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Brasil lança concurso inédito para premiar e exportar os melhores cafés conilon e robusta do mundo
Publicado 24/08/2026 • 09:24 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 24/08/2026 • 09:24 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Marcelo Camargo / Agência Brasil
O Brasil exportou 3,03 milhões de sacas de café em julho para o comércio exterior, valor 10% superior ao registrado no mesmo mês em 2025.
A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) lançou o concurso “The Best of Canephora Brazil 2026”, iniciativa voltada exclusivamente para as espécies Coffea canephora (conilon e robusta). O projeto é realizado em parceria com a Alliance for Coffee Excellence (ACE) e a ApexBrasil, por meio da iniciativa setorial “Brazil. The Coffee Nation”.
Nos mesmos moldes do consagrado Cup of Excellence — focado no arábica —, a competição busca selecionar os melhores grãos canéforas da safra 2026 e comercializá-los em um leilão internacional presencial. As inscrições seguem abertas até 3 de setembro e são divididas nas categorias “Processo Clássico” (via seca e úmida) e “Processo Experimental” (fermentação induzida sem aditivos artificiais).
As espécies conilon e robusta representam cerca de 30% da produção de café no país e sua produção está concentrada nos estados do Espírito Santo e no sul da Bahia. O Arábica ainda representa 70% do total da produção de café brasileiro.
Leia também: Do grão à marca: como produtores de cafés especiais buscam agregar mais valor à produção
O processo de avaliação seguirá critérios técnicos. Entre 7 e 11 de setembro, a sede da BSCA em Varginha (MG) receberá a Fase Nacional, onde juízes brasileiros analisarão quesitos como tipo, cor, umidade e qualidade de bebida com base em um protocolo internacional específico para a espécie.
Os 24 lotes mais bem pontuados (nota mínima de 83) avançam para a Fase Internacional. Um painel global elegerá os 10 melhores cafés da safra — divididos meio a meio entre as categorias clássica e experimental.
O ápice da competição ocorrerá em 29 de novembro, com um leilão internacional em Cacoal (Rondônia). Os lotes estrearão com preço mínimo de US$ 9 mil por tonelada (US$ 9 por quilo), cifra 140% superior à cotação registrada na Bolsa de Londres (US$ 3.702/tonelada), principal praça de referência para o grão no mundo.
Embora compartilhem a mesma paixão mundial, o café que chega à xícara pode pertencer a origens botânicas completamente distintas. No comércio global o Coffea arabica (Arábica) e o Coffea canephora (cujas variedades mais conhecidas comercialmente são o Robusta e o Conilon) são as variedades que dominam o mercado.
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Siga o Times | CNBCO Arábica é mais sensível e prospera em regiões de maiores altitudes (geralmente acima de 800 metros) com temperaturas amenas. Em contrapartida, o Canephora adapta-se muito bem a locais mais quentes, de baixas altitudes e planos, além de apresentar alta resistência natural a pragas e doenças, características que fazem alguns produtores preferirem a espécie. O mercado acredita que por conta das mudanças climáticas, a espécie pode ganhar importância no comércio global nos próximos anos.
O Canephora possui quase o dobro da concentração de cafeína do que o Arábica (cerca de 2,2% a 2,7% contra 1,2% a 1,5%), além de menor teor de açúcares e lipídios.
Enquanto o mercado de Arábica de alta qualidade tem décadas de maturação e concursos consolidados, o Canephora foi tratado por muito tempo como uma commodity de segunda linha, voltada apenas para dar corpo e amargor a misturas industriais. Cenário esse que vem mudando nos últimos anos.
Para o diretor executivo da BSCA, Vinicius Estrela, o concurso visa reposicionar o canéfora no cenário global, indo além da tradicional função de compor blends.
“Os constantes investimentos em pesquisa e tecnologia subiram o sarrafo da qualidade. Hoje, temos cafés 100% robusta e/ou conilon excelentes, consumidos puros e com alta rastreabilidade e sustentabilidade socioambiental”, destaca Estrela.
Paralelamente, a BSCA mantém abertas, também até 3 de setembro, as inscrições para o tradicional Cup of Excellence Brazil 2026, voltado aos cafés arábicas. Na edição anterior, o leilão virtual dos vencedores movimentou R$ 1,8 milhão, alcançando a marca média de R$ 15 mil por saca e atraindo compradores de oito países, como Japão, Estados Unidos, China e Arábia Saudita.
Produtores interessados em ambas as competições podem acessar o regulamento e realizar as inscrições diretamente no site oficial da BSCA.
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