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Geada Negra de 1975 no Paraná mudou o mapa da cafeicultura brasileira

Publicado 21/06/2026 • 21:00 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • Geada Negra de 1975 destruiu lavouras no Paraná e mudou a geografia da cafeicultura nacional
  • Episódio climático abriu espaço para Minas Gerais e o Cerrado se tornarem os principais polos produtores
  • Produtores deslocados pela geada ajudaram a ocupar novas fronteiras agrícolas no país
Safra café geada

imagem gerada pela inteligência artificial Google ImaGen

Produção de café deve bater recorde histórico com 64,1 milhões de sacas, crescimento de 11,5% sobre 2025, liderada pelo café arábica de Minas Gerais

Em julho de 1975, uma intensa massa de ar polar atingiu o Sul do Brasil e provocou um dos episódios climáticos mais severos já registrados na agricultura nacional, segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O fenômeno ficou conhecido como Geada Negra, nome que remete ao aspecto enegrecido das lavouras atingidas pelas temperaturas extremas.

Até aquele momento, o Paraná concentrava o protagonismo da produção cafeeira no país, respondendo por quase metade do café brasileiro e sustentando economias regionais inteiras baseadas na cultura do grão, conforme séries históricas do IBGE.

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Impacto da geada teve caráter estrutural

Diferente de perdas pontuais de safra, a destruição causada pela Geada Negra comprometeu a capacidade produtiva de longo prazo das lavouras paranaenses, afetando diretamente a base econômica de municípios inteiros.

Estimativas históricas indicam que centenas de milhões de pés de café foram atingidos pelo fenômeno, evidenciando a escala do impacto sobre a principal cadeia produtiva do estado naquele período.

De acordo com análises do setor cafeeiro e registros do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o episódio desencadeou uma mudança definitiva na geografia da produção agrícola brasileira. A cafeicultura, até então concentrada no Sul, passou a avançar para novas regiões, sobretudo Minas Gerais e áreas de Cerrado, que se consolidariam como os principais polos produtores nas décadas seguintes.

Geada também provocou movimento social no campo

Além dos efeitos econômicos, a Geada Negra gerou um deslocamento relevante de produtores rurais. Diante da perda das lavouras, muitos agricultores deixaram suas terras em busca de novas oportunidades, contribuindo para a ocupação e o desenvolvimento de outras fronteiras agrícolas no país nas décadas seguintes.

Paraná volta ao radar do café

Décadas depois desse episódio, o Paraná volta a ganhar espaço no setor cafeeiro, agora sob outra lógica. Em vez de volume de produção, o estado passa a ser associado à qualidade, à origem e ao valor agregado do grão, movimento que acompanha a expansão do mercado global de cafés especiais.

Diante da retomada, a Coffee++ lançou a Linha Paraná, novo café especial da marca que resgata justamente essa origem histórica. Segundo Leonardo Montesanto, fundador e CEO da empresa, revisitar a Geada Negra ajuda a explicar a configuração atual da cafeicultura brasileira e abre espaço para que regiões históricas como o Paraná retomem protagonismo a partir da qualidade. Para o empresário, a proposta da nova linha é conectar essa tradição produtiva a uma experiência sensorial alinhada às exigências do consumidor atual.

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