “Da mesma forma como ele prometeu picanha e entregou abóbora, ele vai estar descumprindo a promessa”, afirmou.
Deltan acrescentou que o desafio inclui despesas públicas, como gastos de cartões corporativos, as 42 visitas de Roberta Luchsinger a órgãos federais, o uso do avião presidencial e a presença dela na casa do presidente, conforme mensagens da própria lobista. Disse que o Brasil tem direito a “transparência completa” e que Lula pretende abrir “gavetas vazias” e esconder “uma caixa preta”.
Edinho afirmou que a petição partiu da campanha de Lula. Para ele, Flávio “fez de tudo para atrasar as divulgações”.
Na avaliação do dirigente, “ninguém pode ir para a urna tendo um candidato sob suspeita”. Por isso, disse, Lula coloca à disposição ligações telefônicas e contas pessoais, do instituto e da empresa de palestras, a L.I.L.S. “O presidente Lula não tem nenhuma restrição”, declarou.
Segundo Edinho, Flávio só se posicionou na noite de quarta. “Ele poderia ter aceitado na hora do debate”, afirmou.
O presidente do PT disse ainda que o Judiciário tomará as medidas cabíveis se Flávio descumprir o combinado, mas ressaltou que “quem vai julgar é o povo brasileiro no domingo”.
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