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Comissários e pilotos têm maior risco de câncer por radiação, aponta estudo

Publicado 13/09/2026 • 19:00 | Atualizado há 46 minutos

KEY POINTS

  • Comissários de bordo têm 50% mais risco de morrer por câncer ligado à radiação do que outros trabalhadores.
  • Pilotos apresentam 36% mais chance de morte por câncer relacionado à radiação cósmica, aponta pesquisa.
  • Estados Unidos não exigem monitoramento nem limite de dose de radiação para tripulações aéreas.
Comissários de bordo têm 50% mais risco de morrer por câncer ligado à radiação do que outros trabalhadores.

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Comissários de bordo têm 50% mais risco de morrer por câncer ligado à radiação do que outros trabalhadores.

Comissários de bordo e pilotos correm o maior risco de morrer de cânceres relacionados à radiação, superando até mesmo pessoas que trabalham diretamente com materiais radioativos, de acordo com um novo estudo. A radiação cósmica vem do espaço, e apenas uma pequena parcela atinge a superfície da Terra, mas a exposição é maior para quem voa em grandes altitudes.

Até então, havia evidências limitadas, provenientes de pesquisas menores, sugerindo que a exposição à radiação se traduz em taxas mais altas de mortalidade por câncer entre pessoas que viajam de avião com frequência, sobretudo pilotos e comissários. Segundo dois especialistas australianos em radiação que não participaram do estudo, em comentário que acompanha a publicação, o novo trabalho traz evidências relevantes sobre essa questão.

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Estudo analisou mais de 12 milhões de certidões de óbito

O trabalho, publicado em agosto na revista JAMA Internal Medicine, utilizou dados de mais de 12 milhões de certidões de óbito dos Estados Unidos, com informações sobre as ocupações das pessoas. Os autores analisaram as taxas de mortalidade por cânceres relacionados à exposição à radiação, incluindo leucemia, linfoma, mieloma múltiplo e cânceres de pele, mama, tireoide, próstata e sistema nervoso central.

Entre mais de 500 profissões avaliadas, os comissários de bordo apresentaram a maior porcentagem de mortes por cânceres relacionados à radiação, seguidos pelos pilotos. Para essas duas categorias, a probabilidade de morte foi excepcionalmente alta em cada tipo de câncer associado à exposição.

Risco de câncer por radiação supera média geral

Nenhum dos grupos apresentou taxas de mortalidade acima do normal por cânceres não relacionados à radiação, observaram os autores do comentário, Catherine Olsen e Ken Karipidis. Segundo eles, esse dado sustenta a hipótese de que a exposição ocupacional à radiação, e não fatores socioeconômicos ou de estilo de vida, explica o excesso observado.

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De acordo com os pesquisadores, os comissários de bordo tinham cerca de 50% mais chances de morrer de câncer relacionado à radiação do que a população trabalhadora em geral, enquanto os pilotos tinham cerca de 36% mais chances. Em termos de risco absoluto, 6,9% das mortes de comissários foram causadas por esses tipos de câncer, o equivalente a 1 em cada 14. Entre os pilotos, o índice foi de 6,7%, contra 5% na população trabalhadora em geral, segundo o primeiro autor do estudo, Vishal Patel, da Faculdade de Medicina de Harvard.

Exposição à radiação cósmica é maior em grandes altitudes

Os próprios autores reconheceram limitações no estudo. Eles não sabem quanta exposição cada comissário e piloto teve durante os voos ou por outras fontes, e é possível que algumas ocupações tenham sido classificadas incorretamente nas certidões de óbito. Também não foi possível avaliar outro fator específico das profissões, a interrupção frequente do relógio biológico, que pode ser agravada pelo jet lag, pela travessia de fusos horários e por horários de trabalho irregulares.

A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos reconhece que as tripulações aéreas estão expostas à radiação ionizante, mas o governo americano não estabelece limites de dose nem exige monitoramento, segundo os autores. “Não se pode gerir uma exposição que se decidiu não medir”, disse Patel por email.

Falta de monitoramento preocupa sindicato de comissários

Sara Nelson, que lidera um sindicato que representa 55 mil comissários de bordo, afirma que o relatório reforça a necessidade de levar a exposição à radiação a sério, como a entidade vem sugerindo há anos. “O risco é conhecido, mas a tripulação não é treinada nem informada. E ninguém está assumindo a responsabilidade”, avalia Sara, presidente da Associação de Comissários de Voo (AFA-CWA).

Olsen e Karipidis sugerem que exames dermatológicos anuais podem ser recomendados para pessoas que trabalham em voos de alta altitude, e que mulheres nessas profissões podem considerar fazer mamografias mais cedo ou com mais frequência. Segundo eles, médicos que atendem pilotos e comissários também devem manter alto nível de suspeita de câncer ao avaliar esses pacientes.

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