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Quanto mais avançado em IA é o profissional, maior a chance de ter um Burnout, aponta pesquisa; veja

Publicado 14/10/2026 • 10:01 | Atualizado há 39 minutos

KEY POINTS

  • Burnout diário atinge 23% dos Pioneiros em IA no Brasil, ante 11% dos Iniciantes, segundo o Wellhub
  • Para 37% dos Pioneiros em IA, o uso da tecnologia aumentou a carga de trabalho, contra 13% dos Iniciantes
  • Com política clara de IA na empresa, 77% dos profissionais se dizem resilientes, ante 37% sem informação sobre regras

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Os profissionais que mais incorporaram a inteligência artificial à rotina de trabalho também estão entre os que mais relatam aumento da carga de trabalho e sintomas de burnout no Brasil.

Os dados constam da quinta edição do Panorama do Bem-Estar Corporativo, do Wellhub, divulgada nesta quarta-feira (14) com base em respostas de mais de 5 mil profissionais de 10 países.

Entre os Pioneiros em IA, grupo formado pelos profissionais com maior domínio da tecnologia, 23% relatam sintomas de burnout todos os dias. Entre os Iniciantes, que ainda estão nos primeiros estágios de adoção das ferramentas, o índice é de 11%.

Além disso, 37% dos Pioneiros afirmam que o uso da tecnologia aumentou a carga de trabalho, contra 13% dos Iniciantes. Considerando todos os profissionais ouvidos no Brasil, 31% dizem que a tecnologia ampliou o volume de trabalho em vez de reduzi-lo.

Pioneiros em IA relatam mais burnout e carga de trabalho no Brasil
Indicador (Brasil) Pioneiros Iniciantes
Sintomas de burnout todos os dias 23% 11%
Dizem que a IA aumentou a carga de trabalho 37% 13%
Recursos de bem-estar ajudam a se adaptar ao trabalho com tecnologia 75% 17%
Deixariam empresa que não prioriza o bem-estar 73% 51%
Usam IA com frequência para o próprio bem-estar 52% 9%
Fonte: Panorama do Bem-Estar Corporativo, Wellhub (pesquisa online com mais de 5 mil profissionais em 10 países, de 12 a 19 de junho de 2026). Elaboração: Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC

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Burnout e orientação a colegas marcam rotina dos Pioneiros

Ao mesmo tempo, 82% dos Pioneiros orientam colegas sobre o uso das ferramentas. Na prática, eles assumem um papel informal de apoio, além das próprias responsabilidades.

Para o Wellhub, os dados indicam que os profissionais na linha de frente da adoção da IA também podem estar assumindo mais responsabilidades e pressões.

Pesquisa ouviu 5 mil profissionais em 10 países

O estudo dividiu os participantes em três grupos, de acordo com uso, conforto e integração da IA à rotina. Os Pioneiros, que usam a tecnologia como parte do trabalho e ajudam outras pessoas a fazer o mesmo, representam 41% da amostra.

Já os Adeptos, que usam IA com frequência, mas ainda sem total confiança na integração, somam 32%. Os Iniciantes, que nunca usaram as ferramentas ou só experimentaram algumas vezes, são 26%.

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A pesquisa online foi conduzida pela QuestionPro entre 12 e 19 de junho de 2026, com profissionais em período integral e com 18 anos ou mais. Foram ouvidos trabalhadores de Estados Unidos, Reino Unido, Brasil, Argentina, Chile, Espanha, Itália, Alemanha, México e Romênia, com 500 a 505 respostas por país. Segundo o Wellhub, o nível de confiança é de 95%, e a margem de erro, de 5%.

Política clara de IA eleva percepção de resiliência

No Brasil, 77% dos trabalhadores de empresas com política clara e bem comunicada sobre o uso de IA se dizem resilientes e capazes de se adaptar às mudanças. Entre os que não sabem se a organização tem uma política, o percentual é de 37%.

Da mesma forma, 87% dos profissionais que se sentem preparados para trabalhar com a tecnologia afirmam ter essa capacidade de adaptação, ante 45% dos que não se sentem preparados.

Apesar da pressão maior, os Pioneiros também relatam mais acesso a suporte e níveis mais altos de bem-estar. Entre eles, 75% dizem que recursos de bem-estar ajudam a desempenhar melhor e a se adaptar a um ambiente movido por tecnologia, contra 17% dos Iniciantes.

Ricardo Guerra, líder do Wellhub no Brasil, resume os resultados como um paradoxo. “Estamos vivendo um paradoxo”, afirmou, ao lembrar que mais tecnologia não significa necessariamente menos trabalho.

Segundo ele, o sucesso da adoção de IA não pode ser medido apenas pela eficiência gerada. Guerra avalia que as empresas mais competitivas serão as que combinarem inteligência artificial com bem-estar humano, e que investir em tecnologia sem tratar a saúde física e mental dos trabalhadores como prioridade não basta.

Bem-estar influencia permanência na empresa e rotina de sono

Por outro lado, 91% dos profissionais no Brasil afirmam que deixariam uma empresa que não prioriza o bem-estar. O índice é de 73% entre os Pioneiros e de 51% entre os Iniciantes.

Os dados brasileiros mostram ainda que 58% avaliam o bem-estar geral como bom ou excelente. Já 38% dizem que o tempo de tela prejudica o sono, único fator de bem-estar que piora de forma consecutiva desde 2025.

Além disso, 60% estão em algum tipo de terapia ou aconselhamento, ante 37% em 2025. Entre os Pioneiros, 52% usam ferramentas de IA com frequência para o próprio bem-estar, contra 9% dos Iniciantes.

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